Brasil pode adotar ciclo de emissões inédito no mundo
O consultor Paulo Cardamone, CEO da Bright Consulting, voltou a defender uma visão mais ampla para a eletrificação dos veículos no Brasil. Em artigo intitulado “Como o dragão intimidou as águias, mas não a raposa”, ele analisa o rápido processo histórico da preferência global pelos carros elétricos a bateria.
Segundo ele, o governo dos Estados Unidos se assustou com a crise na indústria automobilística e acabou optando por seguir o modelo da China e da Europa. Cardamone acredita que, apesar disso, o Brasil pode ter outra opção.
“A verdade é que a solução para o futuro da mobilidade sustentável e acessível não será única e exclusiva, pois as matrizes energéticas das diferentes regiões do mundo são completamente diferentes”, afirma Cardamone. Ele diz que essa conclusão fica mais clara com a inclusão de veículos pesados na equação.
“Para o Brasil, por exemplo, que tem uma das matrizes mais limpas do mundo, existem alternativas mais baratas e mais fáceis de serem implementadas e não podemos nos assustar com a falácia de que estaremos, com isso, criando jabuticabas”, afirma.
O CEO da Bright Consulting afirma que um carro híbrido plug-in rodando com etanol no ciclo do poço à roda emite 23g CO2e contra 20g CO2e de um carro elétrico, “com uma bateria 1/3 menor que a de um veículo elétrico puro e sem a necessidade dos bilionários investimentos em infraestrutura”.
“Se tudo correr bem, na regulamentação do novo ciclo da fase 2 do programa Rota 2030, o Brasil será o primeiro país a adotar o novo ciclo do poço à roda no planeta”, comenta Cardamone, que questiona: “Onde está a jabuticaba?”
O consultor automotivo defende a redução dos incentivos aos carros elétricos a bateria e já chegou a afirmar que o Brasil vai dar um tiro no pé se mantiver essa política.
Para ele, uma alternativa para o Brasil seria aperfeiçoar os motores a combustão interna “para uso de combustíveis sintéticos, fomentar a maior utilização de biocombustíveis e investir na tecnologia das células de combustível a hidrogênio”. Os críticos dessa ideia afirmam que o Brasil pode ficar isolado globalmente se insistir nos motores a combustão interna, que não são eficientes (desperdiçam mais de 60% da energia gerada).
Cardamone também faz uma crítica à cultura do país de ser lento em algumas decisões:
“Para um país que não consegue regulamentar uma lei de 1997 para implementar a inspeção veicular, que resultaria na reciclagem de veículos de uma frota antiga e malcuidada, imagine falar nos investimentos necessários para a criação de uma rede de carregamento de alta potência quando há ao redor de 70 milhões de brasileiros que não dispõem sequer de infraestrutura de água potável e esgoto'.
Ainda faz um alerta: "Some-se a isso a necessidade de reciclagem das baterias e temos as condições para a tempestade perfeita”.
Paulo Cardamone finaliza seu artigo defendendo a criação das “nossas assim chamadas jabuticabas e minimizar obstáculos para o incentivo aos veículos híbridos puros e plug-in movidos a biocombustíveis como o mix limpo de nossa matriz energética, seja no abastecimento ou inclusive produção de veículos e componentes, inclusive as baterias”.
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