Chevrolet Sonic surpreende na estrada com dinâmica diferente de Onix e Tracker

Chevrolet Onix RS em Minhas Gerais (Sergio Quintanilha/Guia do Carro)

Finalmente a GM liberou o Chevrolet Sonic para avaliação. Durante um Test Drive de 110 km entre Belo Horizonte e Inhotim (MG), passando pela BR 381 e pela Estrada Ademir Ribeiro Neves, o Chevrolet Sonic mostrou um comportamento dinâmico um pouco diferente em relação aos dois carros mais conhecidos da plataforma GEM (Onix e Tracker). E isso foi feito de forma intencional pela Engenharia da General Motors.

Suspensão mais rígida para ter mais estabilidade

Logo nos primeiros quilômetros ao volante do Sonic RS (R$ 134.990), já percebemos que ele tem um ajuste de suspensão mais “duro”, ou mais rígido, tornando o carro mais firme nas curvas, com menor rolagem de carroceria do que seria esperado para um vão livre maior em relação ao Tracker (201 mm contra 158 mm). Isso deixou o Sonic bastante confiável nas curvas.

Há uma contrapartida, é claro. O Chevrolet Sonic não tem o rodar tão macio como o do Onix e do Tracker. A GM não queria simplesmente fazer um Onix elevado ou um Tracker menor; queria entregar um carro novo, com uma proposta nova – e conseguiu.

Um carro vermelho estacionado ao lado de uma estrada sinuosa, cercado por vegetação.
Chevrolet Onix RS em Minhas Gerais (Sergio Quintanilha/Guia do Carro)

Graças ao novo amortecedor Multi Tuneable Valve – que tem ajuste variável e identifica o tipo de piso –, o Sonic não tem batidas secas quando passa por irregularidades. A GM chegou a testar o Sonic com rodas de aro 15 e aro 16, usando pneus de perfil mais alto, que deixariam o carro mais macio, porém optou pelos pneus 205/50 e rodas de 17”, que têm mais apelo visual e deixam o carro mais firme.

Tanto a versão RS, que testamos, quanto a Premium (R$ 129.990) utilizam a mesma calibragem de suspensão, direção, motor, câmbio e freios. Só alguns equipamentos e adereços visuais mudam.

Direção tem controle de faixa e foco na segurança

Outro detalhe que percebemos ao volante do Chevrolet Sonic foi o ajuste da direção. Dependendo da estrada, se for bem sinalizada com as faixas, o controle de permanência em faixa é bastante intrusivo. Novamente a opção foi pela segurança, para dar o Sonic o máximo exigido pela Latin NCAP para uma boa nota nesse quesito.

Muitos motoristas, entretanto, não gostam de usar esse sistema. No caso do Sonic, para desabilitar o controle de permanência em faixa, é preciso apertar o botão do lado direito do volante de direção durante 4 segundos. O carro também oferece frenagem automática de emergência, seis airbags e piloto automático convencional.

Um carro SUV vermelho estacionado à beira de uma estrada sinuosa, cercada por vegetação.
Chevrolet Onix RS em Minhas Gerais (Sergio Quintanilha/Guia do Carro)

A posição de dirigir pode ser facilmente ajustada devido à flexibilidade de mnovimento para cima, para baixo, para frente e para trás do volante e do banco do motorista. Os bancos, aliás, não são “estilo sofá”, macios demais, porque, segundo a GM (e concordamos com isso), bancos macios demais causam muito cansaço em viagens longos.

O painel de instrumentos digital e a multimídia MyLink são os mesmos dos demais carros da linha Chevrolet. Ambos são configuráveis para que o usuário tenha as informações que considera mais úteis. Uns três minutos na concessionária são suficientes para aprender as características de conectividade e configuração do quadro de instrumentos e da tela central.

As diferenças de motor para Onix e Tracker

O motor do Chevrolet Sonic é o mesmo 1.0 turbo que equipa os modelos Onix e Tracker, porém há diferenças importantes, que mostramos no quadro abaixo.

ParâmetroOnix 1.0 TurboSonic 1.0 TurboTracker 1.0 Turbo
Tipo de injeçãoIndireta (coletor)Direta (cabeçote)Direta (cabeçote)
Potência116 cv115 cv121 cv
Torque165 Nm185 Nm185 Nm
CaracterísticaHatch CompactoCrossover CoupéSUV compacto

O câmbio é o conhecido automático de 6 marchas, mas no Sonic também teve um ajuste exclusivo. A GM buscou uma entrega de potência e torque mais linear, sem alguns “buracos” que são notados em alguns carros dessa faixa de preço. Há um ligeiro retardo na resposta do câmbio, mas em seguida o motorista nem percebe quando o carro muda de marcha; ele funciona quase como um câmbio CVT, porém sem a monotonia da transmissão continuamente variável.

Com tudo isso, o Chevrolet Sonic conseguiu uma boa eficiência, recebendo do Inmetro nota C na classificação geral e nota A na categoria. Segundo o PBEV, ele faz 14,8 km/l de gasolina na estrada e 12,1 km/l na cidade. O consumo rodoviário foi confirmado durante nossa avaliação. Com etanol, segundo o PBEV, o Sonic faz 10,4 km/l na estrada e 8,4 km/l na cidade. A emissão de CO2 é de 101 g/km – número melhor do que o de alguns carros híbridos.

Veículo Chevrolet vermelho estacionado em um gramado, com árvores ao fundo.
Chevrolet Onix RS em Minhas Gerais (Fabio Gonzales/GM)

Também é digno de nota o porta-malas do Chevrolet Sonic. Ele tem a capacidade de 392 litros, porém parece muito mais, pois foi desenhado de forma acomodar a maior quantidade de malas possível dentro do padrão usado pelas companhias aéreas. O compartimento vem com forração e embaixo há um estepe temporário.

Veredicto do Guia do Carro

O Chevrolet Sonic talvez tenha chegado tarde ao mercado, pelo menos uns quatro ou cinco anos, considerando o sucesso de modelos como Volkswagen Nivus e Fiat Pulse. Mesmo assim, é um carro com enorme potencial de vendas e já no lançamento teve 14 mil pedidos. Ele é bonito, seguro, econômico, previsível e tem preços atraentes. Poderia ser um pouco mais macio se tivesse rodas de 16”, mas isso o deixaria menos atraente para a maioria do público-alvo.

Veículo SUV da marca Chevrolet, na cor vermelha, visto de trás em um ambiente verdejante.
Chevrolet Onix RS em Minhas Gerais (Fabio Gonzales/GM)

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