Anfavea vê “situação grave” nos estoques de automóveis

Fábrica da Volkswagen em São José dos Pinhais (PR).

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, usou palavras duras para definir a situação da indústria automobilística. Na apresentação dos números de julho, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) sinalizou grande preocupação com a situação dos estoques do setor.

“Os estoques de  85 mil unidades nas fábricas e nas concessionárias são os menores das últimas duas  décadas, o que comprova a gravidade da situação”, disse Luiz Carlos Moraes. Segundo o executivo (que é diretor da Mercedes-Benz), não há previsão de normalização no fornecimento de semicondutores até meados de 2022. 

“Há demanda interna e externa por um volume maior de veículos, mas infelizmente a falta de semicondutores e outros insumos tem impedido a indústria de produzir tudo o que vem sendo demandado, apesar dos esforços logísticos empenhados pelas empresas”, afirmou o o presidente da Anfavea. Segundo a entidade, “a situação é especialmente delicada para os fabricantes de automóveis, em função dos  maiores volumes de produção necessários para abastecer o mercado''. O setor de caminhões não enfrenta tantos problemas. 

Pelo segundo mês consecutivo a produção de  autoveículos recuou no Brasil. Em julho, a  produção total foi de 163,6 mil unidades, 2% a menos do que no mês de junho e 4,2% abaixo de julho de 2020. “Foi a pior produção para um mês de julho desde 2003”, observou Moraes. 

Segundo a Anfavea, as dificuldades no ritmo de produção refletem negativamente tanto nas vendas internas quanto nas exportações. O mês de julho teve 8 mil licenciamentos diários, pior média em 12 meses. O total de 175,5 mil unidades licenciadas representou queda de  3,8% em relação a junho. “O recuo foi ainda mais dramático nas exportações”, comentou o dirigente automotivo. Com 23,8 mil veículos enviados a outros países, o volume teve uma queda de 29,1% em relação a junho. 

O setor de caminhões não tem sido tão impactado. Em julho, a produção foi de 14,8 mil unidades, uma alta de 1,1% sobre junho. Já os licenciamentos totais de 12 mil caminhões foram 5,3% superiores aos do ano anterior.


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