GP da Rússia suspenso. O que pode vir por aí?
Na quinta-feira, Mattia Binotto, chefe de equipe da Ferrari declarou que “o GP da Rússia é somente em setembro, então tem muito tempo até lá”. Mas haveria uma reunião da F1, FIA com os responsáveis de cada time para analisar o cenário surgido da invasão russa à Ucrânia.
Nesta sexta, a F1 divulgou o seguinte comunicado, aqui traduzido por nós:
“O Campeonato Mundial de F1 da FIA visita diversos países pelo mundo com uma visão positiva de unir pessoas, trazendo nações juntas.
Assistimos os desenvolvimentos na Ucrânia com tristeza, choque e na esperança por uma rápida e pacífica resolução da atual situação.
Na tarde de quinta, F1, FIA e os times discutiram a posição do nosso esporte e a conclusão é que, incluindo a visão de todos os principais envolvidos, é impossível sediar o GP russo nas atuais circunstâncias”
A nota é nos limites da diplomacia. Mas, ao contrário do que se esperava, a F1 não seguiu a posição mais efetiva de outras federações esportivas, e não declarou claramente o cancelamento da etapa. Mas sim dizendo que, nas atuais circunstâncias, não seria possível a realização.

Então quer dizer que, se a situação se esclareça, teríamos o GP da Rússia? Da maneira que foi redigido o comunicado, há uma brecha para que sim. Em se tratando de F1, não seria nada de novo. Ao longo dos anos, a F1 correu em regimes condenados pelo Apartheid e ligações políticas não muito amigáveis.
No caso específico da Rússia, o lado financeiro pesa bastante. Alega-se que o GP renda à F1 entre US$ 20 a 30 milhões/anuais. As sanções econômicas impostas ao país já vinham desde a anexação da Criméia em 2014 e não houve restrição. Só que agora, o sarrafo subiu: para começar, o VTB Bank, um dos principais bancos locais e patrocinador da prova, foi incluído na lista de restrições europeias e americanas (vai fazer companhia ao SMP Bank).
Já havia aparecido no site da F1 o GP da Turquia como um possível substituto. Com este anúncio, a possibilidade de confirmação deve aumentar, embora não se descarte a possibilidade de outros locais na Europa ou até uma corrida na China.
Outro impacto é sobre a Haas. É público e notório que o time tinha um forte apoio vindo da Uralkali, empresa de fertilizantes capitaneada pelo oligarca Dmitri Mazepin, fazendo até que o carro tivesse as cores da bandeira russa, além de Nikita Mazepin ser um dos pilotos. Com todo o desenrolar da situação, a marca da empresa foi retirada do carro e das instalações da Haas no meio da noite. Ainda que tanto a Uralkali e Mazepin não tenham entrado na lista de restrições ocidentais, a equipe é americana e não quer problemas.

Em entrevistas dadas nesta sexta em Barcelona, Gunther Steiner falou que a situação toda deve ser definida na próxima semana. Mas que o futuro da equipe nesta temporada está garantido.
Aí também se inclui a posição do próprio Nikita Mazepin. Ele foi escalado para andar nesta sexta, mas em suas redes sociais, postou que muitas coisas estão acontecendo e nem tudo está sob seu controle. Aumentam cada vez mais as chances de que o russo perca seu lugar.
Com isso, surgem as perguntas: quem assumiria o posto? Os brasileiros torcem para que Pietro Fittipaldi, o piloto reserva oficial, seja confirmado. Aparentemente, Pietro é bem visto pela equipe e fez um bom trabalho no final de 2020, no lugar de Grosjean. O que pode atrapalhar nisso é o valor de patrocínio que ele traria, já que a Haas precisaria de alguma forma compensar a perda da Uralkali de suas receitas. Nesse quadro, aumentariam as chances de entrar algum piloto da Ferrari na vaga. Em condições, teríamos Antonio Giovinazzi, Callum Ilott e Robert Shwartzman. Ou ainda algum outro pagante para assumir. Até poderia pintar um Oscar Piastri se a Alpine se propusesse a pagar.
A ver os próximos passos desta valsa. Pois não é somente a Rússia afetada, mas toda a economia mundial é atingida, o que significa menos dinheiro circulando. E isso é algo que a F1 não gosta de ouvir…
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