Volkswagen, Nissan e Stellantis terão um ano decisivo em 2025

Volkswagen Golf: produção pode ser transferida da Alemanha para o México

O ano de 2024 ainda não acabou, mas três gigantes da indústria automotiva só pensam no que vão fazer em 2025. Será um ano decisivo para Volkswagen, Nissan e Stellantis. Elas vivem crises globais por motivos diferentes, mas sérios.

O caso da Volkswagen talvez seja o que tem a solução mais óbvia – reduzir custos de produção na Alemanha –, porém não menos complexa. A Volkswagen definitivamente não tem problemas de produto, pois é líder de vendas na Europa há décadas, mas a produção de carros em seu próprio país se tornou um tormento.

Há uma disputa feroz entre a empresa e os trabalhadores alemães depois que a Volkswagen perdeu a liderança de mais de 30 anos na China. O país asiático deixava muitos lucros para a Volkswagen, mas os consumidores chineses passaram a preferir carros de marcas locais, que entenderam mais bem suas necessidades.

Ao mesmo em que tenta recuperar terreno na China, a Volkswagen precisa investir fortemente em eletrificação e digitalização – e este é seu maior custo no momento. Algumas soluções devem ser tentadas, como a transferência da produção do Golf da Alemanha para o México. Mas o corte de custos terá que ser feito para a VW se manter competitiva na Europa.

A Stellantis também tem um sério problema a resolver: como manter as marcas estadunidenses competitivas no novo mundo eletrificado sem afetar o humor daqueles que insistem em motores V8 beberrões, poluentes e carbonizantes. Carlos Tavares, o antigo CEO, perdeu essa guerra e caiu.

Dodge Challenger: consumidores dos Estados Unidos rejeitam muscle cars elétricos
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Ram e Jeep são marcas fundamentais na estratégia da Stellantis e o grupo terá que resistir aos ataques de cisão. Para isso, terá de reconquistar a confiança dos americanos na reconstrução das marcas Dodge e Chrysler, que ficaram encolhidas. Até a Plymouth – antiga marca da Chyrsler – é lembrada pelos saudosistas.

Para além disso, e da necessidade de nomear num novo CEO global com mais jogo de cintura, a Stellantis precisa resolver seu problema de produção na Itália, que despencou para apenas 500 mil carros no ano (-250 mil unidades em uma temporada).

O Fiat 500 elétrico não conquistou o mercado e a Stellantis tenta manter o modelo vivo com  uma versão híbrida. O Cinquecento é caro e tem um sério problema de alcance e, por isso, não funciona em países como o Brasil e os Estados Unidos. 

A Nissan vive a situação mais delicada entre as três indústrias gigantes citadas. A montadora japonesa perdeu-se totalmente após acusar o antigo CEO Carlos Ghosn de corrupção e agora depende unicamente de uma fusão com a Honda para sobreviver.

Sob a administração do brasileiro Ghosn, a Nissan saiu do buraco no início dos anos 2000 e se tornou a montadora pioneira no mercado de carros elétricos. O Nissan Leaf foi o carro que desbravou mundialmente esse segmento, mas não houve investimento nesse sentido. O Leaf ficou isolado e defasado.

Nissan Leaf: pioneiro na eletrificação, mas abandonado no meio do caminho
Nissan Leaf: pioneiro na eletrificação, mas abandonado no meio do caminho

A Nissan simplesmente abandonou o jogo dos carros elétricos no momento em que todas as outras montadoras vinham atrás dela. Entretanto, investe na Fórmula E, que é a F1 dos carros elétricos. É incoerente. Sua provável nova parceira, a Honda, também está longe de liderar a transição para os elétricos.

Mas a Honda tem motos e um portfólio mais robusto. A Nissan corre o risco de ser engolida pela Honda. Além disso, em mercado menores, como o Brasil, sua picape Frontier perde espaço até para o Fiat Titano, iniciativa da Stellantis num segmento que era uma das forças da Nissan.

Por essas e outras razões, Volkswagen, Nissan e Stellantis terão um ano decisivo em 2025. O jogo de xadrez automotivo ficou muito mais complexo nesta década e há novos elementos, como o crescimento das montadoras chinesas, especialmente a BYD.


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