Indústria automobilística tem o pior setembro desde 2005

Linha de produção do Volkswagen T-Cross

Normalmente a Anfavea realiza suas projeções para as vendas de autoveículos no Brasil pelo comportamento do mercado. Desta vez foi diferente. Devido à falta de semicondutores, atrasos de fretes, falta de contêineres e voos cancelados, a Anfavea revisou sua estimativa de vendas baseada na produção. Uma coisa é certa: os números não serão os que haviam sido previstos anteriormente no final do primeiro semestre.

Setembro foi o pior mês de vendas no Brasil desde 2005. Foram licenciados apenas 155,1 mil autoveículos (automóveis de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus). Houve, portanto, um recuo de -10,2% em relação a agosto e de -25,3% em relação a setembro do ano passado, quando a pandemia de Covid estava em seu pior momento no país. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a dificuldade maior está na produção.

Em 2019, o melhor mês registrou 289 mil autoveículos produzidos. Em 2020, o melhor mês foi de 238 mil. Este ano, além de o melhor mês ter sido de apenas 200 mil autoveículos, nos últimos meses a média de produção tem sido de apenas 160 mil carros. Por isso, a Anfavea reviu suas projeções e apresentou dois cenários, um pessimista (-1%) e outro otimista (+3%). Veja os números na tabela abaixo.

PROJEÇÃO ANFAVEA VENDAS
2020
(x1.000)
2021
PESSIMISTA
(x1.000)
2021
OTIMISTA
(x1.000)
Automóveis de passeio 1.616 1.496 1.550
Comerciais leves 339 410 430
Caminhões 90 120 125
Ônibus 14 12 13
TOTAL  2.058 2.038 2.118

O cenário pessimista prevê uma produção de 460 mil veículos no último trimestre deste ano (+6%). No cenário otimista, a produção será de 570 mil (+10%). De qualquer forma, a crise tem tantos componentes que a indústria automobilística tem tido dificuldades para fazer previsões até a nível global.

Segundo a consultoria IHS Markit, as novas projeções de produção global para este e os próximos anos são as seguintes:
2021 – 75,8 milhões;
2022 – 82,6 milhões;
2023 – 92,0 milhões;
2024 – 97,3 milhões;
2025 – 98,9 milhões.

Somente com a falta de semicondutores, a indústria global deixará de produzir entre 7 e 9 milhões de veículos leves e pesados. Na divulgação dos números, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, disse que ainda haverá novos desafios pela frente, como a volta da inflação. Pela primeira vez, a Anfavea divulgou separadamente os números de vendas relativos a veículos elétricos e híbridos. Em setembro, foram licenciados 267 veículos elétricos e 2.489 híbridos, totalizando 2.756 unidades neste novo segmento.


Descubra mais sobre Guia do Carro

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Dê sua opinião