BYD vai pagar prejuízos causados por sistema de condução autônoma na China
Imagine sofrer um acidente enquanto utiliza um sistema de condução assistida e não precisar arcar com os prejuízos. É exatamente isso que a BYD acaba de anunciar na China. A fabricante confirmou que passará a cobrir os danos causados por acidentes envolvendo o sistema Urban Navigate on Autopilot (NOA), desde que a tecnologia esteja sendo utilizada corretamente e dentro das normas estabelecidas pela legislação local.
A iniciativa foi apresentada durante um evento realizado no país asiático e coloca a marca em uma posição inédita na indústria automotiva. Além do NOA, a cobertura também contempla o sistema de estacionamento inteligente disponível em seus veículos.
A novidade vale para clientes chineses que adquirirem veículos novos ou atualizarem seus carros para a versão 5.0 da plataforma God’s Eye, tecnologia que recentemente também foi anunciada para o mercado brasileiro.

Cobertura inédita e aposta nos próprios sistemas
Apesar do anúncio ousado, a cobertura possui algumas limitações. O programa tem validade de apenas um ano e exige que os recursos de assistência estejam sendo utilizados dentro das condições previstas pela fabricante.
Ainda assim, a iniciativa chama atenção porque transfere para a montadora uma responsabilidade que normalmente recai sobre o proprietário do veículo. Para a BYD, a confiança na tecnologia é resultado da enorme quantidade de dados coletados diariamente por sua frota.
Segundo a fabricante, mais de 3,15 milhões de veículos equipados com sistemas inteligentes circulam atualmente pelas ruas da China. Juntos, eles acumulam mais de 200 milhões de quilômetros percorridos por dia.
Milhões de quilômetros de dados
Todo esse volume de informações é utilizado para alimentar os algoritmos responsáveis pelos sistemas de condução assistida. A coleta constante de situações reais de trânsito permite aprimorar o comportamento dos veículos e acelerar a evolução dos recursos autônomos.
A estrutura de desenvolvimento da empresa também ajuda a explicar a confiança no projeto. Atualmente, a BYD conta com mais de 122 mil profissionais dedicados à pesquisa e desenvolvimento em todo o mundo.
Desse total, cerca de 5 mil engenheiros trabalham exclusivamente em tecnologias de condução inteligente. Com essa base técnica e operacional, a fabricante acredita possuir capacidade suficiente para sustentar uma iniciativa desse porte.

God’s Eye evolui e chega ao Brasil em 2027
Além do programa de cobertura para acidentes, a BYD aproveitou o evento para anunciar uma série de melhorias no sistema God’s Eye. De acordo com a empresa, a plataforma passa a utilizar uma arquitetura de sensores integrada a satélites, descrita pela marca como inédita na indústria.
O conjunto também recebeu uma nova geração de inteligência artificial, capaz de interpretar cenários mais complexos e aprimorar continuamente seu desempenho com base nos dados coletados pelos veículos em circulação.
Outro destaque é a introdução de um sistema de gerenciamento de dados que evolui automaticamente à medida que mais carros compartilham informações com a rede da fabricante.
Diferenças entre China e Brasil
Seja como for, a BYD já confirmou que o sistema God’s Eye estará presente em seus veículos vendidos no Brasil a partir de 2027. No entanto, os recursos disponíveis por aqui ainda devem operar dentro dos níveis 2 e 2+ de assistência à condução.
Na prática, isso significa que os veículos conseguem acelerar, frear, manter o carro centralizado na faixa e executar algumas mudanças de faixa de maneira assistida. Apesar dessas capacidades, o motorista continua sendo totalmente responsável pela condução e deve permanecer atento o tempo todo, por exemplo.
Na China, porém, os sistemas mais avançados já operam em um estágio significativamente superior. O God’s Eye oferece funções de navegação autônoma urbana (NOA), permitindo que o veículo siga rotas definidas pelo GPS, entre e saia de vias expressas, realize conversões, troque de faixa e reaja ao trânsito de forma muito mais independente.


