Anfavea: indústria perderá de 5 a 7 milhões de carros este ano
A falta de semicondutores teve um impacto gigantesco na indústria automobilística global e vai resultar na perda de 5 a 7 milhões de carros este ano. A informação foi dada pelo presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, na manhã desta quarta-feira (7), com base em estudos do Boston Consulting Group (BCG).
Segundo o BCG, a América do Sul deve ter uma perda de 14% no volume de carros. Com base nesses números, Moraes disse que as montadoras instaladas no Brasil foram impactadas com a perda de 100 mil a 120 mil unidades na produção do primeiro semestre. Por isso, a Anfavea revisou para baixo sua projeção de vendas e produção para 2021.
| AUTOVEÍCULOS (x1.000 unidades) |
VENDAS EM 2020 |
PROJEÇÃO 2021 |
DIF. |
| Automóveis | 1.616 | 1.732 | 7% |
| Comerciais | 339 | 450 | 33% |
| Caminhões | 90 | 122 | 36% |
| Ônibus | 13,9 | 16 | 15% |
| Total | 2.014 | 2.459 | 22% |

No Brasil, a falta de semicondutores resultou numa mudança importante: o Chevrolet Onix teve sua produção paralisada em Gravataí (RS) e perdeu uma hegemonia de sete anos para o Fiat Argo, que é produzido em Betim (MG). No primeiro semestre de 2021, o Brasil licenciou 1,008 milhão de carros de passeio e comerciais leves, sendo 804 mil de passeio e 204 mil comerciais.
Em relação ao primeiro semestre de 2020, houve um crescimento de 26% na venda de carros de passeio e de 59% nos comerciais leves. Porém, em relação ao primeiro semestre de 2013 (recorde de vendas), houve uma queda de 45% nos automóveis de passeio e de 21 nos comerciais leves.

Mudança no mix de vendas
O presidente da Anfavea apresentou um quadro que mostra duas mudanças importantes no mercado, comparando todos os primeiros semestres de 2015 a 2021. Em 2015, o mercado tinha 48% de hatches e 13% de SUVs; em 2021, há um empate: 39,4% de hatches e 39,0% de SUVs.

Luiz Carlos Moraes também destacou a mudança no mix de picapes. Em 2015, as picapes médias detinham 52% de participação, contra 33% das picapes pequenas. Este ano, as picapes médias representam 48% das vendas e as pequenas subiram para 39%. Grande parte dessa mudança decorre do sucesso do modelo que lidera o mercado, a Fiat Strada.
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