Honda e Chevrolet vão sair do Brasil? Entenda esses boatos

Honda e Chevrolet: boatos de que vão virar apenas importadoras são infundados

Nos últimos dias voltou a circular no país duas fakes news (notícias falsas, não-notícias): Honda e Chevrolet vão sair do Brasil.

Segundo os boatos, a Honda e a GM (dona da Chevrolet) querem seguir o caminho da Ford, que em janeiro de 2021 deixou de ser fabricante de carros acessíveis e passou a ser importadora de automóveis caros.

O caso da Honda

Os motivos seriam diferentes. No caso da Honda, o fim da produção local dos modelos Civic e Fit – dois carros muito admirados pelos brasileiros – seria o sinal de que a montadora japonesa estaria de malas prontas. Junte a isso o fato de que uma das fábricas da Honda foi desativada recentemente.

Mas é mentira. O Honda Civic e o Honda Fit deixaram de ser fabricados por motivos estratégicos, porém foram substituídos no plano de fabricação da Honda. No lugar do Fit surgiu o inédito Honda City Hatchback. No lugar do Civic veio uma nova geração do City Sedan.

O City Hatchback é alongado e traz itens que fizeram sucesso no Honda Fit. E o novo City é a prova de que a Honda quer atuar no segmento de sedãs mais vendido no Brasil. Como o Novo Civic ficou muito tecnológico e, com isso, seu custo subiu, seu preço seria inacessível para a maioria dos consumidores de automóveis sedãs.

Portanto, a Honda optou por manter em produção um sedã compacto superior, que é quase um mini Civic, e trazer o Novo Civic com todas as tecnologias disponíveis no mercado global, inclusive com o sistema híbrido e:HEV, que é mais avançado do que o do Toyota Corolla Hybrid.

Nova geração do Honda HR-V vem superequipada
Nova geração do Honda HR-V vem superequipada

No caso do Fit, esse carro surgiu num momento em que os monovolumes estavam em alta e cumpriu seu papel no país. Entre investir no novo Fit e criar uma opção de hatchback que não havia em sua linha, a Honda optou pela segunda opção.

E além do mais passou a produzir no Brasil a nova geração do Honda HR-V, que está em linha com o que a marca japonesa oferece nos principais mercados do mundo.

O caso da Chevrolet

Alguns anos atrás, quando a economia brasileira enfrentava uma forte crise, o presidente da GM na época, Carlos Zarlenga, ameaçou sair do Brasil. Era uma pressão por melhores condições.

A própria GM se recuperou e a marca Chevrolet foi líder durante cinco anos (2016-2020) seguidos. Sem contar que o Chevrolet Onix foi hexacampeão nacional de vendas (2015-2020).

Com a necessidade de fabricar carros elétricos para ajudar a conter o aquecimento global, a GM marcou uma posição firme a favor dos veículos a bateria. A partir de 2035, por ordem de Detroit, a Chevrolet e todas as outras marcas da General Motors (Buick, Oldsmobile, Cadillac etc.) serão 100% elétricas.

Com isso, muitos jornalistas passaram a questionar a capacidade da GM de fabricar somente carros elétricos no Brasil a partir de 2035. Isso porque, atualmente, o mercado ainda é muito restrito e os preços dos carros são muito altos.

A própria linha de carros elétricos da Chevrolet é muito elitizada, o que reforça a teoria de que “a GM não terá outra saída a não ser seguir a Ford e se tornar uma importadora”. É possível que isso aconteça no futuro? Sim, mas não só com a GM. A rigor, qualquer marca que não consiga se adaptar aos novos tempos poderá deixar de ser fabricante.

Mas isso não tem nada de concreto. Na verdade, as condições para que a GM passe a produzir somente carros elétricos da Chevrolet estão cada vez mais favoráveis.

Para dar uma ideia, a Volkswagen e a Stellantis já anunciaram que vão fabricar carros elétricos no Brasil ainda nesta década. E o compromisso da Chevrolet é para 2035. 

Outro fator desconsiderado nesses boatos é que a GM é sócia da montadora SAIC na China, que já está fabricando seus primeiros veículos elétricos.

Portanto, assim como as linhas Onix, Onix Plus, Tracker e Montana têm origem na China, os futuros carros elétricos da Chevrolet provavelmente também terão origem no país asiático, com menores custos de produção.

Chevrolet Montana: dirigimos a nova picape da GM
Chevrolet Montana: dirigimos a nova picape da GM

Outro fator ignorado pelas fontes das fake news é o fato de a GM ser muito forte em outros países da América do Sul, como Colômbia, Chile, Argentina e Peru. Esses países já decidiram que vão ter carros elétricos. E é a partir do Brasil que a GM pretende abastecê-los com modelos elétricos da Chevrolet.

Fake news com outras intenções

Se não bastasse a apressada conclusão de muita gente sobre os destinos da Honda e da GM, há ainda a guerra de narrativa política. Num dos vídeos que circula na internet,a “saída” da GM do Brasil é atribuída ao novo governo.

Mas a realidade é diferente: o governo atual parece estar alinhado às necessidades das montadoras locais, por isso deve criar impostos para reduzir o ritmo da entrada dos carros elétricos no país, mas também está aberto à chegada de novos fabricantes, como a BYD, que em dois ou três anos estará fabricando o Dolphin elétrico e o Song híbrido plug-in em Camaçari, na Bahia.

Tudo isso apenas favorece a estratégia da GM por uma Chevrolet 100% elétrica. Com a chegada da BYD, novos fornecedores se instalarão no Nordeste e isso facilitará a produção de carros elétricos da Stellantis (Jeep) em sua fábrica de Goiana, Pernambuco.

Aos poucos, as condições favoráveis para produção de carros elétricos estarão formadas.

 

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