Anfavea reclama (de novo) dos impostos e pede IVA de 20%
O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, disse nesta terça-feira (8) que o IPI reduzido pelo governo federal “está no caminho certo”, mas que tem pouco impacto nos custos dos automóveis de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus. A Anfavea pediu a adoção de um imposto único, o IVA (Imposto Sobre Valor Agregado), e usou como exemplo uma taxa de 20%.
Segundo a Anfavea, o IVA deveria ser adotado no contexto de uma reforma tributária. O atual sistema tributário impacta entre 37% e 44% no valor dos veículos e é formado por quatro taxas: IPI, PIS, Cofins e ICMS. Segundo Moraes, esse sistema foi criado na década de 1960, está defasado, é complexo de administrar e tem alto custo em pessoal especializado, pois gera resíduos e créditos tributários.
Segundo o presidente da Anfavea, o IPI reduzido teve um efeito pequeno nos custos tributários, que passou a ser de 35% a 42% com os novos valores. Mais uma vez, Luiz Carlos Moraes demonstrou estar em sintonia com o governo federal, fez elogios ao ministro Paulo Guedes, da Economia, e criticou o governo de São Paulo. “Além de não reduzir, ainda aumentou o ICMS estadual”, afirmou. "A questão do IPI foi um grande passo."
Vendas em fevereiro e no ano
Em relação a janeiro, as vendas de fevereiro registraram um crescimento de 2,2%. Entretanto, só o segmento de automóveis de passeio cresceu (+5,8%). Houve queda nos licenciamentos de comerciais leves (-6,9%), de caminhões (-8,8%) e de ônibus (-15,9%). No acumulado do primeiro bimestre de 2022, a queda em relação a 2021 é de -24,4%.
| SETOR | FEV | ANO |
| Carros de passeio | 97.606 | 189.844 |
| Comerciais leves | 22.852 | 47.388 |
| Caminhões | 7.943 | 16.648 |
| Ônibus | 874 | 1.913 |
| Total | 129.275 | 255.793 |
A venda de carros elétricos segue em lento crescimento. Em fevereiro foram emplacados 5.992 veículos leves eletrificados, sendo 5.223 híbridos e 769 carros totalmente elétricos. O percentual deste ano em relação ao mercado total é de 2,5%, contra 1,8% no ano passado inteiro (34.990 unidades).
Guerra Rússia Ucrânia
A Anfavea demonstrou preocupação com os efeitos econômicos da Guerra Rússia Ucrânia. Além de lamentar a tragédia humanitária e social, Luiz Carlos Moraes destacou os riscos de perda para vários setores que consomem veículos, como o agronegócio, e disse que as medidas econômicas contra a Rússia também são um risco. “Se errarem a dose, a gente pode ter um desastre”, comentou. “Tem também a questão da logística, pois nosso setor importa e exporta bastante, e a inflação como risco.”
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