VW Taos lembra a perua Quantum? Veja por que o SUV é melhor

Volkswagen Taos 1.4 TSI

Fãs de peruas, saudosistas, olham para o Volkswagen Taos e sonham com a perua Quantum, também da Volks. Afinal, os SUVs enterraram de vez a possibilidade de retorno das peruas ao mercado. Cerca de 20 anos se passaram entre o último VW Quantum (uma perua de porte médio) e o moderno Taos, primeiro SUV médio fabricado pela Volkswagen na América do Sul.

Apesar de o Taos ser um SUV e a Quantum ser uma Station Wagon (perua), a lembrança de consumidores mais velhos faz algum sentido. Afinal, ao contrário do Jeep Compass, o Taos é um SUV com baixa altura do solo e proposta mais estradeira do que um autêntico utilitário. Nem sequer tração 4×4 o Taos oferece. Mas, apesar do saudosismo e de algumas semelhanças, o Taos dá um verdadeiro banho naquele que era o Volkswagen mais imponente dos anos 90.

A Quantum era maior apenas no comprimento. Tinha 4,637 m contra 4,461 m do Taos. A vantagem de 17,6 cm, entretanto, era apenas porque o balanço traseiro era muito grande (característica das peruas) e o motor 2.0 ficava na posição longitudinal, exigindo um capô mais alongado. A vantagem no comprimento não representava maior conforto interno, pois o entre-eixos do Taos é maior: 2,680 m contra 2.550 da Quantum. Até no porta-malas o SUV ganha: a Quantum carregava 470 litros, o Taos carrega 498. 

Volkswagen Taos 1.4 TSI
Volkswagen Taos 1.4 TSI

Além disso, o Taos é mais largo (1,841 m contra 1,700 m) e mais alto (1,626 m contra 1,449 m). Claro que a Quantum tinha o vão livre bem mais baixo, de apenas 13 cm, contra 18,5 cm do Taos. Portanto, se o Taos é considerado um SUV com vão livre limitado, ele ainda é bem mais elevado do que era a antiga perua da Volkswagen.

Outra enorme diferença está na posição de dirigir. Na Quantum, o motorista dirigia “afundado” no cockpit, com o volante de direção na altura do peito. No Taos, a posição de dirigir é elevada – mas o carro oferece ajustes elétricos para quem deseja ter um pouco da sensação de dirigir uma perua.

Volkswagen Quantum 2.0i
Volkswagen Quantum 2.0i

Na verdade, comparando esses dois Volkswagen com 20 anos de diferença, percebe-se o avanço da eletrônica e como a montadora mexeu em alguns parâmetros para manter a estabilidade num carro que é bem mais elevado, inclusive com o centro de gravidade bem mais alto. A Quantum tinha tração dianteira, suspensão McPherson na frente, pneus 185/65 e rodas aro 14 com suspensão traseira por eixo de torção. O Taos manteve a tração dianteira e a suspensão McPherson, mas na traseira a suspensão é independente, multilink, e os pneus são mais largos e maiores, medidas 215/55 em rodas aro 18.

A Quantum era uma perua boa de dirigir, com boas respostas do motor AP-2000, que era aspirado, tinha comando único e entregava 114 cv de potência. O motor do Taos, instalado na posição transversal para economizar espaço, é o EA211 turbo flex, com duplo comando no cabeçote e variação na admissão e no escape. Ele tem 150 cv de potência. O avanço na eficiência do motor é gritante. A Quantum 2.0 tinha câmbio manual de 5 marchas e o Taos 1.4 turbo tem câmbio automático de 6 marchas, mas com opção de trocas manuais na alavanca e no volante, além de modo Sport.

Sem contar que o torque do celebrado motor AP-2000 era de 172 Nm a 3.000 rpm, enquanto o do atual motor EA211 é de 250 Nm a 1.500 rpm. Por causa disso, embora a memória saudosista talvez diga o contrário, o Taos é muito mais ágil na tocada, apesar de a relação peso/potência ser apenas um pouco menor: 9,5 kg/cv contra 10,0 kg/cv.

Volkswagen Taos 1.4 TSI
Volkswagen Taos 1.4 TSI

A evolução do carro familiar da Volkswagen no consumo também é enorme. Para se ter uma ideia, a Quantum tinha um tanque de 72 litros, enquanto o tanque do Taos tem apenas 51. Afinal, a perua que saiu de linha em 2003 fazia 6,9 km/l na cidade e 12,9 km/l na cidade. O SUV Taos faz 10,2 km/l de gasolina na cidade e 12,2 km/l na estrada. Porém, as medições de consumo se tornaram mais rigorosas e todos os carros são medidos por um instituto independente, o Inmetro, com um redutor que considera o trânsito e outros itens.

Como se vê, apesar de o Volkswagen Taos lembrar uma perua do passado, ele é muito superior tecnicamente à antiga perua Quantum, que era a versão Station Wagon do Volkswagen Santana (sedã). Por mais que consumidores tenham saudade dos carros menos eletrônicos de outros tempos, os carros atuais são muito mais rápidos, ágeis, seguros, confortáveis e econômicos. Além do avanço técnico, é preciso destacar também o aproveitamento de espaço.

Volkswagen Taos 1.4 TSI
Volkswagen Taos 1.4 TSI

Rodamos com o Volkswagen Taos Launching Edition (completíssimo) no trajeto de São Paulo a Londrina (600 km). Foi nossa primeira viagem longa com o Taos, comprovando que os SUVs modernos entregam quase tudo que as antigas peruas entregavam duas décadas atrás. A proposta, de certa forma, é a mesma. Claro que ainda existem peruas – e elas são tão modernas quanto os SUVs -, mas não na linha Volkswagen. Para os fãs de peruas, só resta a saudade, mas pelo menos o Taos traz a proposta de conforto para a família que a Quantum entregou em sua longa jornada, de 1985 a 2003.

Volkswagen Taos
Volkswagen Taos

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