BMW, Mercedes e Volvo atropelam rivais no segmento premium

Mercedes-Benz C 300 AMG Line: marca alemã foi a surpresa do ano

Mercado de luxo cresce 6,6% em 2025 e consolida “Big Three”, segundo análise da K. Lume

O mercado automotivo de luxo no Brasil provou, em 2025, que vive em uma órbita própria. Segundo dados consolidados da K. Lume Consultoria, o segmento fechou o ano com um crescimento de 6,6%, saltando de 51.191 para 54.564 unidades. O número impressiona quando comparado ao mercado geral de carros de passeio e comerciais leves, que avançou apenas 2,4% no mesmo período.

Contudo, os consultores Milad Kalume Neto e Máia Màrtins alertam: não se trata de uma maré alta que levanta todos os barcos. O crescimento foi concentrado, seletivo e movido a bateria.

O fenômeno da concentração: domínio das “Top 3”

Um dos dados mais impactantes do relatório é a fatia de mercado detida por apenas três players. BMW, Mercedes-Benz e Volvo juntas controlam 66,3% de todas as vendas premium no país. Se adicionarmos Porsche e Audi ao grupo, cinco marcas dominam quase 90% do setor.

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O mercado de luxo no Brasil é resiliente, porém seletivo. Ele depende do produto correto e da capacidade de entrega, não apenas de nome (Milad Kalume Neto)

SUVs e eletrificação: a receita do sucesso

Se você quer vender um carro de luxo no Brasil hoje, ele precisa ser um SUV e, preferencialmente, ter uma tomada. O segmento de utilitários esportivos já representa 45% das vendas totais, mas no luxo, esse domínio é ainda mais agressivo, ocupando quatro das cinco primeiras posições do ranking de modelos.

O BMW X1 segue como o rei do segmento (5.368 unidades), mas o destaque absoluto em estratégia foi o Volvo EX30. Com um crescimento de 27,8%, o SUV compacto elétrico provou que preço agressivo e narrativa sustentável encontram eco no consumidor brasileiro.

Os modelos mais vendidos:

  1. BMW X1: 5.368 unidades
  2. BMW 320: 4.047 unidades
  3. Volvo XC60: 3.515 unidades
  4. Volvo EX30: 3.511 unidades

Contraste: as marcas que recuaram

Nem tudo foi festa em 2025. Nomes tradicionais enfrentaram quedas de dois dígitos, o que a K.LUME atribui à volatilidade de estoques, ciclos de produto e agressividade da concorrência:

  • Land Rover: -28,0%
  • Porsche: -11,8%
  • Audi: -10,8%

O “fator China” e a nova definição de luxo

2025 também marcou o desembarque oficial da nova onda de luxo vinda da China. Marcas como WEY (GWM), ZEEKR (Geely) e DENZA (BYD) começaram a pontuar no ranking. Embora os volumes ainda sejam tímidos perto das alemãs, o potencial de disrupção é real.

Para Máia Màrtins, o novo consumidor de luxo está disposto a trocar o emblema tradicional por mais tecnologia e potência: “O crescimento chegou por um consumidor disposto a pagar mais por eficiência, mesmo com os desafios da nossa infraestrutura de recarga”.

O que esperar de 2026?

A aposta para o próximo ano é clara: híbridos plug-in (PHEV) com foco em autonomia estendida. A batalha entre a tradição europeia e a tecnologia digital asiática deve ditar o ritmo das vitrines de luxo nos próximos meses.

Fonte: K. Lume Consultoria. Foto: Mercedes-Benz


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