Carro elétrico usado: o “pulo do gato” ou uma armadilha financeira?
A bateria está longe de ser o item que merece a maior atenção na compra de um EV usado
Com a chegada de novos modelos elétricos ao mercado brasileiro, o estoque de seminovos começou a girar. A pergunta que recebemos diariamente no Guia do Carro é: vale a pena comprar um elétrico com 3 ou 4 anos de uso?
O mito da bateria “viciada”
O maior medo do comprador de um carro elétrico usado é a bateria. Existe o mito de que ela funciona como a de um celular antigo, que perde a carga rápido. Na prática, a degradação das baterias automotivas modernas é muito menor do que se imaginava. No entanto, o “pulo do gato” aqui não é a quilometragem, mas o SOH (State of Health), ou a saúde da bateria.
Antes de fechar negócio, é obrigatório exigir um relatório de saúde da bateria. Um carro com 80.000 km que foi carregado sempre em tomadas lentas (AC) pode estar em melhor estado do que um de 20.000 km que viveu dependendo de carregadores ultrarrápidos (DC).
Manutenção: onde você realmente economiza?
Enquanto um SUV a combustão (para citar um carro da moda) exige trocas de óleo, filtros, correias e velas, o elétrico usado foca em apenas três itens:
- Pneus: o torque instantâneo e o peso maior das baterias fazem os pneus sofrerem; verifique se o dono anterior não está te entregando o carro com pneus “no osso”.
- Suspensão: buchas e amortecedores são mais exigidos pelo peso extra (e os primeiros carros chineses não tinham suspensão muito firme).
- Fluido de arrefecimento da bateria: sim, eles têm um sistema de resfriamento que precisa de inspeção.
A hora da verdade
O elétrico usado é o melhor negócio para quem roda mais de 50 km por dia e tem onde carregar em casa (aproveitando a lei que citamos na matéria anterior). Se você roda pouco e só carrega na rua, o custo da conveniência pode anular a economia de combustível.
Para além disso, muito recentemente o relatório da Indicata (Market Watch Brasil) destruiu a teoria de que carro elétrico é um “mico” na hora da revenda. Dois carros elégtricos da BYD, o Dolphin e o Dolphin Mini, deram um verdadeiro banho de liquidez em dois veteranos dos motores a combustão: Volkswagen Polo e Chevrolet Onix.
O Dolphin Mini leva, em média, apenas 25 dias para ser revendido, e enquanto o Polo e o Onix ficam entre 40 e 55 dias nas garagens antes de encontrarem um novo dono. O recorde foi o Dolphin, que encontra um novo dono em apenas 19 dias, na média.
Veredicto Guia do Carro: o usado elétrico é uma excelente compra, desde que você pare de olhar apenas para o painel e comece a olhar para o laudo técnico da bateria.
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