Anfavea projeta 2,3 milhões de veículos e pede fim do IPI

A Anfavea projeta um crescimento de 8,5% nas vendas de autoveículos em 2022, fechando o ano com 2,3 milhões de unidades. A estimativa foi feita hoje (7) durante o balanço anual da Associação Brasileira dos Fabricantes de Veículos Automotores. Em 2021, o Brasil emplacou 2,120 milhões de autoveículos.

Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, aproveitou a ocasião para pedir o fim do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) antes da sonhada reforma tributária. “O Brasil é o único país que tributa produtos industrializados”, reclamou Moraes. “Por que não tem um IPA, Imposto sobre Produtos Agrícolas?” Segundo Moraes, a estimativa de vendas para 2022 poderia ser mais otimista sem o IPI.

Na visão da Anfavea, acabar com o IPI seria uma “alavanca para o crescimento”. Segundo as projeções da entidade, somente em 2025 as vendas retornarão ao patamar de 2019, pré-pandemia. Dos 2,3 milhões de autoveículos previstos, 2,143 milhões serão de veículos leves (+8,4%) e 157 mil serão de veículos pesados (+10%). 

“A projeção seria melhor se tivéssemos uma carga tributária aceitável e se as taxas de financiamento fossem compatíveis com o bolso do nosso consumidor”, disse Moraes. Ele também destacou que o aumento de preços dos carros no Brasil (+14% pós-pandemia) é similar ao que ocorreu nos Estados Unidos (+12%).

Nas exportações, a projeção da Anfavea é de 390 mil veículos (+3,6%), sendo 361 mil para automóveis de passeio e comerciais leves (+3,3%) e 29 mil para caminhões e ônibus (+7,7%). Na produção, a previsão para 2022 é de 2,460 milhões (+9,4%), sendo 2,268 milhões para os veículos leves (+9,5%) e 192 mil para os veículos pesados (+8,2%).

Em 2021, o Brasil exportou 376,4 mil veículos (+16% em relação a 2020). O número é baixo em comparação com 2018, quando a indústria automobilística brasileira exportou 629 mil unidades. Um dos fatores que prejudicam as exportações brasileiras é a redução do mercado argentino. Segundo a Anfavea, as exportações para a Argentina recuaram (-21%) e a participação do país caiu de 50% para 34%.

Mesmo assim, a Argentina ainda é o maior comprador de carros do Brasil. Em seguida vem o México (17%), a Colômbia (14%), o Chile (11%), o Uruguai (6%) e o Peru (6%). Outros países representam 11% do volume de exportações brasileiras. Fica claro que o Brasil exporta basicamente para a América do Sul, o que é um fator que preocupa a Anfavea, pois o país tem capacidade para fazer carros de qualidade global.

Houve um aumento de 11,6% na produção da indústria automobilística brasileira em 2021, em relação a 2020. Mas o total de 2,248 milhões de veículos produzidos está longe dos 2,945 milhões registrados em 2019, quando o país estava em recuperação econômica. “Em países modernos só tem o IVA como imposto e ele chega a 25%”, concluiu Luiz Carlos Moraes. “No Brasil, o consumidor paga muito imposto, chega a 40%. Com o fim do IPI, poderíamos atrair o consumidor para o mercado, não só de carros, mas de toda a indústria. Se não for assim, a gente vai continuar exportando soja, minério de ferro e petróleo.”


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