Tire 7 dúvidas sobre infra-estrutura para carros elétricos

Brasil tem 17 carros por eletroposto; na Europa, a média é de 10 veículos

O que falta para o Brasil, de fato, colocar eletropostos nas ruas e oferecer a infraestrutura com qualidade e segurança, em comparação com outros países, como a China?

Para tirar essas dúvidas, Thiago Castilho, especialista em mobilidade elétrica e cofundador da empresa E-Wolf, parceira oficial da BYD, respondeu a 7 perguntas do Guia do Carro. 

A E-Wolf é uma empresa que oferece soluções para recarga de carros híbridos e elétricos no Brasil, atendendo desde a frota de veículos leves até os mais pesados, com opções de recarga normal e rápida, que são compatíveis com as exigências das montadoras americanas, europeias e asiáticas. 

  • Quantos eletropostos rápidos existem no Brasil?

 No Brasil a tendência é adotar o Plug Tipo 2 para carga Normal (AC) e o Plug CCS para carga rápida (DC). Estes são os plugs comuns nos eletropostos públicos e utilizados por quase todos os veículos elétricos vendidos no Brasil.

Um estudo recente identificou 237 locais com 451 conectores para recarga DC no país. Ou seja: temos uma média de 1,9 conector por local de recarga, sendo que 69 locais têm apenas um conector para recarga DC, 152 locais têm dois conectores e apenas 16 locais têm três ou mais conectores de recarga DC.

  • Dá para comparar com a infra-estrutura de outros países?

A eletrificação ainda está em evolução e é tímida no Brasil. Tivemos alguns fenômenos recentes, como a BYD e a GWM, que aceleraram o processo e que praticamente em um mês venderam o que outras montadoras projetavam para o ano. 

No Brasil a tendência é adotar o Plug Tipo 2 para carga normal (AC) e o Plug CCS para carga rápida (DC)
No Brasil a tendência é adotar o Plug Tipo 2 para carga normal (AC) e o Plug CCS para carga rápida (DC)

O carro elétrico começou a ser vendido em uma escala interessante e vai faltar tomada quando falamos de carregamento na rua. Agora, comparar o Brasil, um país continental, com outros países, é complicado.

Nossa realidade é muito diferente, o grau de desenvolvimento no nosso país é incomparável em relação aos países desenvolvidos. O curioso é que, se der certo no Brasil, nos outros países também dará.

  • Onde estão os carregadores públicos no Brasil?

Não sei se alguma instituição tem isso mapeado no Brasil. A E-Wolf tem eletropostos em empresas, shopping centers e propriedades privadas. Um balanço da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), aponta que existem no país 17 carros por eletroposto. Na Europa, a média é de 10 veículos; nos Estados Unidos, 12.

  • Qual é o custo de instalação de um eletroposto  de carregamento rápido?

Hoje, quando falamos de um eletroposto rápido, o custo com infraestrutura pode variar, do mais simples, entre 150 mil e 600 mil reais. Depende muito da infraestrutura do local, se tem disponibilidade de energia para média e alta tensão, se terá que fazer adequações, etc.

  • Quais são as vantagens para quem instala um carregador rápido?

O foco é sempre o consumidor. Boa parte da vida, ele vai carregar em casa. 80% dos brasileiros carregarão em casa, os outros 20% irão carregar na rua, enquanto fazem outras atividades, ou tem a necessidade de carregar rápido, procurando eletropostos.

E-Wolf oferece soluções para recarga de carros híbridos e elétricos
E-Wolf oferece soluções para recarga de carros híbridos e elétricos

Então, quem instala um carregador rápido tem a oportunidade de atender esse público que vem crescendo, como uma venda de conveniência – você vende energia, vende o serviço, e rapidamente ele se paga. 

  • Dá para fazer alguma previsão de crescimento?

A previsão é de crescimento absoluto no setor. Nós da E-Wolf estamos com um programa de parcerias para ampliar a rede de  eletropostos em todo Brasil. A entrada de novos players no mercado brasileiro de veículos elétricos aumenta a demanda por carregamento público, semipúblico e residencial pelo país.

Para acompanhar a crescente demanda da eletromobilidade, empresas, comércios e condomínios residenciais deverão investir em eletropostos e na infraestrutura necessária.

O que falta no Brasil para que essa infraestrutura pública e semipública cresça de maneira consciente é viabilidade econômica para o setor, mas a previsão é otimista para os próximos anos, com os devidos incentivos o Brasil tem tudo para evoluir na eletromobilidade.

  • Como isso ocorreu em outros países?

A China é o maior produtor de veículos movidos por eletricidade no mundo. Nos últimos dois anos, o número de unidades vendidas no país cresceu de 1,3 milhão para 6,8 milhões, fazendo de 2022 o oitavo ano consecutivo em que a China foi o maior mercado mundial de EVs.

Thiago Castilho, especialista em mobilidade elétrica
Thiago Castilho, especialista em mobilidade elétrica

No mesmo período, os Estados Unidos venderam cerca de 800 mil unidades e o Brasil, pouco mais de 49,2 mil. É muito distante, pois se tratam de países economicamente muito à frente. Há anos atrás já havia um planejamento por parte do governo e tecnologia de ponta para a eletromobilidade moderna.

O governo chinês teve papel importante na consolidação dessa indústria, ajudando a sustentar tanto a oferta de veículos elétricos quanto a demanda por eles.

Em 2009, passou a conceder subsídios financeiros a empresas de EVs para produzirem ônibus, táxis e automóveis individuais – à época, menos de 500 unidades foram vendidas no país. Toda essa infraestrutura ainda está em desenvolvimento por aqui. 


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