A ofensiva da GWM: testamos o Ora 5 na China e antecipamos o futuro da marca no Brasil

GWM Haval H7 (Guia do Carro/Lucia Camargo Nunes)

Baoding (China) – A GWM aproveitou os holofotes do Auto China 2026 para anunciar o lançamento do primeiro veículo híbrido plug-in flex do mundo, o Tank 300 que consome etanol ou gasolina em qualquer proporção. No dia seguinte ao anúncio, o 4×4 PHEV Flex já estava disponível para venda no Brasil. 

Durante a visita do Guia do Carro às instalações da marca chinesa, pudemos explorar todo o portfólio disponível e levantamos as principais apostas para o mercado brasileiro. 

Carro elétrico ORA S em cor verde em exibição em um evento ao ar livre, com outros veículos ao fundo.
GWM Ora 5 BEV (Guia do Carro/Lucia Camargo Nunes)

O que vem por aí

A primeira confirmada é a versão elétrica do Ora 5, um SUV compacto-médio esperado para chegar no segundo semestre e que avança na estratégia da marca porque representa um degrau acima em sofisticação e porte em relação ao já conhecido Ora 03. 

O Ora 5 oferece dimensões mais generosas (4,47 metros de comprimento) e um conjunto elétrico aprimorado, mirando diretamente a concorrência chinesa, entre eles o Geely EX5, Leapmotor B10, Omoda E5 e BYD Yuan. 

Um carro compacto elétrico na cor prata, visto de lado, com detalhes em preto e rodas esportivas. Ao fundo, há uma pilha de pneus e algumas pessoas vestindo roupas escuras.
GWM Ora 5 HEV (Guia do Carro/Lucia Camargo Nunes)

Enquanto o irmão menor Ora 03 entrega 171 cv de potência, a expectativa para a configuração brasileira do Ora 5 (sem o “zero” na frente) é de uma motorização elétrica mais vigorosa – avaliamos o modelo dentro das instalações da GWM em Baoding e conferimos suas acelerações lineares e a dinâmica mais refinada, que deve agradar tanto para o tráfego urbano quanto para viagens curtas. 

O motor elétrico dianteiro do modelo avaliado rende 204 cv (150 kW) e 26,5 kgfm de torque. Equipado com bateria de 58,3 kWh, sua autonomia estimada supera 400 km no ciclo chinês WLTC – se for essa configuração a vir para o Brasil, pelo Inmetro deve ser estimado em torno de 320 km de alcance.

Seu rodar é silencioso e confortável, característico dos veículos desenvolvidos sobre a plataforma dedicada a elétricos da GWM.

Carro hatchback azul claro estacionado em uma pista de corrida, com pneus empilhados ao fundo e céu limpo.
GWM Ora 5 BEV (Guia do Carro/Lucia Camargo Nunes)

O interior é onde o Ora 5 realmente reforça sua proposta de valor, unindo o charme de um design com toques retrô à modernidade das telas digitais de alta resolução que dominam o painel. O acabamento utiliza materiais de toque macio em superfícies, entregando um toque de luxo na cabine. 

O espaço interno é beneficiado por um entre-eixos de 2,72 metros, o que garante excelente área para as pernas dos ocupantes do banco traseiro e um porta-malas condizente com a proposta de um SUV médio, com 330 litros – não muito, mas acima dos 228 litros do Ora 03. 

A segurança e a assistência ao condutor são pilares fundamentais deste lançamento, que chegará equipado com o pacote completo de tecnologia Adas nível 2+, com sistemas de controle de cruzeiro adaptativo com função pare e siga, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa e câmeras com visão de 360 graus de alta definição. 

A conectividade será garantida por um sistema de infotainment, com tela grande, que permite atualizações remotas via internet, garantindo que o software do veículo receba melhorias contínuas sem a necessidade de visitas frequentes à oficina. 

Futuro nacional?

Estrategicamente, a GWM deverá posicionar o Ora 5 em uma faixa de preço intermediária entre o Ora 03 e os SUVs da família Haval, servindo como uma alternativa tecnológica para consumidores que buscam a agilidade de um SUV compacto-médio sem abrir mão do conforto de um segmento superior. 

Interior de um carro, mostrando o volante, painel digital e console central com espaço para copos.
GWM Ora 5 BEV (Guia do Carro/Lucia Camargo Nunes)

O modelo chega inicialmente via importação e estabelece como uma peça-chave para manter o ritmo de vendas e preparar o mercado para a futura fase de produção nacional da montadora no Espírito Santo. 

Para o mercado chinês, o Ora 5 lançou durante o Salão de Pequim 2026 uma versão híbrida que oferece média de cerca de 22 km/l e alcance acima de 1.100 km. Com aceleração de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos, o SUV HEV é um forte candidato a ser produzido na futura planta capixaba em 2029, embora até lá muitas águas rolarão. 

Um SUV Haval H7 em um evento ao ar livre, com caminhões ao fundo.
GWM Haval H7 (Guia do Carro/Lucia Camargo Nunes)

Na onda do sucesso do H9

Além do Ora 5, a GWM prepara uma ofensiva estratégica para o segmento de utilitários-esportivos de maior porte com a chegada do Haval H7 ao mercado brasileiro. 

Satisfeita com o sucesso do SUV de 7 lugares H9, que já teve quase 4 mil unidades emplacadas até o início de maio, o H7 de 5 lugares ficará posicionado acima do consagrado H6 e abaixo do H9, o novo SUV médio apresenta amplo espaço interno, com aproximadamente 4,78 metros de comprimento e um entre-eixos de 2,81 metros, o que se traduz em um ganho significativo de área para os ocupantes e maior capacidade de carga. 

SUV GWM H7 estacionado em um terreno amplo, com cones de sinalização ao fundo, em um dia ensolarado.
GWM Haval H7 (Guia do Carro/Lucia Camargo Nunes)

O modelo foi projetado para atender famílias que buscam um veículo robusto sem abrir mão do requinte tecnológico, servindo como uma vitrine de luxo antes da transição para a linha de utilitários premium da marca.

No aspecto mecânico, a grande novidade para o Brasil deve ser a introdução do sistema Hi4, uma tecnologia híbrida inteligente de tração nas quatro rodas. Esse conjunto PHEV combina o motor 1.5 turbo a combustão (que pode ser o movido a gasolina e posteriormente flex) com dois propulsores elétricos instalados um em cada eixo, que entregam até 394 cv de potência combinada. A autonomia em modo puramente elétrico é superior a 100 km, dependendo do ciclo de condução adotado.

O interior do Haval H7, conforme o avaliado na China, apresenta cockpit dominado por telas horizontais de grandes proporções que integram o quadro de instrumentos e o sistema multimídia. O acabamento utiliza materiais nobres, bancos equipados com funções de massagem e ventilação, além de ajuste lombar. 

A segurança é reforçada por um pacote completo de assistência ao condutor de nível 2.5, que utiliza câmeras de alta definição e sensores LiDAR para garantir uma condução semiautônoma precisa. Outro forte diferencial do H7 é o entre-eixos de 2,81 metros (cerca de 8 cm a mais que o Haval H6), dado que reflete diretamente no espaço para as pernas no banco traseiro. 

Além disso, a largura da cabine é maior, o que melhora a acomodação de três passageiros. O assoalho é praticamente plano, o que facilita o movimento e aumenta o conforto para quem vai na posição central. E seu porta-malas não faz feio: são 586 litros de volume, espaço que acomoda muita bagagem, o que faz do SUV uma opção muito competitiva para viagens. 

Um SUV prateado Haval Jolion Max estacionado em um evento ao ar livre, com caminhões ao fundo e uma tenda montada.
GWM Haval H4 (Guia do Carro/Lucia Camargo Nunes)

Mais um SUV, desta vez um pouco menor

A GWM ainda estuda a vinda do H4, de porte médio, mas abaixo do H6. O SUV, também chamado de Jolion em outros mercados, brigaria na faixa dos modelos compactos, como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Honda HR-V. 

Por fora, o H4 se destaca pelo formato mais arrendondado e menos discreto, com 4,47 metros de comprimento, ampla grade e lanternas de desenho polêmico. 

Para ter preço competitivo, o Haval H4 será equipado com sistema híbrido convencional (HEV), que combina o motor 1.5 turbo a combustão com um motor elétrico. A potência combinada esperada é de 243 cv, entregando um torque vigoroso que pode chegar a 54 kgfm. 

Um SUV prateado estacionado em uma pista, com cones de sinalização ao fundo sob um céu azul claro.
GWM Haval H4 (Guia do Carro/Lucia Camargo Nunes)

A eficiência energética é outro destaque, com consumo que pode superar os 20 km/l em ciclo urbano. O SUV pode já vir com a tecnologia híbrida flex e ampliar sua eficiência energética. O interior do Haval H4 mantém o padrão de sofisticação tecnológica da marca, com o cockpit digital com painel de instrumentos configurável e a central multimídia com tela acima de 12 polegadas. 

Teto solar panorâmico, carregamento de smartphones por indução e sistema de câmeras com visão de 360 graus são os features esperados. Em termos de segurança, o SUV contará com pacote avançado de assistências ao condutor, com frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo e assistente de permanência em faixa, entre outros itens. 

Interior de um carro moderno mostrando o volante, painel digital e console central, com vista para o exterior.
GWM Haval H4 (Divulgação GWM)

Seu entre-eixos de 2,70 metros garante espaço interno superior ao de concorrentes maiores, como o Toyota Corolla Cross e o Jeep Compass, ambos com 2,64 metros. Conforme sua recepção enquanto importado, o volume pode determinar a produção do Haval H4 na planta de Iracemápolis (SP), a preços bastante competitivos, ou seja, abaixo de R$ 200 mil. A expectativa é que chegue no segundo semestre. 

A aposta da GWM é oferecer um SUV menor ao H6, mais adequado ao uso na cidade e de dimensões mais práticas para estacionar em prédios, com o DNA da linha Haval em potência e conforto. 


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