BYD está fundando a Nova República do Automóvel no Brasil

Projeção da picape baseada no Dolphin (Kleber Silva )

Com crescimento de 50% no ano e com apetite para terminar 2026 com 250 mil carros, BYD é a pá de cal na Velha República

De tempos em tempos a República do Automóvel no Brasil passa por mudanças. Podemos enumerar algumas das últimas décadas, mas nada se compara com o que estamos vivendo hoje. Não se trata de uma revolução, mas no mínimo é a fundação de uma Nova República do Automóvel. E a razão tem três letras: BYD.

Mesmo que o mundo inteiro mergulhasse de cabeça no mundo dos carros plugáveis (BEVs, PHEVs e EREVs), a Velha República do Automóvel estaria intacta se não fosse a ousadia e a determinação da BYD, que, aliás, está fazendo jus ao seu nome (Build Your Dreams, ou Construa Seus Sonhos). Cheguei a essa conclusão não apenas pelos números, mas pelo que vi no lançamento do Atto 8 e do Song Plus Turbo — dois híbridos plug-in.

Existe uma atmosfera de vitória no ar. Uma sensação de que as pessoas envolvidas nesse projeto, sob a liderança do VP Alexandre Baldy, estão realmente empolgadas com a possibilidade de chegar à liderança do mercado brasileiro até 2030. Hoje a marca já está em 5º lugar, à frente da Toyota, depois de conquistar a sétima posição em 2025 com 112,8 mil carros registrados.

A meta da BYD é chegar ao final deste ano com 250 mil vendas acumuladas desde 2022. Segundo a ABVE, atualmente a BYD soma 229,2 mil carros vendidos. Os casos de sucessos são tantos que a montadora chinesa atraiu, ao mesmo tempo, lovers e haters — para usarmos termos da moda.

Um carro elétrico azul estacionado em uma estrada cercada por árvores e folhas secas no chão.
BYD Dolphin: o carro elétrico que abalou a Velha República

O Dolphin foi o carro que quebrou a lógica, bagunçando totalmente a confortável tática das montadoras tradicionais, que vendiam um carro elétrico pelo preço de um rim (ou dois). O Dolphin estreou na faixa de R$ 150 mil e todos os carros BEVs e PHEVs baixaram de preço.

O Song enfrentou (e enfrenta) a forte concorrência do Haval H6, da GWM, e ajudou a populariar o carro híbrido plug-in, especialmente com o conceito de Super Híbrido, que aumenta consideravelmente a duração da bateria e o alcance total.

O Dolphin Mini chegou com um preço ainda mais acessível do que o Dolphin e conseguiu se tornar rapidamente o carro elétrico mais vendido do Brasil. Em fevereiro, foi o líder das vendas de varejo e terminou o mês num incrível 11º lugar — posição notável para um veículo 100% elétrico.

Um apresentador em um evento de lançamento, ao lado de um carro elétrico azul modelo DYO Dolphin, com dados de vendas ao fundo.
Alexandre Baldy, VP da BYD Auto (foto: Sergio Quintanilha)

Se tudo isso não bastasse, a fábrica da BYD na Bahia foi projetada para produzir 600 mil veículos. Por enquanto, a produção é do tipo SKD, ou seja, o carro bem importado da China e termina montado aqui. Cerca de 30% das peças são fabricadas no Brasil. O passo seguinte é a produção em CKD, montagem total no Brasil. Já a fabricação total depende não só de estamparia, o que é mais simples, mas da fabricação de motores elétricos e baterias — e isso é mais complicado.

De uma forma ou de outra, a BYD pretende liderar essa Nova Repúbica do Automóvel. Tanto é que ainda este ano deve lançar um Dolphin híbrido plug-in e talve até a inédita picape anti-Fiat Toro baseada no Song Plus. Também será híbrida plug-in. Desde 2022, a marca chinesa só fabrica EVs e PHEVs — e isso é outro fator que a diferencia de todas as outras.


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