Hamilton x Verstappen: a disputa no espelho da Fórmula 1

Hamilton x Verstappen foi a grande briga da última semana.

Se você espera ler aqui uma análise do que aconteceu em Silverstone, aconselho você procurar outro texto para ler. Aqui mesmo no Parabólica, há um vídeo com o Lito Cavalcanti, Sergio Quintanilha e a Pri Cestari que fala muito bem sobre o assunto. Muito foi escrito, dito e divulgado. Mas, chega, é hora de olhar além.

Logo após Imola, escrevi uma coluna questionando se realmente teríamos um campeonato, já que tínhamos uma disputa entre Max Verstappen e Lewis Hamilton. Quase na metade, a resposta é positiva. E agora, uma disputa aberta após o choque na Copse.

A Liberty Media está adorando toda a repercussão. Afinal de contas, isso faz bem aos negócios: a repercussão fugiu da “bolha” da categoria, milhares de minutos foram gastos em colunas e vídeos e uma batida entre gênios, que pode render muito mais atenção ainda.

Este ponto sim pode fazer o jogo virar a favor dos americanos. Até algum tempo atrás, as notícias de que a Liberty poderia estar “passando o ponto” vinham se avolumando, já que o negócio não dava o retorno esperado, o que fazia os acionistas questionarem a viabilidade (não se esqueçam que a transação foi estimada em US$ 8 bilhões).

A montagem da narrativa da disputa Hamilton x Verstappen pode ser a cereja do bolo do processo. Um duelo deste tipo tem os elementos para uma montagem épica. E os momentos em que a categoria teve mais alcance foram justamente quando houve um “encontro de titãs”.

Mas não bastam serem os melhores da sua classe. Há a figura do multicampeão, que parece não encontrar seu momento de queda e segue escrevendo uma história de quebra de recordes. Do outro um lado, um jovem “veterano” (Verstappen tem 23 anos e está em sua sétima temporada), cujo talento é reconhecido por toda a F1 e que sabe que sua chegada ao topo é uma questão de tempo.

A impaciência em antecipar o tempo e a fome em gravar em pedra seu nome são os combustíveis desta briga. Como bem disse Toto Wolff neste fim de semana, para dançar um tango, são preciso dois. O jovem leão quer desbancar o senhor da selva. O Rei não quer perder sua coroa. E o bailado segue pelo salão.

São duas coisas que a F1 não vê há tempos: uma disputa tão franca entre iguais e uma passagem de guarda entre gerações dentro das pistas. Para ficar em tempos mais próximos, muitos questionam se Michael Schumacher teve concorrentes à altura. E até mesmo Lewis Hamilton teve este tipo de dúvida, embora tenha se batido com Sebastian Vettel (não são poucos que botam os quatro títulos na conta da Red Bull, mas é conversa para outro dia).

Hamilton e Verstappen são iguais? Certamente. E um é o espelho do outro. O inglês reconhece a impetuosidade e a necessidade de afirmação.  O holandês vê o que pode se tornar, uma meta a alcançar. Um necessita do outro para poder ir além. Hamilton precisava ser provocado. Verstappen quer provar que pode ser grande.

Para esta temporada que se desenha como a melhor da era híbrida e uma das últimas décadas, tudo conspira a favor para o lado financeiro, midiático e até mesmo desportivo. Vamos aproveitar e desfrutar dois grandes desfilando suas capacidades.


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