Chevrolet elétrica precisa passar à prática também no Brasil
Desde o segundo semestre do ano passado a GM se descolou de outras montadoras filiadas (ou não) à Anfavea e passou a defender um novo mundo de carros elétricos também no Brasil. De acordo com executivos da GM, a partir de 2035 todos os carros da Chevrolet serão 100% elétricos.
Trata-se de uma decisão importantíssima, pois a Chevrolet é uma das líderes do mercado brasileiro e a GM tem um peso maior do que o de muitas montadoras juntas.
A decisão – que não foi tomada por São Caetano do Sul, mas sim por Detroit – colocou a Chevrolet numa estrada totalmente diferente daquela que é trilhada pela Fiat e pela Volkswagen, para citarmos apenas as marcas líderes. Muitos duvidam que isso seja possível; a GM, não.
Portanto, talvez já tenha chegado a hora de essa crença sair do discurso e passar para ações mais concretas. Há duas formas de encarar o futuro somente com carros elétricos. Uma é apenas importando veículos, como faz a Volvo, e investindo em carregadores, tomando a iniciativa de montar uma infra-estrutura (até porque o governo tem outras prioridades, como reduzir desemprego e a fome).
A outra forma é como a GM está fazendo: discursos. Há inúmeros textos mostrando as vantagens dos carros elétricos sobre os carros a combustão. Digamos que a equipe de comunicação está fazendo a sua parte, mas outros departamentos da GM do Brasil precisam ir além. Não dá para esperar que o país crie condições para um mercado de carros elétricos sem participar da construção dele.

Por óbvio que a GM também tem outras prioridades, que o mercado está difícil, que o Chevrolet Onix perdeu a liderança folgada, que o momento é da Nova Montana etc. Também não passa despercebido o brilhante trabalho que a GM faz em ações sociais, investindo bastante em iniciativas que visam preservar a natureza no Brasil.
Mas a GM não é uma empresa qualquer. Ela é a poderosa General Motors. É dela a iniciativa de vender somente carros elétricos no Brasil a partir de 2035, que está “logo ali” (12 anos). Não foi a Volkswagen nem a Stellantis que defenderam publicamente um mercado só de carros elétricos; foi a GM.
Por isso, pela importância que tem no mundo automotivo, esperamos que a prometida Chevrolet 100% elétrica comece a sair do discurso. O Chevrolet Bolt, por enquanto o único EV da marca à venda no país, tem um preço altíssimo: R$ 329.000. Sabemos que outros EVs chegarão; ótimo.
Mas o comprador de um Bolt não tem em nenhum lugar um espaço para carregar seu carro com a marca Chevrolet ou GM. Recebe um carregador básico, e só. Marcas como Nissan, Renault, BMW, Volvo, Porsche, Audi, BYD e até Volkswagen têm iniciativas que contribuem para criar a infra-estrutura para carros elétricos, que um dia poderá permitir à Chevrolet vender apenas carros elétricos no Brasil.
Talvez porque a ideia não tenha sido dos executivos brasileiros, parece haver uma certa falta de iniciativa nesse sentido. Todas as notícias referentes ao futuro elétrico divulgadas pelo site de imprensa da GM do Brasil são oriundas dos Estados Unidos. No Brasil, nada; somente produtos.

Na verdade, só o Bolt até agora. No Lollapalooza a Chevrolet também apresentou o Bolt EUV, uma interessante proposta de SUV feito a partir do Bolt. Ninguém sabe o preço nem quando será lançado. O que temos de concreto, por enquanto, são ótimos argumentos, que reproduzimos abaixo.
“Carro elétrico é mais fácil e divertido de dirigir.”
“Carro elétrico tem revisão mais barata que de carro popular.”
“Carro elétrico logo vai custar o mesmo que a combustão.”
“90% dos usuários carregam seus EVs em casa ou no trabalho.”
“Impacto de frota EVs na rede de energia seria inferior a 3%.”
“Carro elétrico é 10 vezes mais eficiente que a gasolina.”
Como já cantou Geraldo Vandré, por motivos muito mais importantes do que este colocado aqui, “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Esperamos novidades. Certamente virão, mas quando?
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