Imbatível no Brasil, Fiat vende menos do que a Rolls-Royce nos EUA

Fiat 500e e 500X são os únicos modelos oferecidos no início de 2024 nos EUA

A Fiat é a marca de automóves mais poderosa do Brasil há três anos, sem contar as décadas anteriores, quando também liderou. Mas, nos EUA, que tradicionalmente é difícil para as marcas europeias, a Fiat teve um ano difícil em 2023.

No segundo maior mercado de carros do planeta, de 15,5 milhões de unidades, a Fiat conseguiu a proeza de vender apenas 605 carros no ano. Foi uma queda de 34%, comparada com as 915 vendas de 2022.

Por incrivel que pareça, a Fiat vendeu menos carros nos Estados Unidos do que a Rols-Royce, a Ferrari, a McLaren, a Aston Martin, a Lamborghini e a Porsche, para citar apenas algumas marcas que vendem cada automóvel pelo preço de dois rins. Mas, por que?

Certamente, além da citada dificuldade das marcas europeias nos EUA, falta à Fiat estadunidense a ousadia, a agilidade e a energia que a Fiat tem de sobra no Brasil, onde dá aulas de inovação, marketing criativo e posicionamento de marca e produto.

Para começo de conversa, a grande aposta da Fiat nos Estados Unidos é o 500e, o simpático Cinquecento elétrico, que teve apenas 16 vendas. O modelo mais vendido foi o Fiat 500X com 554 unidades, seguido do Fiat Spider com 28. O menos vendido foi o Fiat 500L com 7 unidades.

Para 2024, a Fiat aposta em apenas dois carros: o 500X, que custa US$ 30.245 (R$ 149.000) e no 500e (sem preço no site, pois a produção do carro na Itália está suspensa até março, devido a baixas vendas). A Fiat tenta emplacar como marca tradicional e emocional nos EUA, tentando mexer com o imaginário da enorme comunidade italiana dos EUA.

Mas, no país das picapes, o fabuloso Fiat Toro, produzido no Brasil, não é sequer cogitado. Desde que nasceu, na fábrica da então FCA em Goiana, PE, a picape Fiat Toro foi considerada "pequena".

Nem.passou pela cabeça dos dirigentes da época a conhecidíssima campanha "Think Small" (Pense Pequeno), quando a Volkswagem emplacou o minúsculo Beetle (Fusca) num mercado de carrões enormes nos anos 1960.

Fiat 500e e Fiat Cinquecento clássico: apelo emocional para os "oriundi" da Itália
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Curiosamente, a Ford decidiu copiar a ideia da Fiat e fez a picape Maverick, só um pouco maior do que a Toro. Vende tudo que produz. Na mesma onda, a Hyundai lançou a picape Santa Cruz e também faz sucesso.

Para o futuro próximo, a Fiat pode tentar se impor como marca de carros elétricos na Califórnia e em Nova York, explorando o charme não só o 500e, mas também os novos Fiat 600e e Fiat Topolino.

É possível (ou provável?) que a Fiat não queira melindrar seus sócios da Ram (oriunda da Dodge). Uma pena. A Fiat não merece vender menos do que a Rolls-Royce e a Ferrari em nenhum lugar do mundo. Veja abaixo o ranking das 19 marcas europeias nos Estados Unidos em 2023, liderado pela BMW.

1º BMW – 362.244

2º Mercedes – 351.746

3º Volkswagen – 329.029

4º Audi – 228.550

5º Volvo – 128.701

6º Porsche – 75.415

7º Land Rover – 72.921

8º Mini – 33.497

9º Alfa Romeo – 10.898

10º Jaguar – 8.836

11º Polestar – 7.181

12º Maserati – 6.532

13º Bentley – 3.207

14º Ferrari – 2.993

15º Lamborghini – 2.803

16º Rolls-Royce – 1.433

17º Aston Martin – 1.364

18º McLaren – 761

19º Fiat – 605 

Fontes: Car Sales Base e @CarIndustryAnalysis

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