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Tesla Cybercab, o robotáxi de Elon Musk, foi apresentado com anticlímax no Texas
Marca de Elon Musk lança serviço “Robotaxi” em Austin, no Texas, mas o evento foi pífio, só com influenciadores e o carro não empolgou

Tesla Cybercab (Divulgação)
Um grande anticlímax marcou o evento da Tesla que, finalmente, apresentou ontem a versão comercial de seu Cybercab, robotáxi com o qual o trilionário Elon Musk ingressa no transporte de passageiros por aplicativo, reforçando o reposicionamento da marca como uma empresa de inteligência artificial (IA) e robótica, portanto, mais do que um mero fabricante de veículos elétricos (EVs).
Horas antes da apresentação oficial, que aconteceu a portas fechadas em Austin, no Estado norte-americano do Texas, que é a “casa” da Tesla, as ações da empresa dispararam quase 5,5% num único dia, para depois caírem 6,2% nesta sexta-feira. A alta dos papéis elevou a capitalização de mercado da empresa para próximo de US$ 1,5 trilhão, caindo depois para US$ 1,39 trilhão (R$ 7,1 trilhões), o que ainda representa um valor maior que o de todas as outras montadoras do mundo, somadas!
A ênfase no aspecto financeiro tem uma explicação até simples, já que a Tesla registrou apenas 45 unidades do Cybercab no Texas e ainda não se sabe quantas delas irão transportar passageiros, efetivamente – a imprensa especializada norte-americana estima que pouco mais de 400 unidades saíram da linha de produção até agora.
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“O Cybercab dourado representa mais do que uma versão do Model Y modificada para este projeto-piloto. O novo modelo é fundamental para a marca alcançar a Waymo, líder em transporte autônomo por aplicativo, e se reinventar”, avalia o influenciador Charles “Chuck” Cook, militar reformado da Marinha norte-americana, comandante do Airbus A21 e pioneiro em testes do sistema ‘full self-driving’ (FSD) de condução autônoma da própria Tesla.

Em termos de produto, trata-se de um EV dourado com apenas dois lugares, sem volante nem pedais, sem retrovisores e com portas que se abrem verticalmente (tipo ‘tesoura’). É o veículo mais leve (1.412 quilos) e com maior autonomia (219 cv de potência e 670 quilômetros de alcance).
“Foi um evento incomumente discreto, sem transmissão ao vivo, sem jornalistas e com uma lista de convidados muito curta, composta principalmente por criadores de conteúdo pró-Tesla”, conta Cook. Mas se o objetivo era atenuar as críticas, não funcionou. “Me fizeram assinar um termo de confidencialidade, em que concordava com um embargo e me obrigava a esperar até o término do evento para publicar qualquer conteúdo”, completou o influenciador.
“Futuras oportunidades”
A Tesla lançou um site para seu serviço “Robotaxi”, que inclui as regras para os usuários, bem como a restrição para crianças menores de 13 anos. Vídeos destacam o interior, a performance em ‘crash tests” e a acessibilidade do Cybercab. “Há dois anos, Elon Musk disse que o modelo estaria disponível para compra, por um preço próximo de US$ 30 mil – o equivalente a menos de R$ 155 mil.
Mas a empresa não divulgou quando ele será lançado, comercialmente”, conta Cook. Há, apenas e tão somente, um formulário online para interessados em “futuras oportunidades”, como a compra de uma frota de Cybercabs ou a construção de “centros de mobilidade e infraestrutura”. A montadora assegura que, em sua fábrica texana, pode produzir 125 mil unidades anuais do novo AV, mas Musk é um mentiroso contumaz e nunca é demais lembrar que ele vinha prometendo seu robotáxi há dez anos.
Com os novos Cybercab apresentados ontem, a Tesla agora possui 256 veículos autônomos (AVs) não supervisionados em operação em seis cidades norte-americanas, bem menos do que os mais de 4.000 AVs que a líder Waymo, da Alphabet (dona do Google e do YouTube), opera atualmente em 14 cidades norte-americanas.
Em 2025, a Tesla testou seu serviço de robotáxis, no Texas e na Flórida, usando dezenas de Model Y modificados, alguns supervisionados por motoristas de segurança humanos e outros, não. Agora, ela avança para uma segunda fase, mais arriscada, em que põe à prova a abordagem simplificada e menos dispendiosa de Musk para a condução autônoma.

Seu grande diferencial em relação à concorrência é a ausência de radares e do sistema LiDAR. “A questão mais importante, aqui, é saber se a abordagem minimalista da Tesla, usando apenas câmeras e seu software FSD, possibilitará um transporte autônomo realmente seguro. Waymo e Zoox utilizam tecnologias adicionais, enquanto Rivian e a Lucid estão adotando uma abordagem multissensorial. Por enquanto, as evidências são pouquíssimas e tudo que temos é o marketing da Tesla”, analisa o professor pós-doutorado (PhD) de planejamento urbano e economia da Universidade californiana de San Francisco, William Riggs.
Lições da Waymo
Pouco antes do lançamento do Cybercab, a Waymo publicou um artigo sobre dez lições aprendidas com seu sistema de direção autônoma, chamado Waymo Driver. A publicação questionava indiretamente a abordagem minimalista da Tesla. “Câmeras são incríveis, mas não são suficientes”, observa o vice-presidente da operadora, Srikanth Thirumalai.
“Ao combinar informações de câmeras, radares e LiDAR, o Waymo Driver cria uma visão de mundo realista e redundante que nenhum sensor individual consegue replicar”, garante Thirumalai. A Waymo publica, regularmente, seus dados de segurança e assegura que seus AVs são mais seguros do que motoristas humanos nas cidades em que opera, reduzindo a média de ocorrências em mais de 80%.
Já a Tesla não publicou dados de segurança detalhados comparáveis para sua frota de robotáxis. O site independente “Robotaxi Tracker” lista 45 relatos de incidentes envolvendo AVs da marca, até julho deste ano, sendo os mais comuns esbarrões durante mudanças de faixa e colisões com barreiras fixas de estacionamento. Quatro desses incidentes resultaram em ferimentos leves, segundo o site. De qualquer forma, a Tesla planeja lançar seu serviço “Robotaxi” em Phoenix e Las Vegas. No início de setembro, a Waymo adicionou Denver, San Diego e Tampa às suas áreas de atuação.
O leitor que chegou até aqui não deve criar expectativas sobre a chegada de qualquer destes operadores por aqui. E que a falta de regulação (vulgo, legislação específica) para o transporte autônomo e a péssima infraestrutura viária brasileiras inviabilizam a oferta do serviço.
Para além das questões legais e de tráfego (ruas esburacadas e mal sinalizadas), o baixíssimo custo da mão de obra dos motoristas parceiros inibe o avanço para um modelo diferente do trabalho precarizado. Trata-se de uma limitação econômica, basicamente, em que o retorno dos altos investimentos seria muito demorado. Por enquanto e sabe-se lá até quando, seguiremos no Terceiro Mundo, no subdesenvolvimento.

















