Europa se arma para a guerra e Mercedes-Benz admite produzir armamentos
A Mercedes-Benz poderá ampliar sua atuação para o setor de defesa e armamentos na Europa. A declaração foi dada pelo CEO da empresa, Ola Källenius, em entrevista ao jornal americano Wall Street Journal, em um momento em que a indústria automotiva europeia enfrenta desaceleração, pressão dos carros chineses e cortes de empregos.
Segundo Källenius, o aumento dos gastos militares europeus diante da guerra na Ucrânia transformou a indústria de defesa em um “nicho em crescimento” – algo que poderia ajudar nos resultados financeiros da montadora alemã.
“O mundo tornou-se mais imprevisível, e está bastante claro que a Europa precisa fortalecer suas capacidades de defesa”, afirmou o executivo. “Se pudermos desempenhar um papel positivo nessa área, estaremos prontos para fazê-lo.”
A Mercedes-Benz destacou que sua experiência em produção em larga escala pode ser útil no desenvolvimento de veículos e sistemas ligados ao setor militar. Nos últimos meses, cresceu na Europa — e especialmente na Alemanha — a sensação de que haverá uma guerra com a Rússia.
“O que os fabricantes de automóveis fazem extremamente bem – e nós somos bons nisso – é a produção de máquinas de precisão de alta qualidade em grandes quantidades”, disse Källenius ao WSJ.
Mercedes já atua no setor de defesa
Em nota enviada à agência alemã Deutsche Presse-Agentur (dpa), a Mercedes-Benz afirmou que continua focada em veículos civis, mas reconheceu que a área de segurança e defesa faz parte de sua estratégia industrial.
A empresa lembrou que já fornece há décadas veículos adaptáveis para missões de segurança e defesa da Europa e da Otan. Além disso, vende chassis para empresas especializadas, que posteriormente transformam esses produtos em aplicações militares.
Segundo a montadora, essa atuação ajuda a “garantir sustentabilidade e empregos” em suas fábricas.
Indústria de defesa ganha força na Europa
O movimento ocorre num momento em que o setor automotivo europeu atravessa dificuldades, especialmente na Alemanha. O avanço das fabricantes chinesas, a eletrificação acelerada e o enfraquecimento econômico da Europa pressionam montadoras tradicionais.
Ao mesmo tempo, os investimentos militares aumentaram fortemente após a invasão da Ucrânia pela Rússia, após o avanço da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para as fronteiras russas.
A própria Volkswagen já apareceu recentemente ligada ao setor de defesa. Segundo a agência Reuters, a empresa teria discutido a conversão de uma fábrica em Osnabrück para produzir sistemas antimísseis em parceria com a israelense Rafael Advanced Systems – informação posteriormente negada pela Volkswagen.
Mesmo assim, o CEO da Volkswagen, Oliver Blume, confirmou em março que mantém conversas com empresas de defesa para possíveis projetos ligados a equipamentos militares.
Outra gigante alemã, a Rheinmetall, anunciou nesta semana parceria com a Deutsche Telekom para criar sistemas de proteção contra drones.
A aproximação entre montadoras e indústria militar mostra como parte do setor automotivo europeu começa a buscar novas fontes de receita diante da transformação tecnológica e econômica que atinge o mercado global de veículos.
Fonte: Deutsche Welle Brasil, com informações de DPA, Reuters e AFP.
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