Memórias de estrada: o que aprendi sobre a vida guiando com meu pai
Memórias de Estrada: O que aprendi sobre a vida guiando com meu pai
Enquanto redigia e relembrava das motos que tive, revivi uma passagem que mexeu profundamente com o coraçãozinho aqui: o dia em que fiz uma viagem de moto com o meu pai. O Edson foi o responsável por tudo o que me transformei. Era o cara que gostava (e mexia) com tudo o que tinha motor. Herdei exatamente esse mesmo traço.
A lembrança da viagem veio de uma que fizemos justamente entre São Paulo e Sorocaba, lá em meados dos anos 90. Ele pegou a minha Yamaha XJ600 e eu estava com uma endiabrada V-Max 1200. Quando caiu um temporal na Rodovia Castello Branco, a operação tinha que ser bem técnica. E o Edson tirou de letra. Pudera: o cara tinha aprendido a pilotar motos em uma Jawa dos anos 40. Quem aprende a guiar num treco daquele, tira de letra qualquer motocicleta moderna.
A precisão me chamou a atenção no estilo de pilotagem dele. Meu pai era um exímio motorista de Kombi e acertava a carburação dupla do nosso bugue de “ouvido”. Viajamos para vários cantos do país. Ele ia na frente, fazia as ultrapassagens e sinalizava se eu podia realizar a minha. O cara era f… Ele sabia o modo como eu estava guiando apenas olhando para o ombro dos pneus.
Anos depois, os papéis se inverteram e comecei até a ensiná-lo algumas coisas no Autódromo de Interlagos. Ele grudou atrás de mim para aprender as tomadas de curvas, os pontos de frenagem e as tangências. Imagine o orgulho? Eu estava ensinando algo, além de ter proporcionado a ele o sonho de pilotar dentro de Interlagos. Memorável.
Cada viagem era uma história. Era onde, além de ser pai e filho, adicionávamos uma sólida amizade permeada pela paixão aos motores. Se seu pai também gosta do mundo automotivo, não deixe pra depois. Vá pra estrada com ele. Serão algumas das melhores memórias que você terá!
Saudade, Edson.
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