Adrian Newey: “Acho que a F1 está indo para o caminho errado”

O projetista da Red Bull não concorda com os passos da F1 para o futuro

Quando o novo regulamento da F1 veio à tona, um dos que acabaram por não se animar foi Adrian Newey, o mandachuva da área técnica da Red Bull. Reconhecido por sua abordagem ousada diante dos desafios técnicos, ele até cogitou deixar a categoria e abraçar outros desafios. Porém, ele segue em frente, mesmo após ter sofrido um grave acidente de bicicleta na Croácia no ano passado.

Em entrevista dada ao jornalista Dieter Rencken ao site racingnews365 (eis o link) , Newey faz uma ligeira análise sobre o regulamento e discorda do rumo que a F1 segue em termos de sustentabilidade e demais aspectos técnicos.

Sobre o novo Regulamento

“Acho que o princípio de tentar ajudar as ultrapassagens pela redução da sensibilidade em relação de um carro seguir o outro é… ok. Acho que isso vai ajudar um pouco a ultrapassar. Não creio que haverá uma mudança significativa, mas ajudará um pouco. Acredito que existem outras maneiras que isso poderia ter sido feito.”

As equipes andarão mais juntas?

“A única coisa que posso dizer é que, na verdade, esta é a maior mudança aerodinâmica na F1 desde que os carros asa foram banidos em 1982. Se você tem uma mudança de regulamento tão grande assim, o que inevitavelmente traz uma série de outras mudanças, nós deveremos espalhar o grid durante nos anos iniciais.”

Newey em seu escritório na sede da Red Bull em Milton Keynes (ING)
Newey em seu escritório na sede da Red Bull em Milton Keynes (ING)

Sobre o peso mínimo

“Trazer os carros para o limite de peso, para muitos times, é um grande desafio, com certeza. Você tem que lembrar que, falando muito superficialmente – e claro que varia de circuito para circuito – isso custa cerca de 3 décimos a cada 10 quilos a mais.”

As novas regras se enquadram na questão da sustentabilidade?

“A realidade é que agora você tem carros que pesam mais de 900 quilos na largada. Então nós podemos considerar isso bem pesado para carros de corrida. Em alguns anos, o limite de peso saiu de pouco menos de 600 quilos, mas carregando 30 a 40 quilos de lastro, e agora usamos 880 quilos,  trabalhando como loucos para chegar aos atuais 795 quilos. Então estes carros estão ficando maiores e pesados e, aerodinamicamente, não eficientes, com um monte de arrasto. É uma pena que a F1 foi para esta direção, porque agora há a oportunidade de ir para o caminho oposto”.

“A F1 segue os carros de rua pelo mesmo caminho errado”

“A direção é a mesma que os automóveis de rua tem seguido. Todo mundo está dirigindo carros cada vez maiores, largos e pesados e todos obcecados se é a bateria ou gasolina. Bem, o grande e único problema é a quantidade de energia que se gasta para mover tudo, não importando de onde ela venha. Ninguém realmente se importa com isso é claro, pois os grandes fabricantes não querem”

“Acho que os carros de F1 deveriam ser leves e focados em eficiência aerodinâmica. Ninguém quer falar sobre a quantidade de energia que é usada para seu veículo andar. Então, muito ridiculamente agora, os fabricantes conseguem ter uma licença se eles fazem seus carros maiores e mais pesados, em termos de emissões de CO2 como fabricantes. Qual é a lógica neste caminho?”


Descubra mais sobre Guia do Carro

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *