Ferrari Luce: elétrico de 1.050 cv já nasce sob polêmica inédita em Maranello
A Ferrari nunca sofreu tantas críticas já na apresentação do primeiro modelo elétrico de Maranello. O Ferrari Luce chegará ao mercado mundial só no início de 2027 por nada menos de 550.000 euros, o equivalente a R$ 3,24 milhões – e quase o dobro com os impostos brasileiros.
Desenhado por Jony Ive, antes responsável pelo iPhone da Apple, o Ferrari Luce – luz, em italiano – mistura linhas de sedã e SUV cupê com proporções no mínimo estranhas. As rodas dianteiras de 23 polegadas e traseiras de 24 polegadas, o desenho sem grande inspiração, as lanternas traseiras de simplicidade franciscana e a frente que não atrai olhares formam um conjunto “sem sal”, para dizer o mínimo.
Luca di Montezemolo, que presidiu a Ferrari entre 1991 e 2014, hoje com 78 anos, ressalvou que não deseja prejudicar a marca, “mas esperava que, pelo menos, removessem o símbolo do cavalo empinado daquele carro”. Foi ainda mais cruel: “Certamente, pelo menos, os chineses não vão copiar.”
O interior espaçoso para cinco ocupantes, no entanto, agrada bastante. Além do volante discreto, a tela multimídia de formato quadrado tem ângulo claramente voltado ao motorista. No banco traseiro, ninguém deve reclamar de espaço, embora a abertura das portas em sentido contrário ao tradicional esteja distante de uma aceitação incondicional.
Os quatro motores elétricos, um para cada roda, totalizam 1.050 cv e 991 Nm. Mesmo com a massa em ordem de marcha de extraordinários 2.260 kg, o Luce acelera de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, vai de 0 a 200 km/h em 6,8 segundos e atinge a velocidade máxima de 310 km/h. O alcance médio declarado é superior a 530 km.
A Ferrari afirma que toda a produção do Luce já está vendida até o fim de 2027, mas não adiantou qualquer número. A informação soa como uma tentativa de atenuar os comentários negativos.


