Volkswagen acelera revolução e terá seus carros na nuvem

Plataforma MEB da Volkswagen, só de carros elétricos, será inaugurada com o modelo Trinity.

A Volkswagen apresentou na última sexta-feira (5) sua nova estratégia para o futuro eletrificado. O plano se chama Accelerate (Acelerar em inglês) e vai muito além dos carros totalmente elétricos. "A mobilidade elétrica foi apenas o começo: a transformação real ainda está por vir. Com nossa estratégia, vamos acelerar rumo ao futuro digital", declarou Ralf Brandstätter, CEO da Volkswagen. "Nos próximos anos, vamos mudar a Volkswagen como nunca antes."

A ideia é fazer uma integração do software no veículo com a experiência digital do cliente. Ao implementar modelos de negócios baseados em dados, a Volkswagen espera atrair novos clientes, criar novas fontes de faturamento e tornar a condução autônoma disponível para muitas pessoas antes do final da década. 

A família de carros elétricos ID é a desbravadora desse novo mundo da Volkswagen. A empresa conta com seus altos volumes para garantir a escalada do software no grupo. Por isso, a Volks implantou a ágil unidade de projetos ID. Digital, que irá fornecer atualizações de programas "over-the-air" a cada 12 semanas, começando no verão europeu deste ano.

Dessa forma, os carros ficarão atualizados durante todo o seu ciclo de vida, podendo ser melhorados com as novas funções. É como acontece com os programas de computador. Segundo o comunicado, “uma frota totalmente ligada por rede de mais de 500 mil veículos deverá chegar às ruas e estradas em apenas dois anos”.

Ao transformar o automóvel num produto baseado em software, a Volkswagen está preparando o cenário para novos modelos de negócios. Assim, o portfólio de carros da Volkswagen será muito menos complexa. Ou seja: absolutamente diferente do que foi um dia a oferta de carros como Gol e Up, com várias versões e grande quantidade de pacotes. 

As futuras gerações de modelos Volkswagen serão produzidas com um número de versões muito menor. Portanto, as configurações individuais não serão mais definidas pelo hardware quando o veículo for adquirido. O carro terá praticamente tudo a bordo. Dessa forma, o cliente poderá adicionar as funções desejadas sob demanda a qualquer momento usando o ecossistema digital. Segundo a Volkswagen, isso reduzirá significativamente a complexidade da produção.

Dinheiro há. A empresa reservou cerca de 16 bilhões de euros para investimentos nas futuras tendências da mobilidade elétrica, incluindo aí carros híbridos e digitalização, até 2025. Há uma meta de pelo menos 6% de margem operacional até 2023. Portanto, ainda haverá cortes de custos e aumento de produtividade nas fábricas.

O portfólio de elétricos será acelerado. Para a Europa, a Volkswagen simplesmente dobrou a meta anteriormente estabelecida. Agora, ao invés de 35%, o objetivo é ter 70% de carros elétricos nas vendas para o mercado europeu até 2030. Na China e nos Estados Unidos, a meta é de 50%. Pelo menos um novo modelo por ano será lançado pela plataforma BEV.

O Volkswagen ID.4 GTX com tração 4×4 chega já no primeiro semestre de 2021, seguido pelo esportivo ID.5 no segundo semestre do ano. O ID.6 X / Cross, um SUV elétrico 7 lugares para o mercado chinês, também será lançado este ano. Entretanto, houve um adiamento de dois anos nos planos de um carro elétrico abaixo do ID.3 (para 2025). O nome talvez seja ID.1 ou ID.2 e seu preço partirá de 20 mil euros.

O grande nome desta revolução, entretanto, será o Volkswagen Trinity, que chega em 2026. Esse carro vai inaugurar a plataforma modular elétrica MEB. Portanto, o Trinity será mais rápido, levará mais carga e terá maior alcance do que a atual geração de carros elétricos da Volks.

“Tudo o que a Volkswagen planeja para o futuro, os clientes poderão experimentar num veículo pela primeira vez em 2026. No Trinity, todos os elementos estarão reunidos. O veículo vai estabelecer novos parâmetros em três pontos: tecnologicamente, em termos do modelo de negócios 2.0, e com novos procedimentos de produção na fábrica de Wolfsburg”, diz o comunicado.

Mesmo assim, os carros atuais com motor a combustão interna (Golf, Tiguan, Passat, Tayron e T-Roc) continuarão em desenvolvimento. "Continuaremos precisando de motores a combustão por algum tempo, mas eles têm que ser tão eficientes quanto possível”, disse Ralf Brandstätter. “É por isso que a nova geração de nossos principais produtos, que são todos modelos globais, também será equipada com a última geração de tecnologia híbrida plug-in, com uma autonomia elétrica de até 100 km."

Com a venda anual de 6 milhões de carros conectados à nuvem de dados, a partir do Trinity, a Volkswagen assumirá a liderança no Grupo Volkswagen, estabelecendo uma rede neural em toda a sua frota de automóveis totalmente interconectada, sobre a qual os veículos trocarão dados continuamente sobre a situação do tráfego, obstáculos ou acidentes, entre outros. Ou seja: milhões de carros estarão conectados a um sistema de autoaprendizagem, que beneficiará também as outras marcas do grupo, como Audi, Porsche (as mais fortes no Brasil).

 


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