Uni-T é um xeque-mate da Caoa Changan nas montadoras tradicionais
Uni, duni, tê! Xeque! O plenário montado pela Caoa Changan na fábrica de Anápolis reagiu com um sonoro “uoooouuu” quando a enorme tela ficou toda azul e o preço do Uni-T surgiu em grandes números brancos: R$ 169.990.

Apostas de preço chegavam a R$ 250 mil
Depois que os executivos brasileiros mostraram todas as capacidades do carro chinês produzido pela Caoa, as apostas de preço para o Uni-T iam de 220 mil a 250 mil reais. Seria meio decepcionante, mas compreensível. Afinal, nos acostumamos com automóveis caros.
Por tudo que traz de série, o preço na risca dos R$ 170 mil foi um choque. Ou melhor: um xeque. Um xeque-mate! A Caoa Changan não quer ser apenas mais uma chinesa; quer redefinir o segmento de carros premium.
Changan: marca premium ou mainstream?
Aliás, o posicionamento da nova marca já causou polêmica. Jan Telecki, diretor de marketing, mostrou um quadro no qual a Caoa Changan aparece no mesmo nível da Jaguar, Mercedes, Volvo, Audi, GWM, Tesla e BMW – todas classificadas como marcas premium. A nível global, a Changan é uma marca mainstream e está junto de outras como Toyota, Honda, Volkswagen, BYD, Geely e Jaecoo.
Como esse tema oferece várias interpretações, recentemente o consultor Felipe Munoz, do Car Industry Analysis, tem um estudo global do posicionamento de marcas. Mas, nos critérios usados por Telecki, a Caoa Changan poderá ocupar uma posição superior no Brasil devido à oferta de equipamentos de série.

Jan Telecki enfatizou as vantagens do Uni-T perante carros premium como o Audi Q3, Mercedes GLA e Lexus UX. Mas é dificil acreditar que Volvo, Mercedes, Lexus, Genesis, Audi e BMW serão afetadas pela Caoa Changan. Se a lógica de comportamento do consumidor brasileiro se mantiver, não serão.
Ataque direto contra Volkswagen e Toyota
Entretanto, quando descemos para marcas mais populares, como Volkswagen, Jeep, Toyota e Honda, a conversa passa a ser outra. A parceria da Caoa com a Changan ataca de forma brutal o reinado dos carros excessivamente caros ou com opcionais que elevam substancialmente o preço.
É uma situação que tem provocado movimentos interessantes. A Honda, por exemplo, surpreendeu ao oferecer o Novo WR-W com um preço muito atraente. Da mesma forma, a Jeep colocou o preço inicial do novo Renegade abaixo do padrão usado pela marca. Toyota e Volkswagen ainda não se mexeram nesse sentido.
Por isso, o preço inicial do Caoa Changan Uni-T chamou a atenção, mesmo comparado com outro carros chinês que promete bastante, o GAC GS3, que custa R$ 160 mil na versão topo de linha.
A análise que o Guia do Carro faz é: os chineses estão colocando as montadoras tradicionais em xeque, sob vários aspectos. Agora a Caoa Changan, por ter fabricação no Brasil e ser um carro a combustão, que não terá resistência por temor de custo de manutenção da bateria, dá o xeque-mate.
Segundo a Caoa, o Changan Uni-T já tem mais de 50% de nacionalização e ruma para os 60%. Foi duramente testado, “do Acre ao Rio Grande do Sul”, durante dois anos. Uma frota de 30 carros percorreu 2 milhões de quilômetros nas estradas brasileiras desde 2024. Portanto, não é uma aventura ou um improviso. É uma aposta firme no mercado brasileiro.
Caoa Changan terá híbridos ainda este ano
Para além disso, a Caoa Changan chega montada num investimento extra de R$ 5 bilhões que os irmãos Oliveira Andrade (Carlos Alberto Filho e Carlos Philippe Luchesii) estão fazendo na empresa. O Uni-T estreia sem nada de eletrificação. Mas ainda este ano a Caoa Changan vai lançar um carro com sistema híbrido full (HEV) e até um híbrido plug-in (PHEV).

Qual será? É possível que seja o próprio Uni-T e uma fonte fez essa aposta para o Guia do carro. Afinal, os híbridos da Changan utilizam motor 1.5 turbo e a lógica é apostar no carro que já foi lançado – até para justificar o posicionamento como marca premium. Mas parte da mídia especializada aposta nos modelos maiores Uni-Z e CS55 Plus de 214 cv (ambos plug-in de 214 cv).
De qualquer forma, dificilmente o Uni-T deixará de ter pelo menos o sistema HEV, que seria o ataque final contra o Toyota Corolla Cross. Portanto, estamos diante de um xeque-matena indústria. Que o digam as montadoras que não acompanharem a velocidade das mudanças no mercado automotivo brasileiro.
Descubra mais sobre Guia do Carro
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
