Alonso e Ocon sugerem mudanças nos fins de semana sprint
Interlagos receberá nesse sábado (13) a última das três edições de corridas sprint programadas para 2021. Conforme abordamos em artigo recente, o formato tem dividido opiniões entre os pilotos. Em entrevista coletiva concedida a jornalistas brasileiros, a dupla de pilotos da Alpine foi questionada pelo Parabólica sobre o que mudaria nos fins de semana realizados nesse modelo, se tivesse tal poder.
Fernando Alonso se mostrou crítico ao modelo. Para ele, a sprint acaba por causar justamente o contrário do que pretendia: com mais tempo de ação na pista, é mais fácil de pilotos que tenham problemas no começo do fim de semana se recuperarem, o que tende a deixar os carros em uma ordem mais esperada, sem tantas surpresas nos resultados finais.
“Eu mudaria a ordem de como se começa no sábado porque, no momento, nós temos uma classificação normal na sexta, então a ordem natural dos carros é posta já nessa classificação de sexta. Nós começamos a sprint na ordem natural de quão competitivos nós somos, não há muitas mudanças. E no domingo há outra repetição disso”, afirmou o espanhol.
Para o bicampeão, a raiz do problema é a manutenção da classificação no modelo tradicional. Com tanto tempo de pista, os melhores carros podem se recuperar possíveis erros: “Com a classificação em Q1, Q2 e Q3, são seis oportunidades e seis jogos de pneus. Você acaba terminando na posição que você mereceria, porque sempre tem uma segunda chance. Se você erra, põe outro pneu e vai de novo. São chances demais.”
Do alto de sua experiência, Alonso tem uma ideia de como a qualificação para a corrida sprint poderia ser aperfeiçoada, gerando mais ação ao fim de semana: “Talvez com só um jogo de pneus, como tivemos no passado, como uma superpole. Então, se você comete um erro, você paga o preço e ainda tem todo o sábado para se recuperar graças à corrida sprint.”
Esteban Ocon destacou a principal dificuldade para os pilotos, que é o fato de só haver um treino livre antes da classificação: “Acho que trouxe mais tempero para o fim de semana em termos de quão difícil é. É um fim de semana bem complicado, porque você só tem uma chance de deixar tudo certo com o carro, se acostumar com tudo, e já vamos direto para a classificação.”
Se pudesse sugerir alguma mudança, Ocon alteraria o segundo treino livre. A sessão, que é realizada entre a qualificação e a sprint, é feita em regime de parque fechado, o que acaba impedindo que as equipes mexam nos carros: “A única coisa que eu mudaria seria o FP2, porque ele não faz muito sentido. Para as pessoas, deve ser bem confuso como as coisas acontecem nessa sessão. Talvez isso fosse o que eu mudaria.”
Para o francês, o formato é interessante para o público, pois aumenta a ação na pista: “Acho que trouxe mais espectadores, no geral, porque estamos correndo o dobro, então nesse aspecto é interessante”, disse o Ocon. No entanto, ele prefere que o modelo seja restrito a poucas etapas: “Estou tranquilo com os dois formatos, para ser sincero. Deixo que a FIA decida. Só acho que devemos manter esse [sprint] para poucos fins de semana, para que sejam especiais.”
A Fórmula 1 já confirmou que realizará a corrida curta seis vezes em 2022, mas ainda não determinou em quais Grandes Prêmios. Também não foi divulgado se o formato será exatamente o mesmo do usado em 2021 ou se as críticas feitas pelos pilotos serão ouvidas e os fins de semana sprint passarão por algum ajuste.
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