Avaliação: Mercedes-AMG SL 63 S é a celebração do status (não provoca inveja)

Mercedes-AMG SL 63 S (Sergio Quintanilha/Guia do Carro)

Há carros que provocam inveja. Você passa diante de outros veículos com a sensação de que não estão te olhando bem. Outros provocam indignação, afinal o Brasil tem muita desigualdade nas ruas. Mas, para minha surpresa, o Mercedes-AMG SL 63 S não provoca nada disso. Ele não provoca inveja, mas sim admiração.

Durante os sete dias que convivemos com o Mercedes-AMG SL 63 S, a sensação foi de celebração do status. As pessoas vêm te elogiar, fazem comentários ao carro, não escondem o desejo de estar a bordo de um automóvel tão impactante – um roadster 2+2 com teto de lona, um design arrebatador e a proximidade do mundo real que só um conversível permite.

Não estamos falando de um SUV que parece um tanque de guerra e que deixa seus ocupantes escondidos como num bunker. Não. O Mercedes-AMG SL 63 S anda pertinho do chão, sente todas as irregularidades do asfalto, aproxima seus ocupantes das pessoas que estão a pé ou mesmo em outros veículos. A bordo dele você não olha por cima; você é visto por cima.

Carro conversível branco da marca Mercedes-Benz, modelo esportivo, estacionado em uma estrada com gramado e palmeiras ao fundo.
Mercedes-AMG SL 63 S (Sergio Quintanilha/Guia do Carro)

Talvez esse seja o segredo. E isso torna a experiência com o Mercedes-AMG SL 63 S muito mais agradável. Por óbvio, não é um carro para usar no dia-a-dia, mas, na avaliação do Guia do Carro, é exatamente isso que fazemos: usamos no dia-a-dia, na vida real. Claro que não poderia faltar uma “raspada” na parte inferior do spoiler dianteiro ao entrar na garagem – especialmente no Guarujá, onde quase todos os condomínios têm uma pequena rampa.

Mas isso é pouco perto do que o conversível alemão entrega. Na estrada, então, nem se fala. O carro é mágico, com uma aceleração brutal, uma sonoridade forte ao gosto do motorista quando está nos modos de condução esportivos, uma rigidez torcional que impressiona e uma entrega de potência, torque e sensações ao volante que nenhum carro chinês consegue entregar.

Não vou descrever os números, vou apenas colocá-los nesse quadro abaixo para que você sinta o poder deste super AMG.

Potência816 cv (612 cv + 204 cv)
Torque1.420 Nm (850 Nm + 320 Nm)
Pneus e rodas275/35 R21 (d) e 305/30 R21 (t)
Comprimento / largura / altura4.705 / 2.100 / 1.354 mm
Entre-eixos2.700 mm
Porta-malas110 litros
TraçãoAMG Performance 4Matic+
TransmissãoAMG SpeedShift MCT 9G
Aceleração 0 a 1002,9 segundos
Velocidade máxima317 km/h

Mas, a bem da verdade, com exceção da simpática recepção que o Mercedes-AMG SL 63 S teve em todos os lugares que passou, o que mais chamou minha atenção foi a eficiência do sistema híbrido plug-in. Sua capacidade de regenerar energia é ótima e, caso, você não ande o tempo todo a 180 km/h – afinal aqui no Brasil não tem Autobahn e essa velocidade é proibida –, dá para rodar bastante com este esportivo sem precisar carregar ou abastecer.

Foram 370 km de estrada e mais um tantão no trânsito urbano e ainda sobrou ¼ de gasolina no tanque de 70 litros. A autonomia elétrica é bastante limitada – apenas 13 km. Mas nem usamos. Não é o própósito desse carro. Mas não tem muito sentido querer rodar só no modo elétrico tendo à disposição um motor 4.0 V8 biturbo de 612 cv e 850 Nm. Isso explica o capô alongado que dá aquela esportividade extra ao carro.

Só isso já seria mais do que suficiente para um roadster esportivo. Mas o Mercedes-AMG SL 63 S tem mais: um motor elétrico traseiro de 204 cv e 320 Nm. São os tais 150 kW de potência que se tornaram uma espécie de Linha do Equador dos carros elétricos. A bateria é pequena: 6,1 kWh de capacidade. 

Interior de um carro de luxo com volante de couro claro, painel digital e tela central de controle. O assento e os detalhes são em bege, com um design sofisticado.
Mercedes-AMG SL 63 S (Sergio Quintanilha/Guia do Carro)

O powertrain completo entrega impressionantes 816 cv de potência e absurdos 1.420 Nm de torque. Para dar uma ideia, esse carro tem a força de duas picapes Toyota Hilux. Ele pesa quase 2,2 toneladas, mas acelera de 0 a 100 km/h em 2,9 segundos e atinge 317 km/h de velocidade máxima. Como se vê, é um carro para usar na pista. E “desfilar” na cidade, pois é impossível tirar sequer metade de seu potencial numa via pública.

O Mercedes-AMG SL 63 S custa R$ 1.755.900. Dá para comprar cinco Mercedes CLA Coupé (R$ 304.900) e ainda sobram 75 mil reais. Ok, mas nem cinco CLA são capazes de fazer o que um único SL 63 AMG faz – e ele não precisa nem se mover para provocar sensações e entregar status máximo. Mais do que um carro, o Mercedes-AMG SL 63 S Mercedes-AMG SL 63 S é uma obra-prima altamente desejada, e igualmente respeitada.


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