Ferrari Luce: 1º elétrico da marca tem design polêmico e 1.050 cv de potência
Depois de anos de expectativa, a Ferrari finalmente revelou seu primeiro carro elétrico, Luce, nesta semana. Com um visual para lá de polêmico e que gerou uma recepção negativa quase unânime na internet – e até do ex-presidente da marca, Luca di Montezemolo, o novo Ferrari Luce estreia na Europa com até 1.050 cv de potência e parte de 550 mil euros – cerca de R$ 3,2 milhões em conversão direta.
Ao todo, o novo Ferrari Luce oferece até 530 km de alcance e traz quatro motores elétricos – um em cada roda. Os motores traseiros entregam isoladamente 310 kW (421 cv) cada, enquanto os dianteiros fornecem 105 kW (143 cv) cada. A entrega de força é gerenciada pelo e-Manettino no volante, que varia de acordo com o modo de condução selecionado:
- Range: focado em autonomia, limita o carro a 320 kW (435 cv), tração traseira e máxima de 260 km/h.
- Tour: para o uso diário, eleva para 460 kW (625 cv) e tração integral.
- Performance: libera 725 kW (986 cv) com tração integral permanente.
- Launch Control: entrega a potência máxima de 1.050 cv, fazendo o esportivo de 2,2 toneladas acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 2,5 segundos e chegar aos 310 km/h de velocidade máxima.

Design polêmico chamou atenção nas redes sociais
O design é disruptivo com qualquer outro modelo já lançado na história da Ferrari. Desenvolvido em uma parceria entre o Centro Stile da Ferrari e a LoveFrom — empresa de Jony Ive, designer ex-Apple que projetou o iPhone, o Luce tem linhas voltadas à eficiência aerodinâmica. Até por isso, o modelo conta com proporções diferentes dos cupês e conversíveis da Ferrari.
Ao todo, são 5,02 m de comprimento com um coeficiente de arrasto (Cx) de 0,254. A carroceria conta com elementos de SUVs, sedãs e cupês, com linhas mais minimalistas. A dianteira conta com faróis em LED esculpidos em uma grande abertura, que direciona o fluxo de ar para cima e para os lados. As rodas são de 23” na frente e de 24” atrás.

Na lateral, as portas contam com maçanetas embutidas e abertura invertida na traseira. O teto é destacado da cor da carroceria, e adota um aspecto flutuante e futurista. Já a parte de trás conta com lanternas em LED integradas que só aparecem ao ligar o carro. Ao menos, elas trazem o tradicional formato duplo redondo utilizado pelos modelos clássicos da Ferrari.
Interior com pegada retrofuturista
No interior, há elementos que lembram bastante o… iPhone. O novo Ferrari Luce aposta em linhas minimalistas e com estilo retrô, que foram inspirados em esportivos clássicos da marca dos anos 1970 e da Fórmula 1. Os elementos essenciais, como o painel de instrumentos, o painel de controle e o console central, são destacados no interior.
O acabamento adota materiais como alumínio reciclado, superfícies emborrachadas e displays com vidro com a tecnologia Corning Fusion 5 Glass, mais resistente à riscos. O volante é uma reinterpretação do icônico volante Nardi de madeira dos anos 50 e 60, com destaque para a estrutura em alumínio exposta. As borboletas atrás do volante controlam a recuperação de energia em até cinco níveis de regeneração.

Outro destaque é a chave, que é inserida em um console central para ligar o veículo. Ela é feita de vidro e tem até uma tela de E-Ink – como nos leitores e-book do tipo Kindle – para mudar de cor ao inserir a chave no console central, passando de amarelo para preto ao integrar-se com a superfície de vidro do console.
Ao todo, o Ferrari Luce terá três telas: o painel de instrumentos do motorista, o painel de controle e o painel de controle traseiro. Toda a interface multimídia foi redesenhada e traz layout inspirado na tipografia histórica da marca italiana nos anos 50 e 60. O painel de instrumentos se move em conjunto com o volante, otimizando a visibilidade do motorista, sendo uma novidade na linha Ferrari.

Ele incorpora duas telas OLED sobrepostas e combina elementos digitais e analógicos em uma unidade autônoma fixada à coluna de direção e com efeito tridimensional. A maior parte dos botões será física, com peças feitas em alumínio e projetadas para não tirar a atenção do motorista no trânsito ou nas pistas. O porta-malas tem 597 litros de capacidade, a maior na história da Ferrari.
As baterias de 800 volts (feitas em parceria com a SK On) são estruturais e rebaixaram o centro de gravidade do carro em 95 mm na comparação com a Purosangue. Segundo a engenharia da marca, o efeito prático do gerenciamento de torque e do eixo traseiro esterçante faz a Luce parecer 400 kg mais leve, entregando uma agilidade muito próxima à de uma 296 GTB.
O novo Ferrari Luce já está disponível para encomendas na Europa. O modelo elétrico ainda não tem data para chegar ao Brasil, mas deve ocorrer até meados do ano que vem. O preço será superior ao do Purosangue, que custa R$ 8 milhões no mercado nacional.

