Na China, Leapmotor produz 65% de seus componentes
A Leapmotor, sob a liderança de Felipe Daemon na América do Sul, posiciona-se não apenas como uma montadora, mas como uma empresa de base tecnológica cujo grande diferencial reside na produção verticalizada de seus componentes.
Em visita à planta Leap Power, onde se concentra a produção de componentes, Daemon enfatizou que a estratégia de desenvolver e fabricar internamente 65% do valor total dos veículos confere à marca uma agilidade operacional e uma eficiência de custos superiores à média da indústria.
Segundo o executivo, “controlar a qualidade de um fornecedor é mais difícil do que controlar a própria qualidade”, e essa autonomia permite um processo de validação interna mais rápido e preventivo.
A filosofia in-house da Leapmotor abrange componentes essenciais como motores elétricos, compressores e sistemas de gerenciamento térmico. Outro destaque é o índice de automação de 60% na planta de Hangzhou, enquanto o desenvolvimento conjunto entre hardware e software permite atualizações over the air que mantêm a competitividade do produto ao longo do tempo.
Ele observa que, após décadas de foco em terceirização (outsourcing) no setor automotivo, a capacidade de investir e produzir internamente representa uma nova oportunidade de mercado.
“Quando você controla in-house, você consegue escalar mais fácil, que é uma maneira mais ágil do que depender de um fornecedor”, afirma Daemon, ressaltando que esse modelo facilita o rápido aumento de produção, como o salto planejado de 500 mil para 1 milhão de carros Leapmotor vendidos globalmente.
Brasil no centro da estratégia global
Ao comparar as magnitudes dos mercados da China e do Brasil, Daemon aponta as disparidades, mas também oportunidades. Embora a China tenha um mercado automotivo 14 vezes maior que o brasileiro, com quase 35 milhões de carros vendidos anualmente e uma penetração de eletrificados beirando os 50%, o Brasil é visto como uma peça fundamental na internacionalização da marca.
O executivo descreve o Brasil como um dos protagonistas nos volumes fora da China: “Somos uma das galinhas dos ovos de ouro. Com o tamanho do nosso mercado, o potencial que a eletrificação já demonstra no Brasil e vai continuar crescendo, vai ser bem protagonista”, defende.
A produção local em Pernambuco já está confirmada para começar em 2027, focada inicialmente nos modelos B10 e C10. A estratégia brasileira inclui a duplicação da rede de concessionários, partindo de 36 pontos de venda iniciais para dobrar essa capilaridade até o final deste ano. Daemon explica que a expansão nacional é sustentada por uma rede de serviços em rápido crescimento por todo o território nacional.
Pioneirismo em tecnologia Reev flex
Um dos maiores diferenciais da Leapmotor para o mercado brasileiro será a introdução da tecnologia Reev (Range Extended Electric Vehicle) flex. Esta solução combina a propulsão elétrica com os combustíveis renováveis locais, adaptando a inovação tecnológica chinesa às demandas específicas do consumidor brasileiro.
Daemon revela que esse desenvolvimento está sendo realizado a “quatro mãos” entre a Stellantis e a Leapmotor, com liderança técnica da região sul-americana. “Estamos adaptando a tecnologia Reev para a nossa tecnologia flex”, explica o executivo, citando Marcio Tonani, líder do projeto na região.
Além disso, Daemon sinaliza que a infraestrutura fabril em Pernambuco tem flexibilidade para expansão conforme a demanda e pode, futuramente, servir como base de exportação para outros mercados sul-americanos.
Expansão regional e portfólio de produtos
A ofensiva da marca na América do Sul estende-se além das fronteiras brasileiras. Após o lançamento no Chile e no Brasil, a Leapmotor planeja estrear na Argentina em agosto, seguida por Colômbia, Uruguai e Equador até o final do ano.
Um dos mais recentes lançamentos na China é o SUV de luxo D19, que já integra evoluções significativas em arquitetura e software que servirão de base para futuros lançamentos.

O Brasil tem à venda os modelos B10 (só elétrico) e C10 (Reev e elétrico), que serão nacionalizados em 2027, além do já anunciado C16, SUV grande de 6 lugares que virá importado.

Durante a visita à planta chinesa, Daemon apresentou outros modelos do portfólio, como o A10 (conhecido como B03X nos mercados internacionais), o B05 (hatchback esportivo), o B01 (sedã médio) e o C11 (SUV cupê). Qualquer um desses pode ser levado ao Brasil, desde que haja mercado.

O mais interessante desse portfólio é o SUV compacto A10, 100% elétrico, de 4,27 metros de comprimento, motor de 204 cv e tração traseira. Com bom acabamento e repleto de conteúdos, se vier com preço competitivo é um forte concorrente ao BYD Dolphin.
Para Daemon, a flexibilidade entre produzir localmente no Brasil ou importar da China, conforme a legislação e tributação de cada mercado, é o segredo para o sucesso da operação regional.
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