Salão de Pequim 2026: carros chineses focam em Inteligência Artificial

Cena do Salão de Pequim 2024 (Divulgação Auto China 2026)

O maior salão automotivo do mundo abre nesta sexta-feira, 24 de abril, em Pequim. O Salão de Pequim 2026 — nome oficial Auto China 2026 — vai até 3 de maio e, pela primeira vez em seus 36 anos de história, ocupa dois centros de exposição simultaneamente. A área total tem 380 mil metros quadrados. O evento que nasceu em 1990 como vitrine de uma indústria que engatinhava virou o termômetro da indústria automotiva global.

O Guia do Carro estará no Salão de Pequim 2026, com cobertura in loco das novidades da indústria chinesa e da atmosfera da feira, a partir de quarta-feira, 22.

Tema: Futuro da Inteligência

“Future of Intelligence” é o tema oficial do Salão de Pequim 2026. Não é “Future of Mobility”, não é “Electric Future” — é inteligência. Isso diz muito sobre para onde a China está mirando: carros com Inteligência Artificial embarcada, direção autônoma, cockpits conectados.

Enquanto o Brasil ainda discute o potencial do etanol na descarbonização, a China já encerrou a corrida pela eletrificação com vantagem consolidada. O governo chinês definiu 2026 como ano de virada para uma nova etapa, com foco total em soberania tecnológica — atacando duas frentes que ainda desafiam o mercado global: a autonomia das baterias e a inteligência dos sistemas de condução.

O campo agora é outro. Não se trata mais de quem fabrica os melhores carros elétricos. Trata-se de quem controla o software, a IA embarcada e os sistemas de direção autônoma. E a China está se movendo com a mesma velocidade e determinação que usou para dominar os veículos elétricos e híbridos plug-in.

O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação já autorizou marcas como BYD, Xpeng e Li Auto a iniciarem testes de nível 3 de autonomia — direção condicional sem intervenção humana — em vias públicas selecionadas. Portanto, não são testes de laboratório. São dados reais, em trânsito real, para refinar sistemas que chegarão ao mercado em escala.

Grupo Volkswagen arranca na frente

A Volkswagen chegou antes de o salão abrir — uma tradição que levou da Europa. O Grupo VW programou sua noite de imprensa no dia 21 de abril com quatro estreias mundiais e apresentação de sistemas movidos por Inteligência Artificial. A estratégia declarada é “In China, for China” — na China, para a China, ou seja, desenvolver produtos específicos para o mercado chinês, sem adaptar modelos globais.

Entre os destaques do Grupo VW: a Jetta (que virou uma marca) revela seu primeiro show car elétrico para o segmento de entrada; a Volkswagen apresentao segundo modelo da linha ID. Unyx, desenvolvido em parceria com a Xpeng; a FAW-Volkswagen estreia o primeiro ID. Aura totalmente elétrico; e a Audi debateu o exterior do E7X, seu segundo modelo de produção. Durante o salão, a Porsche estreia mundialmente o novo Cayenne elétrico.

As montadoras ocidentais que resistiram à pressão chinesa por anos chegam ao Salão de Pequim 2026 não para competir com a China — chegam para aprender com ela e produzir dentro dela.

Por que o Salão de Pequim 2026 importa para o Brasil

O Salão de Pequim não é um evento distante do Brasil. É onde se decide o que o consumidor brasileiro vai comprar em 2027 e 2028.

O plano chinês não se limita aos carros. O governo socialista sempre direciona a indústria chinesa e quer uma coordenação sistêmica entre montadoras, empresas de energia e infraestrutura urbana — uma cadeia de suprimentos autônoma, reduzindo dependência externa de softwares e materiais estratégicos. Quem dominar essa cadeia vai ditar preços e tecnologia para o mundo inteiro — incluindo o Brasil.

Em 2025, o Brasil foi o quinto maior destino das exportações automotivas chinesas, com 322 mil veículos importados. Em 2026, pelo menos quatro novas marcas chinesas confirmaram entrada no mercado brasileiro: Avatr (Caoa Changan), Denza (BYD), Jetour e Dongfeng. Os modelos que serão lançados em Pequim esta semana são, em sua maioria, os carros que chegarão por aqui nos próximos dois anos.

O que o Guia do Carro vai cobrir

A cobertura do Guia do Carro no Salão de Pequim 2026 vai focar no que interessa diretamente ao consumidor brasileiro: quais modelos têm chance real de chegar ao Brasil, a que preço e com qual tecnologia. Sem hype, sem tradução de press release. Com olhar técnico e contexto de mercado.

As primeiras matérias chegam ainda esta semana, direto de Pequim. Veja abaixo algumas matérias do Salão de Pequim 2024 publicadas pelo Guia do Carro.

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