Honda cancela 3 carros elétricos em 2026 e aponta China como “culpada”
A Honda Motor enviou um sinal de alerta para toda a indústria automotiva global ao anunciar o cancelamento oficial de três de seus principais lançamentos elétricos previstos para 2026. A decisão, que gerou uma revisão drástica no balanço financeiro da montadora japonesa, interrompe o desenvolvimento do SUV “Série 0”, do sedã “Saloon” e do aguardado esportivo elétrico da Acura.
Foi uma decisão drástica e existe uma “culpada”: a China. Ou melhor: a eficiência da indústria automotiva chinesa. Em um comunicado duro e incomum para os padrões japoneses, a Honda admitiu que não consegue entregar o mesmo custo-benefício que as novas montadoras chinesas.
Honda ia perder R$ 82 bilhões com seus EVs
O motivo do cancelamento não foi falta de tecnologia, mas a incapacidade de competir com os preços praticados por grupos como BYD, Geely, Changan e Chery. A Honda projetava perdas 2,5 trilhões de ienes (aproximadamente R$ 82 bilhões) caso insistisse em colocar os modelos nas ruas com a estrutura de custos atual.
A marca afirmou textualmente que “foi incapaz de entregar produtos que ofereçam valor pelo dinheiro melhor que o de novos fabricantes de elétricos”, referindo-se diretamente à velocidade de desenvolvimento e verticalização da China.
Além do fator chinês, a Honda citou a mudança no cenário regulatório dos Estados Unidos, com o fim de subsídios federais e a flexibilização das normas de emissões. Com o mercado de elétricos desacelerando no Ocidente e as marcas asiáticas dominando o software e as baterias, a Honda optou por “puxar o freio de mão” para não lançar veículos que já nasceriam obsoletos diante da concorrência agressiva de Shenzhen e Xangai.
A Honda confessou que gastou tanto tempo tentando criar esses elétricos para o Ocidente que sua linha de carros na Ásia ficou datada, permitindo que marcas chinesas tomassem sua fatia de mercado até em países vizinhos.
Executivos com salários cortados e foco total em híbridos
Para sinalizar a gravidade da crise, a cúpula da Honda aceitou um corte de 30% nos próprios salários por três meses. O foco agora será redirecionado para o que a marca faz de melhor: a tecnologia híbrida. A estratégia é fortalecer a linha HEV em mercados emergentes, como Índia e América Latina, onde a infraestrutura para elétricos puros ainda é incipiente e a Honda mantém margens de lucro saudáveis, vendendo carros a combustão com nível médio de eletrificação.
Este movimento da Honda é visto por analistas como o primeiro grande “recuo estratégico” de uma gigante tradicional da indústria diante da hegemonia chinesa. O mercado agora aguarda a coletiva de imprensa agendada para maio, quando a montadora promete detalhar como pretende reconstruir sua competitividade.
Fonte: Honda Global Newsroom
Descubra mais sobre Guia do Carro
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
