Avaliação: Audi Q3 da 3ª geração é uma joia, mas preço de R$ 400 mil é exagerado

Audi Q3 Sportback (Sergio Quintanilha/Guia do Carro)

Rodamos mais de 400 km com o Audi Q3 da 3ª geração, que começa a ser vendido em versão única – Launch Edition – nas duas configurações habituais de carroceria: SUV por R$ 389.990 e Sportback por R$ 399.990. Como rodamos somente no Q3 Sportback (cupê), que responde por 65% das vendas do modelo, podemos dizer que cada km rodado, nesse caso, teve o valor simbólico de R$ 1.000.

Foram 400 km a bordo de um SUV compacto de R$ 400 mil. É lindo, sem dúvida. Especialmente na traseira, que lembra bastante o Changan Uni-T, da Caoa. A silhueta lateral manteve as curvas insinuantes com linha de cintura bem alta e em elevação. O design dianteiro é bem radical e difere bastante dos Q3 anteriores quando visto de frente.

Mas vale R$ 390 mil ou R$ 400 mil? Pode até valer. Mas, infelizmente, o preço talvez chame mais atenção do que a qualidade do carro, que é excepcional. O novo Audi Q3 mostrou na estrada um comportamento dinâmico excepcional, com suspensão precisa, ajuste perfeito entre equilíbrio e maciez na rodagem e uma entrega de potência e torque muito mais linear do que antes.

O motor 2.0 TSFI (turbo com injeção direta de combustível) ganhou 27 cavalos e agora dispõe de 258 cv de potência a 5.250 rpm. O torque também subiu, passando de 340 para 370 Nm de 1.650 a 4.500 rpm. A nova cavalaria e a força extra do motor EA 888 Evo4 já seriam uma boa notícia. Mas o câmbio S tronic de 7 marchas – com engrenagens banhadas a óleo – deixou o desempenho excepcional.

Audi Q3 Sportback (Sergio Quintanilha/Guia do Carro)

Não se trata apenas de ser mais rápido – o Audi Q3 da 3ª geração ficou 1 segundo mais rápido e agora vai de 0 a 100 km/h em 5,9 segundos. Trata-se, isso sim, de uma entrega constante, sem “buracos”, com aproveitamento total da potência e do torque. A velocidade máxima é de 210 km/h.

O interior do novo Audi Q3 também mudou de forma brilhante. Ele adotou algumas soluções dos modelos elétricos da marca alemã e isso melhorou a experiência a bordo, especialmente para o condutor. Quem senta ao volante do Audi Q3 agora tem duas telas curvas muito bem desenhadas: o Virtual Cockpit de 11,9” tem ótimas opções de visualização e a multimídia MMI de 12,8” traz ícones fáceis de acessar.

Para além do freio de estacionamento eletrônico, o Audi Q3 agora tem os comandos da transmissão atrás do volante, do lado direito, como a maioria dos carros elétricos tem adotado. Aliás, uma solução que a Mercedes há muito tempo usa para seus carros a combustão. Por isso, a seta e o limpador de para-brisa ficam do lado esquerdo do volante de direção. É fácil de usar – leva uns dois ou três movimentos para se acostumar.

Todos os méritos antigos continuam e foram aprimorados, como a qualidade do acabamento, o uso de materiais macios e sofisticados, a posição de dirigir e o espaço no console central, que foi ampliado. Só o teto solar decepciona, pois é pequeno. Veja aqui mais conteúdos do novo Q3.

Bem, “só” talvez não seja a palavra correta. Afinal, apesar das ótimas mudanças, o Audi Q3 chega ao Brasil sem um único indício de eletrificação. Não é híbrido (HEV), tampouco semi-híbrido (MHEV 48V) e nem sequer micro-híbrido (MHEV 12V). Bem, pelo menos a Audi não está sendo “oportunista” nessa questão, fugindo da solução enganosa do “híbrido leve flex”. Nada disso: o Audi Q3 da 3ª geração é a combustão interna “pura”.

Cerca de 100 unidades foram importadas para o lançamento. Com o preço salgado que tem, especialmente na comparação com modelos chineses, o novo Audi Q3 não será mesmo um carro de grande volume. Mas, como esta é a “Launch Edition”, é provável que a produção local incentive a Audi a oferecer versões mais acessíveis para os fãs do modelo. Isso vai mostrar as verdadeiras ambições da montadora no Brasil.


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