GP de Mônaco: Antonelli, Hamilton e Hadjar fazem pódio que desafia o tempo da F1
O pódio do GP de Mônaco 2026 compensou a conhecida impossibilidade de ultrapassar com os enormes carros da F1 atual. Um circuito inventado para consagrar a experiência acabou entregando uma das imagens mais bonitas da Fórmula 1: Lewis Hamilton, 41 anos, Andrea Kimi Antonelli, 19, e Isack Hadjar, 21, lado a lado, com bonés iguais, troféus diferentes e uma diferença de idade que contava quase tanto quanto o resultado da corrida.
Antonelli venceu. Hamilton foi segundo. Hadjar herdou o terceiro lugar depois das punições de Pierre Gasly e ainda ficou pendurado numa investigação dos comissários. Mas a fotografia do pódio já tinha dito tudo antes mesmo de a burocracia esportiva terminar seu expediente. Ali estavam três tempos da Fórmula 1. O passado que ainda acelera, o presente dominado pela Mercedes e o futuro que chegou sem pedir licença.
É a segunda corrida seguida que os amigos Kimi e Lewis chegam em primeiro e segundo lugares. Ambos lideram o campeonato com 156 e 90 pontos, respectivamente.
Lewis para Kimi: 5 vitórias, assim você vai me alcançar!
Alguém viu Hamilton dizer a Antonelli, após a corrida: — “Cinco vitórias! Desse jeito você vai me alcançar!”
Hamilton é o recordiosta da F1 com 105 vitórias. Antonelli lidera a temporada 2026 com 5 vitórias consecutivas. Após a prova, junto com Hadjar e antes do pódio, novo diálogo entre os pilotos da Ferrari e da Mercedes
Lewis: — “Alguém me disse lá fora que, somando as idades de vocês dois [Kimi e Isack], eu sou mais velho que vocês dois juntos. Nossa! O negócio é que eu não me sinto assim, o que é meio louco!”
Kimi: — “Você está em ótima forma!”
Lewis: — “Eu me sinto bem. Obrigado, cara. Obrigado, mano. Agradeço!”

A vitória de Antonelli não foi uma vitória qualquer. Foi vitória de pole, de controle e de cabeça fria — todas as voltas na liderança e a volta mais rápida da corrida. Autosport registrou uma corrida que parecia sob domínio da Mercedes até Mônaco resolver ser Mônaco de novo.
Lance Stroll bateu com o Aston Martin na Antony Noghes. Charles Leclerc bateu com o Ferrari no mesmo lugar. O asfalto se esfarelou, a prova parou, a bandeira vermelha apareceu e tudo aquilo que Antonelli havia construído, com quase 30 segundos de vantagem, virou uma relargada parada para oito voltas.
Antonelli tem só 19 anos, mas já corre como um campeão
É aí que Mônaco separa piloto bom de piloto pronto. Antonelli tem só 19 anos, mas não correu como adolescente. Na segunda largada, tinha Hamilton ao lado, com Ferrari, experiência, largada forte e sete títulos mundiais na bagagem. Tinha a Sainte Dévote logo adiante, estreita como um funil e cruel como uma sentença. Mesmo assim, segurou a ponta e fez o que precisava fazer.
Hamilton, aos 41, estava ali como uma espécie de régua histórica. Não apenas porque continua competitivo, mas porque o próprio Antonelli foi anunciado pela transmissão como o mais jovem vencedor em Mônaco desde… Lewis Hamilton. A frase parece simples, mas carrega uma ironia deliciosa: Hamilton virou referência de juventude quando já é o veterano do pódio.
Se o circuito de Mônaco é cada vez mais inadequado para a Fórmula 1, foi ali que se produziu a notícia que viralizou no domingo. O menino de 19 anos vence em Mônaco. O campeão de 41 termina logo atrás, ainda forte, ainda elegante, ainda irritantemente difícil de derrotar. E o jovem de 21 anos, Hadjar, aparece em terceiro, com cara de quem ainda está tentando entender se deve sorrir, respirar ou esperar o veredicto dos comissários.
Hadjar é outro símbolo importante. Não teve o brilho absoluto de Antonelli nem a biografia monumental de Hamilton, mas teve oportunidade, velocidade e sobrevivência. Em Mônaco, isso vale muito e às vezes vale pódio. Gasly chegou à frente dele na pista, mas duas punições por excesso de velocidade no pitlane mudaram a classificação. Hadjar subiu para terceiro, enquanto a Red Bull ainda precisava explicar o que seus mecânicos fizeram durante a bandeira vermelha.
E tem mais: com o abandono de Max Verstappen na largada, por problema no carro, os três pilotos do pódio conseguiram brilhar muito num domingo particularmente ruim para seus companheiros de equipe na Red Bull, na Mercedes e na Ferrari.
Hadjar manteve o resultado porque a equipe interrompeu o procedimento e o carro voltou à condição anterior sem troca de peças. Foi um pódio com suspense, mas não sem mérito. Em Mônaco, ficar inteiro já é parte do trabalho. Isso não muda nada na hierarquia da Red Bull, onde Max é soberano. Mas na Mercedes e na Ferrari esse novo 1-2 de Antonelli e Hamilton botou mais lenha na fogueira.
O inferno astral de Russell e Leclerc teve novo capítulo
George Russell teve mais um domingo ruim na comparação com Antonelli. Já vinha da quinta derrota seguida em classificação para o italiano e terminou apenas em 13º, depois de a Mercedes não cumprir corretamente uma penalidade de 5 segundos e ele receber um drive-through. O contraste ficou cruel: de um lado, Antonelli fazendo pole, ritmo e vitória; do outro, Russell procurando explicação para pneus, estilo de pilotagem e perda de confiança.
Na Ferrari, o contraste também pesou. Hamilton saiu de Mônaco com um segundo lugar importante e dois pontos à frente de Russell no campeonato. Charles Leclerc saiu de casa com a frustração de quem teve velocidade na sexta, reclamou de freios inconsistentes no sábado e terminou a corrida no muro no domingo. Em Monte Carlo, nenhum detalhe fica escondido. O guard-rail cobra, o cronômetro confirma e o companheiro de equipe vira a primeira referência.
Charles saiu arrasado e reclamando de tudo. Após soltar dois palavrões contra os freios e dizer que não era culpa dele, após a pancada no muro, disse mais tarde que o problema nos freios o fez “parecer um idiota” aos olhos do público.
“Há algo de errado com os freios dianteiros; eles falharam muito mais do que eu imaginava, e os freios traseiros não tiveram nenhuma desaceleração. Eu estava sem freios traseiros, e é com isso que tenho lidado nas duas últimas corridas. Havia algumas diferenças entre os carros, mas não acho que isso seja uma desvantagem para mim”, disse Leclerc.
“Em Montreal, com os pneus frios, a inconsistência e os pneus mais sensíveis e no limite… tudo tem sido um verdadeiro pesadelo, e estou pensando bem antes de falar. Não tenho muito o que dizer, mas hoje pareço um idiota, e quando você parece um idiota por um erro seu, tudo bem, mas é quase perigoso”.
Para Russell e Leclerc, os problemas são, curiosamente, opostos. George está perdendo para Kimi, que foi considerado jovem demais para estar na F1. Charles está perdendo para Lewis, que foi considerado velho demais para estar na F1.

A imagem do pódio, com os jovens Kimi e Isack, com 40 anos somados, juntos com Lewis aos 41, mostra que Hamilton poderia ser pai esportivo de Antonelli e Hadjar. Quando Lewis estreou na Fórmula 1, em 2007, Antonelli ainda era bebê e Hadjar tinha 2 anos. Quando Hamilton conquistou seu primeiro título, em 2008, os dois ainda estavam longe de imaginar o peso de um fim de semana em Monte Carlo.
Mas a diferença de idade conta só metade da história. A outra metade está na velocidade com que a Fórmula 1 troca de pele. Hamilton foi o futuro um dia. Depois virou presente absoluto. Agora é memória viva, mas se recusa a ser peça de museu. Antonelli e Hadjar são o futuro, sim, mas já não são promessa distante. Estão no pódio, estão bebendo champanhe e estão disputando com gente grande.
Hamilton igualou um recorde de Senna: 8 pódios em Mônaco
Antonelli, com sua quinta vitória seguida e ampliou a vantagem no campeonato e comprova que a Mercedes tem nas mãos um piloto que parece ter pulado algumas etapas da formação tradicional. Não porque seja imaturo, mas justamente pelo contrário.
Hamilton, por sua vez, mostrou que idade não é decadência automática, pelo contrário. É repertório, é leitura de corrida, é saber que Mônaco não permite pressa burra. Mesmo com uma penalidade no pitlane, mesmo diante de uma Mercedes superior, ele colocou a Ferrari no segundo lugar e saiu do Principado na vice-liderança do campeonato e com o oitavo pódio em Mônaco (igualando Ayrton Senna).
E Hadjar, com 21 anos, completou a foto do intervalo geracional. Não era apenas um terceiro colocado. Era o outro garoto do retrato. Se Antonelli representava o talento já transformado em vitória, Hadjar representava o talento ainda atravessado por sustos, investigações e aprendizado. Normal. Piloto jovem não nasce pronto. Só Antonelli, em Mônaco, resolveu contrariar essa regra.
No fim, o pódio do GP de Mônaco de 2026 foi mais do que uma classificação. Foi uma crônica pronta. Um homem de 41 anos, um jovem de 19 e outro de 21 dividindo o mesmo degrau simbólico da Fórmula 1.
Hamilton olhava para o que ajudou a construir. Antonelli olhava para o que começa a dominar. Hadjar olhava para o que ainda pode conquistar. E Mônaco, com sua beleza antiga, seu circuito inconveniente e suas armadilhas de sempre, parecia dizer que a Fórmula 1 continua sendo a mesma justamente porque nunca é igual. No lugar onde ultrapassar é quase impossível, o tempo ultrapassou todo mundo.
Descubra mais sobre Guia do Carro
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
