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Soma dos elétricos Dolphin Mini e Dolphin supera vendas do líder Fiat Strada pela primeira vez
Com 15 mil vendas no mês passado, dupla da BYD ultrapassa picape da Stellantis e, pela primeira vez na história, EVs aparecem na liderança

Dolphin Mini é o 5ª no ranking geral (Divulgação BYD + IA)
Pela primeira vez na história, dois veículos elétricos dominaram as vendas mensais no Brasil, com a dupla da BYD formada por Dolphin e Dolphin Mini superando Fiat Strada e fechando agosto na liderança nacional, com 15 mil unidades emplacadas. O resultado, somado a mais uma alta na participação das marcas chinesas no país, que agora ultrapassa os 23%, torna a vida dos negacionistas cada vez mais difícil.
Isso porque ninguém em sã consciência consegue contraditar a disparada de quase 135% que híbridos leves (sem recarga externa), híbridos plug-in e EVs, além dos modelos com autonomia estendida (EREVs), registram nos oito primeiros meses de 2025. “O mercado brasileiro, como um todo, encerrou agosto de 2026 com 262 mil unidades vendidas, queda de -0,9% em relação a julho, mas avanço expressivo de 22% sobre o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, o setor chega a 1,88 milhão de unidades e crescimento de 19,3%”, pontua o diretor de negócios (CBO) da Bright Consulting, Fernando Pfeiffer.
Para ele, o bom desempenho do mercado é sustentado um uma combinação de fatores: “A combinação de estabilidade do índice de confiança do consumidor, o avanço acelerado dos eletrificados, que responderam por 24,3% dos emplacamentos em agosto, a forte entrada das marcas chinesas e um movimento estrutural inédito”, pontua Pfeiffer. “Compradores que, até agora, optavam por seminovos têm migrado para modelos chineses zero-quilômetro, atraídos pela combinação de preço competitivo, alto nível de conteúdo e garantias mais longas”, complementa.
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A BYD foi, mais uma vez, o grande destaque mensal, com 24,4 mil unidades vendidas e uma fatia de 9,3% do bolo (dobrou nos últimos 12 meses), resultado que coloca a General Motors, definitivamente, na alça de mira dos chineses – recentemente, a BYD tomou a quarta posição da tabela da Hyundai e, agora, vai para cima da GM. A Great Wall (GWM) foi até melhor que a conterrânea, já que, no mês passado, suas vendas cresceram absurdamente, 150%, em relação a agosto de 2025.
Já a Jeep segue em “modo de espera”, pronta para se juntar às primas Peugeot e Citroën na derrocada, com quem compartilha plataformas e “espírito”: sua participação caiu quase um ponto percentual (de 4,2% para 3,4%) e, da oitava posição que ocupava, no ano passado, caiu para o décimo lugar.
Elétricos puros
Os EVs, que são os elétricos puros, seguem como preferência nacional, na virada da eletromobilidade. Dos 63,7 mil eletrificados licenciados em agosto, 27,1 mil foram EVs, 19,8 mil foram híbridos plug-in, 9,7 mil foram híbridos leves (sem recarga externa) e 601 foram EREVs – os micro-híbridos, que são modelos equipados com superalternadores e considerados “elétricos de mentirinha” registram 6,4 mil unidades.
A participação de 24,3%, já mencionada no terceiro parágrafo, é um novo recorde e as vendas de 63,7 mil unidades correspondem a mais que o dobro (alta de 155%) dos 24,7 mil eletrificados registrados no mesmo mês de 2025. “Até dezembro, os emplacamentos de veículos eletrificados passarão das 400 mil unidades, batendo todos os recordes da série histórica e consolidando a eletromobilidade no país”, projeta o presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e diretor de relações institucionais GWM, Ricardo Bastos.
A exemplo do que ocorre na China, onde o governo é indutor da indústria automotiva, o executivo ressaltou a importância do Mover, programa lançado pelo nosso Ministério do Desenvolvimento (MDIC) em 2024, estabelecendo as bases para o desenvolvimento sustentado da eletromobilidade no Brasil. “Graças ao Mover, reinauguramos três fábricas que estavam fechadas e que já produzem EVs e modelos híbridos no Brasil, com conteúdo local”, lembrou Bastos, se referindo às plantas da GWM, em Iracemápolis (SP), e da BYD, em Camaçari (BA), bem como ao Polo Automotivo do Ceará, em Horizonte.
Um detalhe interessante é que 103, de cada mil carros de passeio e comerciais leves vendidos no Brasil, em agosto, foram modelos 100% elétricos. E o encorajamento do consumidor se dá não apenas pela combinação de tecnologia e economia, mas também pelo crescimento do número de eletropostos para recarga que, nos últimos dois anos, vêm apresentando de pelo menos 20% a cada trimestre – hoje, são mais de 25,4 mil pontos públicos de recarga, em que pese o fato de quase 60% deles se concentrarem nas regiões Sul e Sudeste; menos de 3,5% estão na região Norte.
Outros destaques de agosto foram o BYD King que, com mais de 35% de participação entre os sedãs, apareceu na frente do Toyota Corolla, no mês passado; o Volkswagen Tera, que vem escalando para se tornar o modelo mais vendido da VW no país, e o Geely EX2 que, até com certa discrição, firma o pé como produtos mais vendido pela rede de concessionária Renault – o “EVzinho” é montado e comercializado pela parceira francesa, no Brasil.
Uma curiosidade é que, se voltarmos dez anos no tempo, metade dos líderes nacionais daquela época (Ford Ka, Fiat Palio, Chevrolet Prisma, Volkswagen Gol e Renault Sandero) foram descontinuados e, hoje, são apenas uma foto na parede.













