McLaren volta a vencer com Norris em GP da Hungria; Ferrari prejudica Hamilton

Lando Norris, McLaren-Mercedes, venceu o GP da Hungria 2026 (Divulgação Pirelli)

O GP da Hungria entregou um espetáculo intenso de táticas e decisões de box neste domingo, culminando em uma vitória brilhante de Lando Norris. O britânico levou a McLaren de volta ao topo do pódio, superando Max Verstappen e Kimi Antonelli, em uma prova onde a leitura correta das janelas de pneus ditou as regras do jogo.

A corrida mostrou que a McLaren-Mercedes pode crescer na segunda parte da temporada e mostrou um desempenho fraco da Mercedes pela primeira vez. Além disso, a Ferrari segue jogando contra ela mesma, expondo Lewis Hamilton a situações de penalização, errando na estratégia e favorecendo Charles Leclerc apesar de o britânico estar na luta pelo título.

A estratégia vencedora da McLaren

A vitória de Norris foi construída sobre uma estratégia agressiva e bem executada de três paradas, contrariando a tendência de dois pit stops adotada por grande parte do grid, incluindo as duplas da Mercedes e da Red Bull.

Norris largou com pneus médios e completou dois stints consistentes com compostos duros. O “pulo do gato” veio com o acionamento de um Virtual Safety Car (VSC), momento em que o britânico aproveitou para fazer uma parada adicional e calçar pneus macios para o trecho final. O calor húngaro foi um fator de desgaste intenso: a temperatura do asfalto superou a marca de 49°C, enquanto o ambiente atingiu picos de 34°C.

Estratégia de pneus no GP da Hungria 2026 (Divulgação Pirelli)

Verstappen, por outro lado, adotou uma estratégia diferente, mantendo-se na pista com o composto C5 (macio) e completando 29 voltas finais com a mesma borracha, garantindo o segundo lugar.

Ferrari prejudica Hamilton na estratégia

Se a McLaren foi cirúrgica, a Ferrari protagonizou os maiores tropeços táticos do fim de semana. A Scuderia foi a única entre as equipes de ponta a largar com os compostos macios. Ao chamar Lewis Hamilton para os boxes na primeira oportunidade, a equipe italiana forçou uma reação em cadeia de pit stops entre os rivais, mas acabou comprometendo a corrida de seu próprio piloto.

A prova de Hamilton tomou contornos dramáticos com a aplicação de duas punições. A primeira foi na classificação, tirando-o da primeira linha para jogá-lo na quinta posição de largada. A última delas foi especialmente frustrante e detalhista: o heptacampeão foi penalizado por ter excedido a velocidade no pit lane em microscópicos 0,1 km/h.

Lewis Hamilton disse que está fazendo uma coleção de penalizações este ano. Nas redes sociais, os fãs do heptacampeão e analistas da F1 disseram que o piloto é perseguido pela FIA, que não teria interesse em vê-lo ganhar um oitavo título na categoria.

Além dos reveses com a direção de prova, a Ferrari errou na gestão interna. Na reta final da corrida, a equipe falhou ao não pedir para Charles Leclerc reduzir o ritmo e segurar a posição, o que teria mantido Hamilton em P4. Sendo Lewis o piloto da equipe que efetivamente luta pelo campeonato de pilotos, a falta de ordens de equipe custou pontos valiosos na caça ao líder.

Como podemos observar nos resultados oficiais, Leclerc cruzou a linha de chegada em 4º lugar, apenas 0.7 segundo à frente de Hamilton, que teve de se contentar com a 5ª posição.

Impacto no Campeonato

A falta de pragmatismo da Ferrari custa caro na tabela de classificação. Kimi Antonelli, com o terceiro lugar no pódio, conseguiu ampliar sua vantagem na ponta. De acordo com a classificação atualizada, o cenário do mundial de pilotos está assim:

1º Kimi Antonelli: 219 pontos
2º Lewis Hamilton: 169 pontos
3º George Russell: 160 pontos
4º Charles Leclerc: 138 pontos

Entre as equipes, a Mercedes segue liderando com folga o mundial de construtores com 379 pontos, seguida pela Ferrari (307) e pela McLaren (220), que ganha um novo fôlego com o triunfo de Norris.

Análise de pneus

O leque estratégico foi amplo na Hungria. Enquanto a maioria ficou nas duas paradas, cinco pilotos acompanharam Norris nas três paradas e apenas dois (Gabriel Bortoleto e Arvid Lindblad) conseguiram fazer a ousada estratégia de parada única funcionar.

Quem rodou mais com cada tipo de pneu no GP da Hungria 2026 (Divulgação Pirelli)

Dario Marrafuschi, representante da Pirelli, destacou a complexidade da prova: “A abordagem [de duas paradas] ofereceu maior flexibilidade tática e uma capacidade de reação mais rápida em uma corrida tornada particularmente complexa pelo tráfego e pelo alto número de retardatários para gerenciar após cada pit stop.”

Fontes: Pirelli, Stats F1


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