GUIA F1 2022 – A Alpine e o futuro que demora a chegar

Alonso com o A522 em Barcelona

Nome oficial: BWT Alpine F1 Team 
Carro: A522 
Motor: Renault E-Tech RE22 
Pilotos: #14 Fernando Alonso e #31 Esteban Ocon    
Posição em 2021: 5º de 10
 

A equipe
A história da Renault na Fórmula 1 se iniciou em 1977, quando entrou na categoria como equipe própria e trazendo uma revolução: o motor turbo. A equipe durou somente até 1985, mas o fornecimento de motores nunca parou (exceto por um breve período entre 1987 e 1989). Os motores V10 foram um sucesso nos anos 1990, e motivaram a compra da Benneton em 2000. Com isso, a Renault voltou a ser equipe, chegando a conquistar os títulos de 2005 e 2006 com Fernando Alonso. 

Os anos se passaram e o ciclo se repetiu. A equipe própria deixou de existir 2010, os motores seguiram fazendo sucesso em equipes clientes, e a Renault voltou à F1. A terceira era como equipe se iniciou em 2016. O começo foi duro, mas houve a evolução: 9º em 2016, 6º em 2017 e 4º em 2018. E parou por aí. Nos dois anos seguintes, o time se estabilizou como 5º entre os construtores. 

Em 2021, as principais novidade foram a troca de nome e a volta de um velho conhecido. Saiu de cena a Renault e entrou a Alpine. Na prática, apenas uma questão de marketing, já que o Grupo Renault havia ressuscitado a marca Alpine para ser sua nova divisão esportiva. E Fernando Alonso retornou à F1 para correr pela equipe lhe fez bicampeão mundial. 

Mas nem com nome novo e com um piloto mais que capacitado a Renault/Alpine escapou da sina de ser 5º no mundial de construtores, incapaz de brigar por pódios e vitórias – salvo em corridas caóticas ou atípicas. Para uma empresa do tamanho da Renault, é pouco. E, sabendo disso, a equipe promoveu uma série de mudanças em sua estrutura na esperança de se colocar novamente na rota das vitórias e títulos dentro de alguns anos. Não estranhe se você tiver uma sensação de déjà vu: a Aston Martin veio com o mesmo discurso (guia sobre a equipe aqui). 

A mudança mais notória é no comando da equipe. Depois da saída do questionado Cyril Abiteboul em 2020, o time ficou sem a figura de um chefe de equipe, tendo a função repartida de forma não muito clara entre o CEO Laurent Rossi, o Diretor Executivo Marcin Budkowski e o Diretor de Corrida Davide Brivio. Havia ainda o tetracampeão Alain Prost na posição de Consultor. A mistura não deu certo em 2021. 

Budkowski e Prost saíram, Brivio foi realocado, Rossi voltou para o escritório e contratou um novo chefe de equipe: o experiente Otmar Szafnauer, vindo da Aston Martin. Houve ainda mudanças na parte técnica. Com Otmar à frente, a Alpine espera reencontrar o caminho da evolução que se perdeu em algum momento dos anos recentes e postular posições melhores no futuro. Não é para já, mas o caminho já começa ser trilhado. (Você pode ler mais sobre essa reestruturação aqui)

Por fim, a Alpine traz um novo patrocinador para a temporada de 2022. Trata-se da BWT, que já havia jogado tinta rosa nos carros da Racing Point de rosa e fará o mesmo nos azuis da Alpine. Quando à dupla de pilotos, sem novidades em relação ao ano passado. E vamos a eles.

Fernando Alonso e Esteban Ocon formam a dupla da Alpine pelo segundo ano seguido
Fernando Alonso e Esteban Ocon formam a dupla da Alpine pelo segundo ano seguido

A dupla de pilotos
#14 Fernando Alonso:
O espanhol de 40 anos chegou à Alpine em 2021, após dois anos longe da F1. De forma até surpreendente, ele demorou muito pouco para se readaptar e entregar bons resultados – claro, dentro das possibilidades do carro. Sua boa temporada foi coroada com um pódio no GP do Catar. 

Alonso é o piloto mais velho da F1 e ruma para ser o detentor de recordes de corridas. Ele é tido como um dos pilotos mais talentosos a passar pela F1 nas últimas décadas, mas sua carreira é marcada por escolhas que o colocaram em carros pouco competitivos. A volta à Alpine, que é a equipe que o fez bicampeão quando ainda se chamava Renault, é uma última esperança de poder brigar por vitórias. Ainda não foi possível, e, a julgar pelo plano de médio prazo da equipe, é bem provável que os resultados sejam colhidos já com Alonso fora. 

Mas, mesmo sem poder brigar pelo prêmio máximo, uma coisa é certa: Alonso sempre vai entregar algo muito próximo a 100% do que o carro permitir. E isso tem sido um ativo importantíssimo para a equipe na embolada briga do meio de pelotão. Fez a diferença na luta contra a AlphaTauri no ano passado, e pode fazer mais uma vez. 

#31 Esteban Ocon: o francês é a aposta da Alpine para o futuro, mas que já mostra seu valor no presente. Os resultados em 2021 foram bastante interessantes, com destaque para a improvável vitória no GP da Hungria, em que soube aproveitar a oportunidade que teve. 

Depois de sair da Racing Point e ficar um ano de fora da F1, Ocon acertou com a Renault e ficou a bordo quando o time mudou de nome para Alpine. O piloto teve companheiros bastante “cascudos” ao longo de sua carreira, como Sergio Perez, Daniel Ricciardo e, agora, Fernando Alonso. Em alguns momentos, chegou a ser ofuscado pelos dois primeiros, mas se mostra mais maduro e vem entregando bons resultados ao lado de Alonso. 

Assim como o colega, Ocon vem fazendo todo o possível dentro das condições da Alpine. Ele próprio é parte importante do processo de reconstrução da equipe, já que deve caber a ele a responsabilidade de liderar a equipe quando Alonso se retirar. Ocon não tem o mesmo brilho do espanhol, mas tem trabalhado bastante para entregar o que dele se espera. E vai conseguindo se firmar como um dos bons nomes da geração atual. 

Esteban Ocon teste o A522 em Barcelona
Esteban Ocon teste o A522 em Barcelona

O carro de 2022
Em relação ao carro do ano passado, o A522 traz como mudança mais óbvia a pintura. Agora, o belo azul francês divide espaço com o rosa da BWT. Uma combinação de cores não muito comum, mas que se fez necessária por força de patrocínio, e até que o resultado não ficou ruim… E, falando em força de patrocínio, a equipe correrá as duas primeiras provas do ano com uma pintura especial, toda rosa, destacando o novo parceiro.

O grande trunfo da Alpine para 2022 pode ser também a grande dor de cabeça: o novo motor. A equipe está introduzindo uma versão, inteiramente renovada, do motor Renault, que será usado de agora até 2025, período em o desenvolvimento dessa parte do carro ficará congelado. Como a Alpine é a única equipe do grid a utilizar esses motores, já que a Renault não tem equipes clientes, toda a coleta de dados e entendimento do conjunto ficará por conta da equipe. Da mesma forma, a vantagem (ou desvantagem) que esse motor trouxer será inteiramente da Alpine

Durante o lançamento do A522, Laurent Rossi afirmou que a equipe privilegiará performance em detrimento da durabilidade. O compromisso entre as duas valências é uma norma no automobilismo, mas chama a atenção que se opte por esse caminho para o desenvolvimento. Em teoria, isso pode proporcionar bons momentos esporádicos para o time, mas muitas quebras. Algo como a própria Renault em sua primeira passagem na F1. 

A pré-temporada
A Alpine foi bastante discreta nos testes, tanto em Barcelona quanto no Barein. O motor precisou de ajustes e atrasou o trabalho em vários momentos, mas a quilometragem da equipe foi aumentando gradativamente, o que dá a entender que os problemas estão sendo solucionados. Mesmo assim, ser a 8ª em números de voltas em Barcelona e 7ª no Barein indica que ainda há trabalho a se fazer em termos de confiabilidade. 

Quanto à performance, qualquer previsão ainda é precoce, mas o carro apareceu quase sempre na parte central das tabelas, nem entre os primeiros, nem entre os últimos. A Alpine alegou que descobriu a forma de anular o porpoising, aquele problema que incomodou quase todos os times. Se isso foi verdade, pode ser uma boa carta na manga, especialmente no começo de temporada, até que os concorrentes também contornem a situação. 

Alonso e o carro a pintura toda rosa, que será adotada no início da temporada
Alonso e o carro a pintura toda rosa, que será adotada no início da temporada

Expectativas para 2022
Desde quando voltou à F1 em 2016, a Renault alega que em poucos anos estará brigando por vitórias. O tempo passa, até o nome da equipe muda, e esse futuro não chega. A direção tomou atitudes para que as metas, sempre prorrogadas, possam ser alcançadas: chefe de equipe novo, corpo técnico reestruturado, motor novo. 

A Alpine quer subir passo a passo rumo às cabeças. Tudo está sendo feito de modo que a evolução seja lenta, mas sustentável. O CEO Laurent Rossi não tem pressa: traçou o 5º lugar entre os construtores como meta para 2022, a mesma alcançada nos últimos três anos, aliás.

A dupla de pilotos, que mescla (muita) experiência e juventude, já mostrou que entrega. Resta ser revelado o mistério sobre o desempenho do carro. Se for pelo menos equivalente às demais equipes de meio de tabela, a meta é plenamente alcançável e até superável. Se for lento ou quebrar demais, não há mágica. Nesse caso, será um ano de penúria…


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