Os motores podem decidir a F1 2021 dentro e fora das pistas

A briga entre Red Bull e Mercedes é a mais acirrada dos últimos tempos

A janela vem se fechando para a Mercedes. Embora tenha tido um ganho de desempenho nas últimas etapas, isso não se concretizou tanto em resultados, especialmente para Lewis Hamilton. Ok, ela ainda segue na liderança do campeonato de Construtores. Mas no Campeonato de Pilotos, Verstappen vem conseguindo se destacar e se torna o favorito para levar o seu primeiro título. 

Como dito em uma coluna anterior (ler aqui), a Mercedes vem trabalhando em otimizar o desempenho do W12. Mas por ter menos tempo, o foco do time se voltou para o projeto de 2022. A base de 2020 era ótima, mas não contavam com uma Red Bull tão matadora quanto este ano. 

Como o trabalho no carro acaba por ser limitado, o esforço se voltou para o motor. A jogada da Honda em antecipar o desenvolvimento futuro para este ano colocou a Mercedes em uma tremenda berlinda, especialmente após o GP da França, quando as unidades japonesas trouxeram cerca de 20 cv a mais (informações não-oficiais).

A partir de Silverstone, a equipe de Hywell Thomas (o substituto de Andy Cowell) começou a trazer novos pacotes de mapeamento para o motor, de maneira a liberar mais potência. Notamos nas ultimas provas a Mercedes (e até mesmo suas clientes) ganhando mais velocidade em retas, permitindo inclusive ao W12 usar um pouco mais de asa e otimizar um “macete” com a suspensão traseira para reduzir o arrasto (a Red Bull pensou em questionar, mas deixou quieto, pois boa parte dos times utilizavam) 

A potência veio. Estima-se que a Mercedes teve um ganho de 25 cv com a última versão do motor. Entretanto, problemas vieram: para viabilizar o aumento de potência, as rotações também subiram. Assim, as peças são mais exigidas e uma série de fissuras apareceram no bloco do motor. Deste jeito, o risco de quebra é maior e acaba por tornar a gestão mais crítica. 

Aqui, cabe fazer um parêntese: o numero de unidades utilizadas é por carro e não por equipe. Por exemplo: a Mercedes não pode deslocar do carro de Bottas uma unidade utilizada para o carro de Hamilton e vice-versa. Cada carro pode usar os seguintes quantitativos:

A primeira troca do item significa 10 (dez) posições no grid. Mudanças posteriores acarretam 5 (cinco) posições
A primeira troca do item significa 10 (dez) posições no grid. Mudanças posteriores acarretam 5 (cinco) posições

Por conta das restrições introduzidas para testes de motores nas fábricas, trabalhar para a busca de soluções é complicado. Para ir adiante, a equipe tem que pesquisar muito na observação: mudar material do bloco? Tem que ver se o material está na lista do regulamento e se impacta no peso, já que a distribuição de peso também é prevista nas regras. Revisar parte interna (virabrequim e eixo de transmissão)? Ok, mas isso significa abrir mão do desenvolvimento da adaptação das unidades para o próximo ano, que usarão gasolina com 10% de biocombustível. E rever lubrificação, que a especificação também é restrita a uma por temporada?

A indicação da foto é justamente onde ocorre da transmissão de potência do motor para o carro. Quanto maior a vibração, maior a possibilidade de falha
A indicação da foto é justamente onde ocorre da transmissão de potência do motor para o carro. Quanto maior a vibração, maior a possibilidade de falha

A Mercedes vem sacrificando Valtteri Bottas neste sentido. A equipe partiu no GP dos EUA para o uso da 6ª unidade do motor de combustão (ICE). Lewis Hamilton usou a sua 4ª unidade na Turquia e cada vez mais se pergunta se a equipe fará a troca de mais algum item, o que levaria a uma punição mínima de 5 posições (caso troque somente a parte de combustão). Muitos dão como certa uma troca no México ou no Brasil, para que a parte final da temporada seja feita com uma unidade mais nova. O que está pegando é que as unidades mais novas retiradas não estão podendo ser reutilizadas. Isso prejudica a gestão das unidades ao longo do final de semana. 

Mas quem disse que a Honda também está em bons lençóis? Os japoneses também aceitaram correr riscos para permitir a Red Bull andar na frente e a dupla também já pagou punição para usar unidades novas. Não à toa notamos que a equipe tem optado por medir melhor o uso dos motores nos treinos justamente para tentar evitar ao máximo uma nova troca. Agora, Verstappen até está em uma posição mais tranquila para uma mudança, com duas pistas que, em tese, são mais favoráveis aos taurinos. Não tenha dúvida que Perez também poderá ser usado como “boi de piranha” para que se encontre a melhor situação. 

Vendo de fora, a Mercedes mais uma vez está em uma posição pior do que a Red Bull neste aspecto. Os alemães estão mexendo da maneira que podem e dizem que localizaram o problema. Entretanto, rezam para que a unidade atual de Hamilton aguente o máximo possível. Em uma disputa tão acirrada, qualquer elemento pode desequilibrar a disputa para qualquer um dos lados. 


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