GP do Canadá: Russell e Antonelli disputam quem manda na Mercedes F1

George Russell e Kimi Antonelli: disputa feroz na F1 (Divulgação Mercedes)

Kimi Antonelli fez 1min12s646. Seria sua quarta pole position seguida. Mas George Russell estava “possuído” neste sábado. Superou o tempo do companheiro — e agora cada vez mais rival — por 68 milésimos: 1min12s578. Foi a segunda palmada que George deu no menino Kimi num único dia, após derrotá-lo também na corrida Sprint.

Toto Wolff, nos boxes, voltou a dar aquele sorriso de satisfação por ver seus dois pilotos dando o que têm de melhor e consolidando a hegemonia da Mercedes F1 nesta temporada. Ele já viu esse filme. Lewis Hamilton e Nico Rosberg se destruíram e se empurraram ao mesmo tempo, transformando a Mercedes nos anos mais dominantes da era híbrida.

Wolff sabe que dupla sem tensão é dupla sem velocidade, embora haja dentro da F1 aqueles que defendam o jogo de equipe escancarado e uma hierarquia rígida. Mas quando Antonelli aperta Russell, Russell encontra tempo no limite máximo do Mercedes F1 W17. No último lance do Q3, foi exatamente isso que aconteceu.

Imagem de membros da equipe Mercedes durante um evento de automobilismo, sorrindo e usando fones de ouvido enquanto observam um monitor.
Toto Wolff sorry porque Russell vs. Antonelli lembra Hamilton vs. Rosberg (Divulgação Mercedes)

A pole não foi um atropelo. Foi exatamente o contrário: Russell encontrou 68 milésimos onde parecia não sobrar nada. Antonelli já estava satisfeito com o próprio tempo. George não estava satisfeito com nada e até reclamou do carro no Q1 e no Q2, quando foi batido por Kimi. O inglês sabe que o GP do Canadá é crucial para a sua posição dentro da Mercedes.

A Sprint já havia dado o aviso. Antonelli pressionou sem cerimônia, sem um pingo de respeito pelo companheiro mais velho. Russell aguentou e mostrou suas armas, usando a experiência de seus 28 anos e fechando a porta para o atrevimento do italiano de 19 anos.

Bater um adversário de outra equipe é uma coisa. Bater o companheiro — que usa o mesmo carro, vê a mesma telemetria, conversa com os mesmos chefes e estrategistas — é outra. Senna e Prost sabiam disso. Piquet e Mansell também. A fricção dentro de uma equipe dominante não é um problema a resolver; é o combustível.

No sábado, quando a classificação terminou, a questão sobre quem lidera a Mercedes não estava resolvida. Mas as duas vitórias iniciais de Russell mudaram o tom da disputa. Se fosse há cinco meses, Kimi estaria satisfeitíssimo com o segundo lugar, mas agora sentiu o gosto das vitórias e quer mais. Por isso George está indo para além do Bojador, como diria Fernando Pessoa, ou não conquistará nada.

Montreal vai cobrar o que sempre cobrou: precisão nas frenagens tardias, sangue frio nos muros e cabeça no lugar quando o safety car aparecer — e deve aparecer, principalmente porque as chances de chuva durante a corrida são grandes. Russell larga na frente. Antonelli larga com 68 milésimos de argumento.

Às 17h de Brasília, o cronômetro zera. A batalha de Montreal continua. O GP do Canadá será transmitido ao vivo pelo SporTV, Globoplay e App F1TV Pro.

Grid do GP do Canadá 2026 (F1/Twitter)

*O Cabo Bojador era o limite do mundo navegável para os portugueses do século XV — além dele, acreditava-se, havia monstros. Pessoa usou a imagem no poema “Mar Português” para simbolizar qualquer ato de coragem diante do desconhecido: “Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor”. Russell precisa atravessar o seu.

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