Anfavea quer volta do imposto para barrar carros chineses
Os carros chineses voltaram a ser uma dor de cabeça para a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. Por isso, o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, defendeu a volta do imposto que pode limitar a importação de carros chineses.
Em relação à presença chinesa no Brasil, o presidente da Anfavea enalteceu as marcas que planejam se instalar como fabricantes, mas ressaltou que é preciso retomar o Imposto de Importação de 35% para modelos elétricos e híbridos, que têm a China como principal país de origem – foram mais de 30 mil unidades apenas neste ano.
“Pode ser de forma gradual, ou por cotas, mas é preciso haver uma regra que incentive e dê previsibilidade à produção local de veículos elétricos”, concluiu Leite, destacando que o Brasil pode ter em breve a mesma situação dos países vizinhos, com mais de 20% de importações chinesas sem a contrapartida da geração local de empregos.
Exportações preocupam
As exportações tiveram alta de 13,8% no mês, mas os números de julho estiveram baixos. Foram 34,5 mil unidades embarcadas, totalizando 292,1 mil no ano, baixa de 12,8% sobre o mesmo período de 2022.
“Além da queda de volumes, o que mais nos preocupa é a perda de participação dos produtos brasileiros nos mercados da América Latina”, alertou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite. “Até 2021, o Brasil era o país que mais exportava para os países vizinhos. No ano passado a China tomou a dianteira, com 21,2% de presença, ante 19,4% do Brasil.”
“Precisamos urgentemente aumentar nossa competitividade para exportar, ou perderemos ainda mais terreno em nossos principais destinos, não só para a China, mas para outros países emergentes da Ásia, como Índia, Tailândia e Indonésia”, afirmou Leite.
Produção e vendas em agosto
A produção de veículos no Brasil teve alta bastante expressiva em agosto e atingiu números que se aproximaram do recorde do ano em um mês. As 227 mil unidades produzidas entre 1º e 31 de agosto só não foram maiores do que as 228 mil registradas em maio, mas representaram alta de 24% sobre julho.
No acumulado de 2023 já são 1,542 milhão de autoveículos produzidos, uma ligeira queda de 0,4% em relação aos primeiros oito meses de 2022.
De acordo com o balanço divulgado pela Anfavea, os emplacamentos recuaram, o que já era esperado com o fim dos descontos oferecidos pelo governo federal para modelos até R$ 120 mil.
Foram 207,7 mil unidades licenciadas em agosto, 7,9% a menos do que em julho, quando houve o recorde do ano.
Exceção aos modelos subsidiados foram 160 mil unidades sem bônus vendidas em julho, contra 205 mil em agosto, ou seja, houve uma leve recuperação do mercado. As vendas acumuladas do ano estão em 1,432 milhão de unidades, volume 9,4% superior ao do ano passado.
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