Anfavea prevê normalização de semicondutores só em 2022

Luiz Carlos Moraes: normalização de semicondutores só em 2022.

A produção de veículos no Brasil se manteve em um patamar estável durante os cinco primeiros meses do ano. O balanço divulgado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) indica que a produção de automóveis em maio foi de 192,8 mil unidades, apenas 1% superior à de abril deste ano. Apesar do número positivo, a entidade reafirmou a preocupação com a crise global de fornecimento de semicondutores. 

De acordo com a Anfavea, a produção de veículos no país se manteve num patamar entre 190 mil e 200 mil unidades por mês desde janeiro, seguindo uma espécie de “teto técnico” justamente pela falta dos semicondutores, que forçou diversas montadoras a paralisarem as linhas de produção temporariamente. Vale ainda lembrar que a entidade já havia alertado sobre essa possibilidade em novembro do ano passado. 

“Esse problema, que deve se alongar até os primeiros meses de 2022, é o responsável pelas paralisações temporárias de parte de nossas fábricas, algumas por períodos curtos, outras mais longos", explica o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes. Dentre os fatores que contribuíram para a escassez de componentes estão o aumento da demanda por semicondutores pelos setores de telecomunicações e computação. 

Escassez de semicondutores tem afetado a indústria automotiva em escala global.
Escassez de semicondutores tem afetado a indústria automotiva em escala global.

Além disso, a concentração da produção de semicondutores na Ásia também foi um dos pontos abordados na entrevista coletiva virtual. “Estados Unidos e países da Europa captaram o sinal de alerta e já estão desenvolvendo políticas industriais no sentido de produzir localmente esses componentes eletrônicos, que são a base de toda a revolução tecnológica do 5G, internet das coisas, automação e outras já em curso”, acrescenta Moraes.

“Existe uma estimativa inicial de perda de 3% a 5% da produção global de automóveis em 2021”, disse Moraes. De acordo com a Anfavea, o estoque de veículos se manteve estável em maio, embora esteja em um patamar baixo desde novembro do ano passado. O estoque atual é de 97 mil unidades, número suficiente para cerca de 15 dias de vendas. Normalmente, a entidade costuma trabalhar com cerca de quatro meses de estoque. 

Uma das preocupações é de como o mercado se comportará a partir do segundo semestre do ano, período em que costuma registrar mais vendas. De acordo com a Anfavea, isso se deve pela estimativa de que a produção global de semicondutores em 2021 não terá a capacidade de cobrir toda a demanda do setor automotivo. Com isso, a falta de carros novos pode ocasionar no aumento da procura por automóveis usados, ou pela decisão de postergar a compra para o ano que vem.

Vendas de automóveis atingiram em maio um patamar próximo ao de 2019.
Vendas de automóveis atingiram em maio um patamar próximo ao de 2019.

Apesar das paralisações na produção, a Anfavea comemorou o crescimento das vendas em maio. Foram licenciados quase 189 mil autoveículos (inclui caminhões e ônibus) no mês passado, um crescimento de 7,7% em relação a abril. Além disso, a exportação de carros subiu ainda mais. Cerca de 37 mil carros foram embarcados, 9,1% a mais do que no mês passado. No acumulado até maio, os licenciamentos chegaram a 891,7 mil, e as exportações a 166,6 mil, números que se aproximam do patamar atingido em 2019, antes da pandemia.
 

 


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