Anfavea: Brasil vai vender mais de 3 milhões de veículos pela 1ª vez desde 2014
“Temos boas e más notícias”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), ao revelar a revisão das estimativas da indústria automotiva para 2026. A boa notícia, segundo Calvet, é que o Brasil vai ultrapassar 3 milhões de veículos emplacados pela primeira vez desden 2014. A má notícia, na visão da Anfavea, é que a estimativa de produção não vai acompanhar esse ritmo.
Segundo a Anfavea, o crescimento dos emplacamentos será de 12,1% este ano, passando de 2,690 milhões para 3,014 milhões. Mas só os veículos leves vão crescer (+13,0%), enquanto os veículos pesados terão queda (-6,0%). Quanto às exportações, a Anfavea prevê um recuo importante (-12,8%), passando de 529 mil para 462 mil unidades.
A produção local vai crescer, mas entrou no bloco das más notícias porque o avanço vai ser pequeno. A Anfavea previa crescer 3,7% e agora refez a previsão para 5,8%, passando de 2,644 milhões para 2,798 milhões de veículos produzidos no país. Calvet destacou que historicamente a produção sempre acompanhou o crescimento das vendas.
Velocidade do crescimento incomoda
Como tem sido corriqueiro, o presidente da Anfavea mostrou dados que mostram o avanço impressionante das marcas chinesas, que importam veículos da China — inclusive para a montagem final no Brasil nos sistemas CKD e SKD (totalmente desmontados ou semidesmontados). “Chama atenção a velocidade do crescimento dos carros vindos da China”, disse Calvet.
Em um ano, o volume de carros chineses passou de 71 mil unidades para quase 141 mil, segundo a Anfavea. Mesmo entre os eletrificados, dos 245 mil veículos emplacados, 146 mil foram importados (+70,6%), 54 mil foram produzidos no país como CKD/SKD e apenas 45 mil são veículos produção local — são os modelos MHEV da Stellantis e os HEV da Toyota.
Carro brasileiro está perdendo espaço
Os carros brasileiros estão perdendo espaço no mercado — não só no Brasil, mas também na Argentina. Calvet apresentou os dados desse movimento com preocupação e fez referências à isenção de tarifas para uma cota de CKD/SKD. O Guia do Carro perguntou ao presidente da Anfavea se essa recorrente reclamação contra as tarifas “não é uma luta inglória”, considerando que não só consumidores brasileiros, mas também argentinos, estão comprando menos carros brasileiros.
“Não acho que seja uma luta inglória”, disse Calvet. “Estamos lutando por condições de iguais de competitividade.” O executivo que representa as montadoras tradicionais afirmou que considera normal o início da produção local em CKD/SKD quando surge umja nova tecnologia, que há uma série de combinações que colocam em risco a permanência de algumas empresas no Brasil.
Dados de emplacamentos em 2026 e 2025
Veja no quadro abaixo os dados oficiais de emplacamento de veículos leves e pesados. O primeiro semestre de 2026 fechou com 1,140 milhão de veículos (+17,5%). O setor que mais cresceu foi o de automóveis de passeio (+22,3%), chegando a 879 mil unidades emplacadas.

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