Review: Volkswagen Tiguan é o melhor da tradição alemã e vira símbolo do fetichismo
Uma semana de convivência com a terceira geração do Volkswagen Tiguan foi suficiente para comprovar que este SUV familiar traz o melhor da tradição alemã. Um motor potente, um rodar precioso, um ajuste de suspensão perfeito e sensação ao volante que mistura confiança, prazer, status e segurança. O novo Tiguan tem todos os elementos que transformaram este Volkswagen num dos SUVs mais admirados do mundo — e um dos mais vendidos também.
É bem verdade que algumas soluções não foram boas, como o “controle deslizante” do ar-condicionado, quando bastava um botão para mudar a temperatura da cabine. Menos mal que ele tem comando de voz e três zonas — e isso foi útil, pois estávamos em três pessoas e cada um de nós tinha uma demanda para a temperatura. Mas isso é um detalhe de somenos. O Tiguan deve ser analisado pela essência — e sua essência é a dirigibilidade superior numa categoria de carros poucos apaixonantes.
Bem, era assim até algum tempo atrás. Tanto que o Volkswagen Tiguan chegou a ser o SUV mais vendido do mundo. Hoje ocupa o 5º lugar no ranking global. As coisas mudaram. O Tiguan também mudou… em outros países.
Tiguan R-Line “do Brasil” tem 272 cv e tração integral
Para o Brasil, a Volkswagen decidiu trazer uma inédita configuração R-Line 350 TSI equipada com motor 2.0 turbo, câmbio automático de 8 marchas com dupla embreagem, tração integral 4Motion, 272 cv de potência e 350 Nm de torque. A cavalaria é entregue de 5.000 a 6.500 rpm e a força total fica disponível entre 1.900 a 5.400 giros. É simplesmente o Tiguan mais potente do mundio no Brasil. Bom, né?
Sim, e por isso a Volkwagen recebeu 3.000 pedidos do novo Tiguan a R$ 299.990 em apenas 12 minutos. Só que esse papel que a Volkswagen destinou a ele — um carro clássico para poucos — não faz jus ao seu potencial. O Tiguan dá um banho de dirigibilidade e tradição em modelos chineses que estão vendendo como banana em sua categoria. Por isso, o “problema” do Tiguan não é o que ele tem; na verdade, não tem, é um SUV quase perfeito. O “problema” é o que ele não tem.

O Volkswagen Tiguan não tem nada de eletrificação. Nada, nadica de nada, como se dizia popularmente. E isso não combina com duas coisas. Primeiro, não combina com o que se espera de um carro superior da Volkwagen, mesmo no Brasil. Segundo, não combina com o que o grande público quer. Por isso, para falar de Tiguan, é preciso tirá-lo da briga de mercado e enxergá-lo mesmo como um exemplo daquilo que Marx e outros filósofos chamam de “fetichismo da mercadoria”. Ele é desejado pela mítica que se criou por sua presença.
Se for escolhido com uma das cores especiais (Cinza Ascot e Preto Mystic), o preço sobe para R$ 303.960 e de quebra vem revestimento em couro com acabamento marrom, retrovisores externos em preto e maçanetas na cor do veículo. Fica ainda mais exclusivo.
Falta de eletrificação é o único pecado do Tiguan
Pelo posicionamento atual, o Volkswagen Tiguan cumpre no máximo uns 60% do que se espera de um automóvel moderno. Ele leva e traz com segurança, conforto, prazer ao dirigir e confiabilidade. Não sofre com os “perrengues” de carregamento, não obriga seu usuário a ter um aplicativo de eletroposto, não causa a mínima “ansiedade da autonomia”, pois roda 714 km fazendo 12,1 km/l de gasolina na estrada. Na cidade, faz 8,9 km/l.
Mas, por outro lado, a cada quilômetro rodado deixa um rastro de 134 g de CO2, o gás que causa efeito estufa no planeta. Em 100 km são 13,4 kg de CO2. Em 1.000 km, 134 kg. Se o dono rodar 10.000 km por ano, serão 1.340 kg (ou 1,34 tonelada) de CO2. Dados do PBEV com projeções do Guia do Carro. O Toyota RAV eletrificado, com e missão de 88 g/km de CO2, chega a fazer 16,1 km/l na cidade e 13,5 km/l na cidade, porém custa R$ 20 mil a mais.

Sob o ponto de vista tradicional, o Volkswagen Tiguan é um carro excepcional. É bom de dirigir, faz ultrapassagens rápidas, tem um painel de instrumentos digital ultramoderno (Cockpit Pro de 10,25″) tem uma enorme tela multimídia central, conexão rápida, bancos com ajustes de posição de temperatura, acabamento refinado, 6 airbags, 11 sistemas ADAS (nível 2) para máxima segurança, porta-malas de 459 litros (423 litros VDA), direção elétrica, freios a disco ventilados e suspensão independente nas quatro rodas e pneus 225/45 R19.
Dirigibilidade excelente e 0 a 100 em 7,4 segundos
É um carro elevado (216 mm de vão livre e 1,669 m de altura), largo (1,866 m), comprido (4,695 m) e espaçoso (2,792 m), e que recebeu um trabalho excepcional da Engenharia da Volkswagen, por isso é estável, previsível, tem pouca rolagem da carroceria nas curvas e acelera de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos. Para os mais empolgados, chega a 210 km/h de velocidade máxima. Enfim, um SUV grande de 5 lugares com o melhor da tradição automotiva alemã.
Um mérito indiscutível e que não surpreende a mais ninguém. Agora queremos um Volkswagen Tiguan com tudo isso… mas eletrificado. Queremos um Tiguan assim, mas que não emita um grama de CO2 quando estiver no trânsito urbano. Queremos um Tiguan que possa colocar a Volkswagen em pé de igualdade na disputa com as marcas chinesas neste novo mundo, do qual o Brasil faz parte, sim.
Esse carro existe e é vendido na Alemanha como eTiguan (PHEV). Faz de 100 a 120 km no modo elétrico, zero emissão de CO2. Custa cerca de R$ 304.000 sem os custos e tarifas de importação. Infelizmente, no Brasil, esse carro custaria uma fábula. Mas, se a VW do Brasil foi a criativa para trazer um Tiguan inédito, que não existe nem no México nem na Alemanha, quem sabe não pode ter alguma nova boa ideia para unir a tradição e a descarbonização?
Veja aqui a lista completa de equipamentos: VW Tiguan 2027: versões, preços, consumo e equipamentos

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