Adeus, Sentra! Conheça o Nissan N7, o revolucionário sedã japonês “Made in China”
O adeus lacônico do Nissan Sentra, que acaba de ser descontinuado no Brasil, antecipa uma oportunidade única para os negacionistas caírem na real. É que a chegada de seu sucessor, o sedã elétrico N7 ou Primera EV, denominação que a marca pode ressuscitar por aqui, vai revelar o verdadeiro abismo que separa um lançamento chinês de um modelo tradicional que, verdade seja dita, sempre ofereceu qualidade e confiabilidade, mas que está datado.
O N7 é melhor que o Sentra em tudo, absolutamente tudo, inclusive no preço, já que parte de 109.990 yuans (o equivalente a R$ 90.790) na versão 510 Air, contra os R$ 174.490 cobrados pelas pouco mais de 340 unidades vendidas no mercado nacional da extinta Advance 2.0, no primeiro semestre deste ano.
Sentra é o passado, N7 é o futuro: tão simples assim
É claro que só a alíquota de 35% do imposto de importação já inflacionará o preço do novo Nissanzão e, ninguém tem dúvidas, que a ela irá se somar uma margem de lucro ainda mais gananciosa, empurrando o valor básico para a casa dos R$ 220 mil. Mesmo assim, a diferença entre passado e futuro é tão grande que estes R$ 45 mil se diluirão em qualidade e, principalmente, eficiência – o que vamos calcular, na ponta do lápis, mais adiante.
Em termos visuais, o Nissan N7 combina o perfil fastback bastante aerodinâmico (Cx de 0,20) com linhas futuristas (portas sem moldura) e 710 LEDs, que compõem faróis personalizáveis – na traseira, mais de 880 OLEDs podem exibir animações e até textos. A identidade japonesa está no “V-Motion” dianteiro e nos bancos tipo sofá, uma referência da Nissan que segue presente e, agora, com 49 sensores que usam inteligência artificial (IA) para ajustes sutilíssimos em 14 vias.
Comparado ao Sentra (que era bom), N7 parece ficção
Comparado ao Sentra, o lançamento parece saído de um filme de ficção científica: seu interior traz uma orientação minimalista e duas telas, sendo uma menor, que exibe as informações do quadro de instrumentos, e outra bem maior, sensível ao toque, de 15,6 pol e resolução 2.5K, que executa o sistema operacional alimentado por um chip 8295P, da Snapdragon, com espelhamento CarPlay, CarLink e HiCar.

Seu teto solar panorâmico possui 4 metros quadrados de área e o sistema de áudio de 910 watts conta com 14 alto-falantes (inclusive integrados aos encostos de cabeça) e surround 7.1. O console central integra uma geladeira com 5,8 litros de capacidade volumétrica (para seis garrafas de água de 330 ml) e, dentro do N7, o nível de ruído interno não ultrapassa os 22 dB – contra 60 dB do Sentra equipado com motor a combustão, o que significa um som 6.000 mais intenso na escala acústica.
O sistema Xiao Ni conta com comando de voz e reconhecimento ultrarrápido, inclusive facial, de até quatro registros (pessoas) diferentes – ou seja, ele “sabe” qual membro da família, pai, mãe, filho mais velho ou caçula, está falando. Como dissemos, é um duelo entre passado e futuro que chega a ser covardia.
O Highway Pilot Assist, desenvolvido em conjunto com a Momenta, é um sistema semiautônomo de Nível 2, capaz de navegar de ponto a ponto, iniciando o trajeto e estacionando sozinho, no destino final, sempre sob supervisão do motorista que deve estar pronto para assumir o comando a qualquer instante – ele conta com 22 sensores e memorização de vias, algo simplesmente inimaginável em um Sentra.
Nissan N7 tem 16 sistemas ADAS para segurança máxima
Avançando para o campo da segurança, destaque para a construção superior e para a nova plataforma
Tianyan, que suporta um esforço estrutural de até 2.000 MPa, contra 1.500 MPa do antigo sedã. E some a este ganho uma sopa de letrinhas que inclui 16 “ingredientes” de segurança ativa: FCW, AEB, ELA, LDW, LDP, CDW, FCTA, FCTB, RCTA, RCTB, BSW, DOW, RCW, UPA, ESA e EAPM. Mas vamos adiante!
]Confrontar o novo Nissan N7 ou Primera EV com o Sentra, em termos de eficiência, chega a ser uma perversidade. É que enquanto o consumo de eletricidade do lançamento gira entre 13,6 kWh para cada 100 quilômetros rodados, o que equivale a 65,3 km/l, e 12,4 kWh/100 km, o equivalente a 71,9 km/l – com uso de gasolina sem adição de álcool anidro, mais “pura” que a brasileira –, a versão Advance 2.0 do sedã a combustão tem médias declaradas de 11 km/l e 14 km/, respectivamente para ciclos urbano e rodoviário.

Tomando o preço médio de R$ 6,62 para o litro da gasolina no Brasil, o custo do quilômetro rodado com o N7 ficaria entre R$ 0,09 e R$ 0,10, enquanto com o Sentra fica entre R$ 0,47 e R$ 0,60. Na ponta do lápis, a diferença entre o preço estimado do lançamento e o valor atual do sedã que acaba de ser descontinuado seria amortizada assim que o N7 completasse 102 mil quilômetros rodados, só com o dinheiro economizado (R$ 44.800) com combustível. E para quem tem medo de ficar parado com a bateria esgotada, o chinezão tem alcance de até 625 km, sem necessidade de recarga.
Como o “terraplanismo automotivo” precisa ser rejeitado com fatos, cabe sublinhar que o novo Nissan de 4,93 metros de comprimento (29 cm maior que o Sentra), 1,89 m de largura (8 cm mais largo) e 1,48 m de altura (3 cm mais alto), que ainda tem 21,5 cm a mais de entreeixos (2,91 m), acelera de 0 a 100 km/h em 6,9 s (contra 9,4 s do Sentra 2.0) e atinge a velocidade máxima de 160 km/h – aqui, finalmente, o sedã descontinuado leva vantagem em alguma coisa, alcançando os 200 km/h.
Versão que virá ára o Brasil deve ter 215 cv e rodar 510 km
Estes números são referentes à versão com motor de 272 cv (200 kW), mas até mesmo a mais “mansa”, de pouco mais de 215 cv (160 kW), não decepciona e vai de 0 a 100 km/h em 8,5 s com autonomia para até 510 km, sem necessidade de recarga da baterias – eu, pessoalmente, aposto que esta versão será a importada para o Brasil.
Por falar em recarga, a recuperação total de energia do pacote de baterias do N7 leva de oito a 11 horas, usando um wallbox doméstico convencional. Carregadores mais rápidos reduzem significativamente este intervalo, chegando a recuperar de 30% to 80% da capacidade em apenas 14 minutos, e de 10% a 80% em 19 minutos. Em 17 minutinhos de recarga rápida, o motorista terá 400 quilômetros adicionais de autonomia – nada mal.
Nissan Sentra saiu do Brasil, mas segue vivo na China como Sylphy
Curiosamente, o nosso Sentra segue sendo ofertado na China, onde se chama Sylphy e está disponível em duas opções de carroceria – equivalentes às terceira e quarta gerações – e três de motorização (a combustão, a partir de R$ 60,5 mil, e híbrida, e-Power), com melhores resultados comerciais do que o próprio N7 – vai entender.
De qualquer forma, o novo modelo elétrico é incomparavelmente mais avançado em estilo, segurança, habitabilidade, tecnologia e eficiência que o sedã que se vai e cujas últimas unidades serão rifadas pelos concessionários – pelo que conheço, os revendedores nem terão tanta dificuldade para encontrar incautos dispostos a desembolsarem suas economias e ainda assumirem financiamentos tirânicos que vão levá-los ao mais profundo dos arrependimentos.
Até porque, se existe um mercado onde o sujeito paga os maiores preços do mundo pelos modelos mais defasados e desqualificados, este lugar é o Brasil…
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