Andretti na F1 em 2024? Querer é uma coisa, conseguir é outra

Michael Andretti terá seu time na F1? Diz seu pai que sim

O campeão Mario Andretti conseguiu “quebrar a rede” na última sexta (18) com um post em seu perfil no Twitter falando que Michael Andretti tinha entrado com toda a papelada necessária na FIA para entrar com a candidatura de ingresso da Andretti Autosport na F1 a partir da temporada de 2024. 

Neste mesmo dia, Mario deu uma entrevista ao IndyStar sobre este assunto, dizendo que boa parte dos itens de consulta já tinham sido considerados e o processo seguiria. Neste mesmo espaço, disse que o parceiro de motor já estava escolhido e que uma sede operacional na Inglaterra seria montada, com os carros sendo fabricados na base do time em Indianápolis.

Uma notícia extremamente animadora. Afinal de contas, o sobrenome Andretti tem um peso enorme no automobilismo e seria um time com um espírito norte-americano mais forte do que a Haas, que desde a sua chegada à F1 não assumiu esta personalidade, chegando até ao ponto de usar as cores russas em seu carro por conta do seu patrocinador principal, a Uralkali.

Mas a FIA tratou de colocar água na fervura, dizendo através de um porta-voz que a entidade “no momento não estava em posição de considerar ou comentar qualquer expressão de interesse ou solicitações recebidas de potenciais novos times em respeito ao Campeonato Mundial de F1 da FIA”.

Mesmo antes deste anúncio da FIA, a intenção da Andretti levantou mais uma vez dúvidas. Não podemos esquecer a negociação que houve com a Sauber para a compra do time no ano passado e, segundo o próprio Michael, foi desfeito na última hora. Muita gente pergunta de onde viria o apoio econômico para este tipo de negócio.

A Andretti não é uma estrutura pequena: ela atua na Indy, Indy Lights, Fórmula E, SuperCars (Austrália, junto com a Walkinshaw), ExtremeE e a IMSA Weathertech. Não só isso, já teve contato com grandes marcas da indústria automobilística como Honda, BMW e VW. Não é de hoje que mostra o interesse em colocar o time em um patamar entre os principais do automobilismo internacional. Ir para a F1 seria um caminho natural para este tipo de projeto.

Financeiramente, o time seria apoiado pelo Group 1001, que atualmente apoia o time na Fórmula Indy, além de uma captação feita na Bolsa de Valores de Nova Iorque, onde uma das empresas do grupo foi autorizada a captar até US$ 250 milhões. Quando das conversas da compra da Sauber, se falou também no grupo financeiro Gainsbridge, que é o principal patrocinador de Colton Herta.

Eis a postagem de Mario Andretti que sacudiu o Twitter na sexta
Eis a postagem de Mario Andretti que sacudiu o Twitter na sexta

Até aí, tudo bem. Mas isso seria necessário para esta aventura na F1? Não podemos esquecer que, caso decidisse entrar, o investimento para estruturar o time seria enorme (compra de equipamentos de fabricação, computadores, pessoal). Sem contar a famigerada taxa de US$ 200 milhões de entrada a ser paga para a F1, instituída no último acordo comercial da categoria. Embora o CEO da F1, Stefano Domenicali, diga que este valor seja “negociável”, a ver se as demais equipes aceitariam este tipo de situação, já que esta quantia seria uma espécie de “compensação” pela perda de receita pela entrada de um novo time.

Depois do que aconteceu em 2010 com a entrada das chamadas “nanicas”, a FIA aumentou muito as exigências para que novos times chegassem na F1. A última novata foi a Haas em 2016 e muitas seguranças foram exigidas. Estima-se que Gene Haas gastou cerca de US$ 500 milhões para estruturar e bancar o time em 2 anos. Mesmo hoje com o teto orçamentário, o valor talvez não seria tão distante deste montante.

Algum tempo atrás, Ross Brawn até consideraria que novos times entrassem na categoria, mas via como algo para “a partir de 2024”, quando o novo regulamento estaria mais bem implantado. Mas uma outra questão que se levanta: daria tempo para que a equipe entrasse em 2024?

Caso o processo caminhe, para a Andretti estar pronta para entrar na pista em 2024, o projeto já deveria estar em curso. Tal situação se motiva especialmente pela montagem da estrutura. Para se ter ideia, a Aston Martin está construindo uma nova sede e está levando cerca de dois anos para concluir tudo. Estaria a Andretti pensando em seguir o mesmo modelo da Haas? Mesmo assim, os americanos levaram quase dois anos.

Diante disso, outra pergunta: quem seria o parceiro técnico? Na entrevista ao IndyStar, Mario Andretti fala que o parceiro já estaria escolhido. Inicialmente, se pensou na Honda por conta do relacionamento na Indy. Mas com a posição dos japoneses, esta possibilidade se reduz. Ferrari? Há uma relação muito emocional entre as partes  (Mario correu anos pelo time na F1 e nos Protótipos), mas ter mais um time sob sua batuta seria algo complicado. 

Um nome que surge no horizonte é a Alpine. Hoje, os franceses são os únicos fornecedores de motor que não tem nenhum cliente. Se fala que havia conversas de acordos com a Panthera Team e a Monaco Racing (Campos), outras potenciais entrantes, mas nada de concreto. O CEO da equipe, Laurent Rossi, gastou bastante tempo na sede da Andretti quando do GP dos EUA no ano passado. Seria uma ótima para os dois lados…

Ainda há de se considerar o aspecto psicológico…Michael Andretti pode ter a questão de “negócios inacabados” com a F1 por conta de tudo que aconteceu em 1993, quando foi “convidado a se retirar” da McLaren após uma passagem de pouco brilho. Voltar como dono de equipe seria uma ótima forma de uma redenção.

É preciso aguardar com calma o que virá. Existe muito interesse envolvido neste cenário e as conversas correm nos bastidores. Uma coisa que os fãs de F1 concordam: a categoria precisa de novas equipes para acomodar uma parte dos pilotos que chegam da “base”, bem como desenvolver novos técnicos e todo o pessoal envolvido. É uma questão de uma boa vontade de todas as partes. 


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