Calmon: BYD Dolphin Mini tem seu ponto fraco na suspensão
Embora os R$ 115.800 tenham extrapolado o que se se especulava, ainda assim é competitivo frente aos modelos com motor a combustão e outros elétricos. O Dolphin Mini (nome original, BYD Seagull, soa mal em português) oferece ótimo espaço para ombros, pernas e cabeças para quatro passageiros graças à generosa distância entre eixos de 2.500 mm e ao assoalho plano atrás. Sem previsão de versão de cinco lugares.
No uso urbano, destaque em todo carro elétrico, há alguns pontos negativos. Notei a falta do aviso sonoro aos pedestres, exagerado no Dolphin maior e inexistente no compacto. O motor dianteiro entrega limitados 75 cv e 13,8 kgf·m para uma massa total elevada de 1.239 kg, em razão da bateria. Mesmo que o torque surja de forma quase instantânea, não empolga. Faz falta o limpador do vidro traseiro.
A distância livre do solo de apenas 110 mm atrapalha ao “escalar” lombadas e “mergulhar” em valetas típicas de nossas ruas e até estradas. Os freios estão bem dimensionados, porém em comparação a carros convencionais as distâncias para a parada total são um pouco maiores.
A dirigibilidade fica de certa forma comprometida pelo comportamento atípico das suspensões. Faltou o ajuste fino que a engenharia brasileira desenvolveu por décadas e hoje é referência mundial. Pneus 175/55 R16 não existem no Brasil. Se precisar trocar, só nas concessionárias da marca.

Desempenho e alcance no uso rodoviário são pontos fracos do carro. Ultrapassagens exigem mais atenção porque não há folga de potência. Porta-malas também impõe limites: mesmo sem estepe o volume alcança apenas 230 litros, mas parte disso é ocupado pelos cabos e plugues de recarga. O alcance ficou limitado a menos de 200 km nos trechos de autoestrada, em contraste ao uso urbano em que pode rodar cerca de 300 km facilmente.
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