Renegade é o Porsche 911 da Jeep. Mas o mundo mudou
Nem todas as montadoras de automóveis têm um ícone para chamar de seu. A Jeep tem. É o Renegade, o carro que popularizou o SUV 4×4 depois que o Wrangler se tornou um veículo para milionários. Mas ter um ícone também exige cuidados.
A Porsche, por exemplo, tem o 911. Vive de uma eletrônica severa para compensar a má distribuição de peso. A Porsche sabe que o 911 precisa ser o seu suprassumo. E faz isso bem. Apesar das diferenças, podemos dizer que o Renegade é o Porsche 911 da Jeep.
O Jeep Renegade saiu de linha na Europa. Mas, no Brasil, ele sobreviveu — e sobreviverá — à chegada do Jeep Avenger. Isso porque o Brasil é um mercado estratégico para a Stellantis, que permite ao país algumas soluções independentes.
Ícone, sim, mas precisa ser híbrido
O Jeep Renegade já foi o SUV mais vendido do Brasil. Desde a chegada do Fiat Pulse, entretanto, perdeu vendas, pois foi reposicionado e ficou mais exclusivo (mais caro). O carro melhorou, mas não acompanhou um movimento fundamental da concorrência: a eletrificação.
Faz sentido? Em parte. A Jeep surgiu em 1941 como uma solução para o Exército dos Estados Unidos ter mais mobilidade nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial. Hoje, quando os EUA não conseguem vencer o Irã mesmo com maior poder de fogo. É simplesmente impensável colocar um Jeep para ajudar uma guerra moderna — se nem os soldados vão para a luta terrestre no Golfo Pérsico, não há papel para um Jeep.
Mas a Jeep quer manter esse carisma guerreiro e desbravador no Renegade. Faz bem. Mas esse carisma, sozinho, não será suficiente para garantir a presença competitiva do Renegade no mercado se ele não ganhar um sistema híbrido altamente eficiente.
Renegade não precisa de novo design
Muita coisa já foi publicada sobre o que a Stellantis vai entregar no novo Jeep Renegade. Espera-se um sistema semi-híbrido (MHEV) de 48 volts, portanto mais potente e mais eficiente do que o polêmico MHEV de 12 volts dos carros mais leves da Stellantis (Fiat Pulse e Fastback, Peugeot 208 e 2008).
Na teoria, um MHEV de 48 volts pode ser suficiente para o Renegade. Mas teoria não é prática. Para realmente ter um futuro seguro no Brasil, o Jeep Renegade vai ter que evoluir tecnicamente. Como um Porsche 911, ninguém espera um design revolucionário, mas a eletrificação será fundamental.
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