Anfavea: indústria vendeu 2,204 milhões de carros e comerciais leves

Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea: elogios ao Programa Mover

A indústria automobilística vendeu 2,204 milhões de carros de passeio e comerciais leves no ano passado. A informação divulgada nesta quarta-feira, 10, pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Houve um pequeno crescimento de 1,3% em relação ao ano anterior.

Segundo Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, o crescimento da indústria automobilística foi contido por dois fatores: 1º) queda de 16% nas exportações, especialmente da Argentina; 2º) aumento de 29% nas importações, especialmente de carros híbridos e elétricos.

A produção de caminhões e ônibus caiu 37,5%, em função dos custos mais elevados das novas tecnologias de controle de emissões (Proconve 8). Na somatória de veículos leves (carros e comerciais) e pesados (caminhões e ônibus), a produção totalizou 2,325 milhões de autoveículos, volume que representou um leve recuo (-1,9%) em 2023.

Segundo a Anfavea, os melhores resultados do setor foram obtidos nas vendas ao mercado interno de veículos leves, com 2,180 milhão de unidades, alta de 11,2%. Acrescentando caminhões e ônibus, os emplacamentos de autoveículos chegaram a 2,309 milhão de unidades, ou 9,7% a mais que no ano anterior.

O balanço anual das exportações trouxe um fato inédito. O México foi o principal destino das exportações brasileiras (32% do total), posição que historicamente a Argentina jamais havia perdido. Além da maior presença de produtos brasileiros no México (8% do total), o mercado local cresceu 24,4% no ano.

A Anfavea registrou aumento de exportações para apenas dois países: México com 51% e Uruguai com 5%. Nos outros mercados as quedas foram fortes, como na Argentina (-16%), no Chile (-57%) e na Colômbia (-53%). No balanço, o Brasil vendeu 403,9 mil veículos (-16%).

Argentina e Programa Mover

Márcio de Lima Leite disse que algumas montadoras devem sentir o aumento do custo de importação dos carros fabricados na Argentina. Pode haver queda no volume de importação do país vizinho. Isso porque o governo Milei aumenmtou o imposto de exportação para todos os produtos fabricados na Argentina, de 7% para 17,5%.

O presidente da Anfavea também elogiou de forma enfática o novo Programa Mover, instituído pelo governo Lula no finalzinho do ano passado. Lima Leite afirmou que nenhum país tem um programa de descarbonização tão completo como o Brasil. Na visão dele, o Mover não deve ser visto como renúncia fiscal, mas sim como incentivo ao investimento.

Ele disse que as montadoras vão precisar investir e que isso é bom, pois deixará o Brasil mais competitivo para exportar autoveículos. “Não podemos fugir da responsabilidade de investir em novas tecnologias de descarbonização”, disse Lima Leite.

Durante a entrevista coletiva, o Guia do Carro perguntou ainda se o Mover dá mais vantagens para fabricar um carro elétrico ou um carro híbrido flex. O presidente da Anfavea disse que as vantagens são para ambos. “O que ele fez foi equiparar o biocombustível [etanol] com o elétrico”, afirmou. A Anfavea acredita que até abril grande parte do Programa Mover estará regulamentado.

 


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