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Voyah Courage: conheça o Dongfeng que pode estar nos planos da Stellantis
Longe dos planos para o Brasil, eSUV com mais de 540 cv tem alcance de 650 km, sem necessidade de recarga das baterias e preço bom na China

Voyah Courage (Divulgação Dongfeng)
O Dongfeng Box ou Nammi 01, dependendo do mercado em que é comercializado, é o EV compacto mais cotado para nacionalização, com a chegada da estatal chinesa – a menor das “Quatro Grandes” – como DFM. O que pouca gente sabe é que a montadora de Wuhan é uma das mais antigas da China, dona de outras cinco marcas, sendo a Voyah a mais sofisticada delas e o Courage, seu eSUV destinado para os mercados internacionais – frise-se que este é o primeiro produto da companhia desenvolvido como um veículo global.
Com preços a partir de 202.900 yuans (o equivalente a justíssimos R$ 155 mil), o modelo se orgulha de ser um concorrente direto do Model Y, da Tesla, ostentando atributos que, se não lhe conferem o mesmo prestígio, certamente o posicionariam como um dos automóveis mais desejados do mercado brasileiro. Conforme noticiado pelo Guia do Carro, o Voyah Courage pode ser um dos modelos planejados pela Stellantis para o Brasil.
A começar pelo porte: com 4,81 metros de comprimento, 1,90 m de largura e 1,63 m de altura, além de uma distância entreeixos de 2,95 m; ele é 12 cm maior, 4 cm mais largo e 3 cm mais baixo que o Tiguan R-Line 2.0 TSi, da Volkswagen, que parte de injustificáveis R$ 300 mil – o chinesão ainda leva expressivos 16 cm de vantagem na distância entreeixos.
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Suas linhas combinam elegância e modernidade, conferindo ao Voyah Courage uma distinção pouco vista por aqui, no Brasil. Na dianteira, destaque para a enorme grade frontal “ornada” com nada menos que 264 LEDs (“galaxy-style”) e, na lateral, as colunas B, C e D ocultas se somam à linha de cintura que faz remissão ao corpo de uma flecha.

Por dentro, além do acabamento infinitamente superior ao dos SUVs brasileiros, é a tecnologia embarcada que chama atenção: o quadro de instrumentos é exibido numa tela de 10,2 pol com head-up display e realidade aumentada (AR-HUD) e, na parte alta do console frontal, fica a tela de 15,6 pol do sistema HarmonySpace – comandado por um processador Snapdragon 8295P, da Qualcomm. O teto solar panorâmico tem 2,2 metros quadrados de superfície.
A conveniência é garantida por mesinhas dobráveis, estofamento com certificação (Oeko-Tex) para bebês, 25 porta-trecos, refrigerador com sete litros de capacidade volumétrica, altifalantes nos encostos de cabeça e carregamento sem fio para smartphones.
Outra coisa que o posiciona anos-luz à frente da concorrência nacional é o sistema de assistência e condução semiautônoma Qiankun ADS 4 (da Huawei), que usa um radar LiDAR de 192 linhas, mais 29 sensores, e dispõe não só de frenagem emergencial como também é capaz de desviar de pedestres, animais e motocicletas em manobras evasivas.
Classificado como um sistema de Nível 2 ele navega de ponto a ponto, saindo da garagem de casa, trafegando e estacionando sozinho ao chegar no destino – o motorista, no entanto, deve permanecer atento e pronto para assumir o volante, a qualquer momento. Todas as funções telemáticas podem ser personalizadas e atualizadas, remotamente (OTA).

Potência e eficiência
Se em termos de porte, bem-estar a bordo e tecnologia não há comparação entre o Voyah Courage e os SUVs vendidos no Brasil pelo dobro do preço que ele custa, na China, defrontá-lo com os modelos que conhecemos no quesito eficiência perde até o sentido. Isso porque a versão com tração integral permanente (AWD), vendida na China por 242.900 yuans (R$ 183.990) com 543 cv de potência (contra 272 cv, no Tiguan R-Line 2.0 TSi), tem alcance de até 650 quilômetros, sem necessidade de recarga das baterias.
Seu consumo de eletricidade – de eletricidade, é bom frisar – é equivalente a médias entre 43,4 km/l (8,9 km/l, no caso do Tiguan R-Line) a 52,6 km/l (12,1 km/, no caso do VW) com uso de gasolina sem adição de álcool anidro. Nada mal para um eSUV que acelera de 0 a 100 km/h em 4,9 s (2,5 s mais rápido que o Tiguan) e alcança a velocidade máxima de 200 km/h (10 km/h inferior ao modelo da Volks).
Aqui, a arquitetura de 800 V, atualizada a partir de setembro do ano passado, garante carregamento rápido (5C) de até 400 kW, adicionando 500 quilômetros de autonomia em míseros 15 minutos, mas é onde os olhos não enxergam que o Voyah Courage revela todo ao avanço da indústria automotiva chinesa: todas suas janelas possuem vidro duplo e todos os bancos possuem ventilação, aquecimento e função massageadora em oito vias.

Na parte estrutural, o uso de aço de ultra-alta resistência garante proteção, suportando cargas de até 2.000 MPa – 22% superior ao Tiguan. E um fato curioso, para dizer o mínimo: os preços bastante atraentes, diante de tudo o que este eSUV oferece, sofreram aumento de mais de 20% quando da atualização do modelo, no último trimestre de 2025.
Outro detalhe interessante é que, enquanto o cliente da Volkswagen paga R$ 300 mil pelo Tiguan R-Line para ter apenas três anos de garantia, o chinês que paga metade disso pelo Voyah Courage conta com 200 mil quilômetros ou oito anos de cobertura – uma diferença escandalosa e que só se explica pela imaturidade do consumidor brasileiro que aceita tudo, passivamente. Pena que, como mercado de Terceiro Mundo que é o Brasil, teremos que nos contentar com um compacto de entrada, em que pese o fato de o Dongfeng Box vir se somar ao Dolphin Mini, da BYD, e ao EX2, da Geely, na virada da eletromobilidade.















